27 agosto 2018

Namíbia: roteiro de 5 dias neste país africano

Por Tatty Maragno (@viagensdatatty)

Se você fosse para a África, quais lugares ou países teria vontade de conhecer? Bom, a Namíbia inicialmente não estava em meus planos, mas assim que li sobre este destino incrível, tratei logo de encaixar alguns dias no meu roteiro para conhecer a capital e um pouco do deserto mais antigo do mundo... e certamente não me arrependo.



Abaixo, quero compartilhar um pouquinho da minha experiência de 5 dias na Namíbia:

Primeiramente, por que ir à Namíbia? Ou melhor: por que não?

Curiosamente, a Namíbia foi descoberta por Bartolomeu Dias, mas os portugueses não se interessaram pela vastidão árida do deserto e, após ser dominada por holandeses e ingleses por um curto período, passou a ser colonizada pelos alemães até o final da 1ª guerra mundial e depois pelo mesmo governo da África do Sul, tornando-se uma nação independente apenas em 1990. 


As cidades na Namíbia são definidas principalmente pelo seu deserto. É lá que você encontrará o deserto mais antigo do mundo, tanto que o nome “Namib” significa “vasta planície seca”, onde você irá se deparar com paisagens idílicas e deslumbrantes. A Namíbia é conhecida por ser um dos melhores países para se fazer uma viagem off Road, onde os caminhos percorridos são o ponto alto da viagem. 


Mas não se preocupe poque, se você, assim como eu, não tem coragem de se arriscar nas estradas fora do país, ou não dirige, pode contratar uma excursão.

Alguns dados sobre a Namíbia:

- Capital: Windhoek (pronuncia-se “Vinduk”)
- Área: 824.269 km
- População: 2.104.900 (censo 2011)
- Línguas oficiais: inglês, alemão e Afrikaans

- Moeda: Dólar Namibiano (NAD); eles utilizam também o Rand Sul Africano como moeda oficial, a cotação de ambas as moedas é idêntica em qualquer casa de câmbio. Isto é, se você estiver indo da África do Sul para a Namíbia, pode levar Rand Sul Africano e não precisará trocar dinheiro quando chegar à Namíbia.


- Cartões de Crédito: são bem aceitos, mas você precisará de dinheiro para pequenas despesas, taxas, transfer, gorjetas, etc...
- Economia: Agricultura, turismo e a mineração são a base da economia da Namíbia.



- Visto: Brasileiros não precisam de visto para entrar na Namíbia (passaporte com validade mínima de 6 meses;
- Vacinas: Nenhuma vacina é exigida para entrar no país.
- Direção: mão inglesa (e o trânsito mais louco que já vi na vida...)

- Tomada: igual à da África do Sul, é uma tomada com 3 pinos redondos e grossos (nunca vi um adaptador assim sendo vendido no Brasil, recomendo comprar no aeroporto um adaptador universal).

- Quando ir: de novembro a abril é a temporada de chuvas, que também corresponde à baixa temporada.

O inverno vai de maio a outubro e corresponde à temporada da seca, mas também é a altíssima temporada, porque coincide em boa parte com o verão europeu – junho a setembro, além das férias de muitos europeus. Como o maior número de visitantes da Namíbia vem da Alemanha, já dá para entender por que se trata da alta temporada, certo?

Eu fui em maio e recomendo.

Era início de inverno e fazia frio à noite. Porém, o frio mais intenso mesmo era de madrugada, porque tinha que levantar às 5h para sair às 6h... aí sim era punk! Agora, mesmo eu sendo mais friorenta, não recomendo que se leve muito agasalho porque o carro que faz os deslocamentos é fechado e, logo depois das 10h da manhã, já estava bem quente e calor. Ao longo do dia, a temperatura chegava aos 30ºC.

- Como chegar: eu fui de avião pela Air Namibia em voo direto de Cape Town para a capital Windhoek (parêntesis aqui pra falar que eu amei viajar de Air Namibia, recomendo!). Comprei as passagens diretamente no site da companhia aérea.


Sugiro também reservar o transfer do aeroporto para seu hotel, para não ficar muito perdido quando chegar ao aeroporto. Eu cheguei à noite, no meio do nada e esqueci de pedir o transfer, mas tinham vários taxis/motoristas no local. O custo até o meu hostel foi de 400 NAD (quase 40 dólares americanos) e eu paguei com Rand da África do Sul, o que foi a minha sorte, pois as casas de câmbio do aeroporto estavam fechadas quando eu cheguei, mas como o Rand é aceito normalmente, não tive problemas.

- Onde se hospedar: recomendo ficar próximo ao centro da cidade (Independence Avenue). Eu fiquei no Chameleon Backpackers Lodge &Guesthouse, que é um hostel é maravilhoso, bom infraestrutura bem completa e, o melhor de tudo, oferece ótimo custo x benefício.

- Onde Comer: Eu fui no recomendado Joe’s Beer House. A comida é boa, mas achei o local extremamente turístico, pois é para onde são levados todos os turistas que visitam a capital. Se você quiser ir, sugiro ir às 18h ou reservar mesa. Mesmo ainda não sendo a altíssima temporada (maio), o restaurante estava lotado.

Meu roteiro de 4 noites pela Namíbia:

Peguei um voo com a Air Nambia de Cape Town para Windhoek. Cheguei tarde da noite e, como não tinha reservado o transfer, peguei um taxi no aeroporto mesmo (a cerca de 40 km da cidade). 

A recepção do hostel ChameleonBackpackers Lodge & Guesthouse já estava fechada, mas não tive nenhum problema em entrar: fui recebida pelo funcionário do bar que fez o meu check in.





Como eu nem minha mãe dirigimos, eu já havia contratado desde o Brasil (contato via email) uma excursão de 3 dias pelo deserto (3 Day - Sossusvlei Shuttle) com a empresa New African Frontiers (Tours@NewAfricanFrontiers.com ). O site deles tem diversos outros tours pela Namíbia e outros locais na África:

http://www.newafricanfrontiers.com/ 

O contato inicial foi feito com cerca de 3 meses de antecedência e essa foi a única empresa que encontrei que tinha o passeio com saída na data de que eu precisava. Fiquem atentos a isso porque a maioria das empresas têm datas fixas para o início das excursões. Consultem antes! 

A empresa me ofereceu 2 tours de 3 dias pelo deserto, em hospedagem standard ou superior. Eu contratei a superior e realmente não me arrependo! A hospedagem no Namib Naukluft Lodge foi excepcional. O pagamento foi feito integralmente antes da viagem, em 2 parcelas, no cartão de crédito. Recomendo demais a empresa e o tour!

O tour incluía o transfer ida e retorno do deserto, hospedagem, todas as refeições, guia e o passeio pelo deserto. Às 14h, o nosso motorista e guia, o Berrón, nos buscou de carro no Chameleon Backpackers e descobrimos que, apesar de a excursão ser até para 8 pessoas, só seríamos nós 2. Tivemos uma parada em um posto a pouco mais de 60km de Windhoek e já fomos avisadas de que não teria mais nenhuma parada nas próximas 3 horas de estrada até o hotel. 

Compramos uns biscoitos, amendoim e outras besteiras para comer na estrada. Além disso, água é essencial para se hidratar, mas está incluída durante toda a excursão, portanto, não precisa comprar água. Ao longo da estrada, paramos para alguma fotos. Todo o percurso é realmente lindíssimo e vimos diversos animais. 




Achei muito curioso porque eu não imaginava ver animais no deserto, mas os que vivem ali já estão adaptados à vida sem água. Apesar de ser um deserto, tem muita vegetação, pois existe água embaixo do solo (lençol freático), e você poderá ver antílopes, gnus, avestruz, chacal, zebras e até girafas. Lembrando que a Namibia tem o Etosha National Park que é um excelente parque para safári, mas no deserto eu realmente não esperava ver tantos animais selvagens.




Chegamos no Namib Naukluft Lodge junto com o pôr do sol. O lodge 4 estrelas no meio do nada não deixa em nada a desejar. 

Atendimento, refeições, os quartos enormes e confortáveis, com uma vista maravilhosa, piscina e, apesar de não ter nenhum registro fotográfico, acreditem em mim quando digo que foi o céu mais incrível e estrelado que já vi na vida! 


Fomos recebidas com um drink de boas vindas e logo, depois do banho, o jantar self service já estava nos esperando, servido em um fogão à céu aberto.



No 2º dia, acordamos antes de amanhecer e saímos rumo ao Namib Naukluft National Park, localizado a cerca de 1 hora do hotel. 



Chegamos no portão de entrada na hora do nascer do sol. E esse nascer do sol dentro do parque foi o único momento em que avistamos uma parte das dunas na sombra. Com o passar das horas, a paisagem vai se transformando. Portanto, fazendo jus ao ditado de que Deus ajuda quem cedo madruga... valeu muito a pena ver esse espetáculo da natureza.



Já dentro do parque, nossa 1ª parada foi na duna 45, que está localizada a exatamente 45km da entrada do parque e daí veio o seu nome... original, não acham? Agora vou te contar... e pra subir a duna, hein? 


Haja perna, joelho, equilíbrio... rsrsrsrsrs Eu fui quaaaaseee até o topo, mas como o visual lá do alto já estava lindíssimo, fiquei apreciando um pouco antes de voltar para o carro (e tirar 1 kg de areia do tênis)! 

Sério gente, um mês depois de andar nas dunas na Namíbia, já de volta ao Brasil, ainda tinha areia dentro do tênis!

A 2ª parada foi ainda mais incrível: o Dead Vlei (ou vale morto). 




Após cruzar algumas pequenas dunas a pé, você se depara com o Dead Vlei (pronuncia-se “dead flei”), provavelmente o local mais fotografado do deserto... as árvores mortas cercadas pelas dunas são um achado para os fãs de uma bela fotografia. É proibido encostar, sentar ou subir nos troncos, que são frágeis.




Seguimos adiante em nosso passeio a partir de lá e paramos sob os arbustos de árvores em uma área para pic nic, antes de passarmos por Sossusvlei e, finalmente, desfrutamos do nosso café da manhã.  

Ahhh sim, tudo isso que descrevi para vocês aconteceu antes do café da manhã! rsrs... esfomeados de plantão, se precisarem de um reforço na energia, sugiro ter uma barrinha de cereal para aguentar a andança antes do café. 


Para compensar todo o esforço, nosso café da manhã foi maravilhoso e super farto. Comer sem pressa na companhia apenas dos pássaros em meio à natureza realmente não tem preço. 

Sossusvlei é uma área plana do parque, onde, quando eventualmente chove, forma um lago com direito à visita de flamingos que vêm do litoral até o deserto. As chuvas são raríssimas, geralmente a cada 7 ou 10 anos apenas. 




Saindo do parque, visitamos o Sesriem Canyon, que também está seco, mas também enche em períodos de chuva. A vantagem de visitar no período da seca é que é possível caminhar pelo leito do canyon.


Voltamos ao hotel onde nosso almoço nos aguardava e tivemos algumas horas de descanso antes de seguirmos para assistir ao pôr do sol.





O jantar foi um churrasco à céu aberto e luz de velas. 


Vejam um pouco mais do hotel no deserto... uma experiência realmente incrível!



Na manhã seguinte, tomamos café da manhã e saímos de volta para o Chameleon Backpackers, nossa base em Windhoek.

Fomos jantar no recomendado Joe’s Beer House, super turístico e lotado! Ou vai cedo ou tem que fazer reserva. 

A culinária na Namíbia tem grande influência da culinária alemã. Pedimos para o staff do hostel chamar um taxi na ida e na volta pedimos no restaurante um taxi para voltarmos. Foi bem tranquilo. O jantar foi cerca de R$ 100,00 para 2 pessoas (incluindo 1 taça de vinho).

No nosso último dia, fiz o check out do hostel logo cedo e pedi para reservarem meu transfer para o aeroporto (foi 380 Rands). Saímos para o free walking tour, lembrando que o salário dos guias do free walking tour é a gorjeta dada a ele no final do tour. 

O guia que nos acompanhou saiu do próprio Chameleon Backpackers e o tour iniciou na Independence Ave. Passamos por alguns pontos turísticos da capital como a Christuskirche, a igreja luterana alemã que foi inaugurada em 1910. 



Nela você encontrará os nomes dos alemães mortos durante a colonização e guerras com o povo local. Atrás da igreja fica o Tintenpalast, antiga sede administrativa do Sudoeste Africano Alemão onde atualmente funciona a Assembléia e o Parlamento da Namíbia. 

Há um lindo parque bem em frente do Tintenpalast, mas a entrada é proibida. Em sua escadaria tem 3 esculturas de grandes líderes da Namíbia que foram importantes durante a luta pela sua independência. 

Também passamos pelo Memorial da Independência, museu inaugurado em 2014 que conta a história da Namíbia e em seu terraço é possível contemplar uma vista privilegiada da cidade, perfeita para um pôr do sol. 

Infelizmente, não pude visitar nem esse nem outros museus da cidade por falta de tempo. Assim que chegamos do free walking tour, já saímos pro aeroporto. Nem preciso dizer que ficamos com um gostinho de quero mais... afinal, só pudemos conhecer um pedacinho de todas as belezas que a Namíbia oferece.

Outras dicas de restaurantes que cogitei visitar, mas que eu não fui:

- Brazilian Coffee Shop; 
- Jenny’s Place; 
- Café Zoo; 
- Craft Café; 
- Wecke & Voigts Koffie-Bar; 
- O Portuga; 
- Sardinia; 
- Andy’s Pub; 
- The Stellenbosch.

Outras dicas de lugares para conhecer na capital que ficaram para a próxima vez:

- National Art Gallery; 
- Trans Namib Transport Museum; 
- Namibia Craft Centre; 
- Zoo Park; 
- Owela Museum


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