sexta-feira, 30 de junho de 2017

Camboja: História e Informações

No embalo dos posts anteriores sobre o Camboja e a cidade que visitamos, Siem Reap, vamos contar para vocês um pouco mais sobre sua história e sobre os passeios que fizemos por lá. 



Mas antes de qualquer coisa, não deixem de ler este post aqui, sobre nossa experiência no Park Hyatt de Siem Reap e também sobre outras informações importantes da cidade e passeios, ok? CLIQUE AQUI.


** HISTÓRIA DO CAMBOJA ** 

Camboja, localizado no Sudeste Asiático, encontra-se situado na fértil bacia do rio Mekong e sua superfície territorial é de 181 035 km², sendo o 87.º maior país do mundo. Compartilha fronteiras terrestres com a Tailândia ao oeste e norte (cerca de 803 km), com o Laos ao nordeste (541 km de fronteira) e com o Vietnã ao leste e sudeste, possuindo 1228 km de fronteira com este. E também tem praia no Camboja, que infelizmente não visitamos, mas sabemos que são lindas, ao longo dos seus 443 km de costa marítima no golfo da Tailândia.




Sua história não é muito comentada nem divulgada (e não sei o porquê disso), mas fato é que o grande Império Khmer, a razão de visitarmos os templos incríveis, majestosos e impressionantes do complexo de Angkor, teve sua origem no ano de 802 d.C., quando Jayavarman II declarou-se rei e nos 600 anos seguintes a civilização cambojana viveu seu esplendor e glória, dominando boa parte do sudeste da Ásia. 



Datam desta época a construção dos monumentais templos do complexo de Angkor Wat, com grandes reverências ao hinduísmo e budismo, o que é considerado bastante responsável por difundir essas religiões por toda a região. Angkor era o centro do poder do Império Khmer e seu complexo abrigava diversos importantes templos.

Estima-se que, por exemplo, Ta Phrom, um dos mais importantes a serem visitados, e que foi construído pelo rei Suryavarman II, foi servido por mais de 12 mil cortesãos, desde sacerdotes, dançarinas até mesmo engenheiros, isso sem contar os exércitos do império ou as legiões de agricultores que cultivavam o arroz nas imediações.



Detalhe que vai te surpreender mais ainda (especialmente para quem visitou os templos): você sabia que estudiosos apontam que Angkor, cuja construção começou em 1140, poderia ter abrigado uma população de até 1 milhão de habitantes à época e que pode ter sido a maior cidade do mundo naquele momento? 

Mas já sabemos (clique aqui) que Ayutthaya igualmente já foi considerada a maior cidade do mundo com seus certa de 1 milhão de habitantes por volta de 1760. De qualquer forma, como estamos falando de épocas diferentes, temos aqui duas maiores cidades do mundo na Ásia, numa época em que a Europa despontava com diversas descobertas e expansões marítimas, revoluções industriais... enquanto que o Sudeste Asiático fervilhava também com duas grandes civilizações, Angkor e Ayutthaya, em momentos diversos, mas cada qual com suas conquistas que deixaram marcas na história.


Apesar de ter sido um império extremamente organizado, militarizado e forte, ao ponto de conquistar diversos territórios que atualmente pertencem à Tailândia, Malásia, Myanmar, Laos e Vietnã, de acordo com os dados levantados pelos historiadores, acredita-se que os dois ciclos de secas extremas enfrentadas por Angkor, entre 1362-1392 e 1415-1440 fizeram parte da derrocada deste grande império, afetando duramente a agricultura, pois, ao mesmo tempo, uma série de longas guerras contra os reinos vizinhos deixou o império mais vulnerável às invasões e saques. Fato é que o Império Khmer nunca se recuperou dos saques e isso deixou o país frágil e ameaçado pelos próximos 400 anos.


Até que, no século XV, este grande império sucumbiu à invasão tailandesa de Ayutthaya, capital do Reino do Sião, por volta de 1431, o que resultou no abandono de Angkor pelo Império Khmer, aliado também a desastres ecológicos que ocorreram. 

Acontece que os monges não deixaram de fazer suas orações em Angkor Wat, razão pela qual este templo não restou completamente abandonado, em detrimento dos demais, que foram tomados pela vegetação local, principalmente as árvores, e vem daí os cenários incríveis que conhecemos no filme estrelado pela Angelina Jolie, em Tomb Raider.



A partir disso, a corte mudou-se para Lovek e o reino passou a investir no comércio marítimo até que em 1594 até mesmo Lovek foi conquistada, além de ter sofrido uma considerável perda de território para o Vietnã e Reino do Sião. 

O Camboja, então, passou a ser um mero vassalo de seus vizinhos, notadamente Vietnã e Sião, até o momento de ser colonizado por franceses, em meados do século XIX, quando, em 1863, o rei Norodom, que havia sido colocado no poder pela Tailândia, pediu a proteção da França contra os tailandeses e vietnamitas, após a tensão entre esses reinos ter crescido.



Em 1867, o rei tailandês assinou um tratado com a França renunciando sua soberania sobre o Camboja em troca do controle das províncias de Battambang e Siem Reap, que passaram a pertencer oficialmente à Tailândia. Essas províncias voltaram a fazer parte do Camboja após um tratado entre a França e a Tailândia, em 1906.

Vejam que curioso observar que Siem Reap, a cidade que visitamos, já foi parte da Tailândia. Acontece que a França estava sempre muito mais preocupada com seu domínio no Vietnã do que no Camboja e, por exemplo, somente a elite cambojana que tinha acesso à educação.




O Camboja continuou como protetorado francês de 1863 a 1953, sendo administrado como parte da colônia da Indochina Francesa, menos durante a ocupação por parte do Império Japonês de 1941 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial. A independência do país só ocorreu em 1953, ocasião em que perdeu oficialmente o delta do Mekong, que passou para a soberania vietnamita. Porém, com a economia em colapso e a falta de empregos, muitos dos jovens da elite que recebia educação acabaram atraídos pelo Partido Comunista da Indochina que depois veio a ser o Khmer Rouge, ou Khmer Vermelho.

Agora vem a parte da história triste e recente que maculou o povo cambojano, marcado de muito sofrimento e tragédias. Como resultado de um contexto de Guerra Fria, logo após a Segunda Guerra Mundial, em que havia uma disputa nem tão velada assim entre as super potências EUA e ex União Soviética, várias guerras travadas em outros países acabaram servindo de palco para a demonstração de poder dessas duas potências, sendo que cada uma apoiava um dos lados envolvidos nas guerras que tinham motivações de cunho político, às vezes religioso, mas no fim das contas, eram as verdadeiras válvulas propulsoras para o alavancar das indústrias bélicas que eram as que mais se beneficiavam disso tudo. Num primeiro momento, todavia, o Camboja adotou uma política oficial de neutralidade na Guerra Fria. 



Assim, diversas guerras dentro desse cenário foram travadas, como a Guerra da Coreia, que resultou na sua separação, até hoje, entre Coreia do Sul e Coreia do Norte, ou a mais famosa e que ficou mais conhecida, Guerra do Vietnã, que repercutiu também no Camboja, pois, na época, o príncipe Sihanouk permitiu que os comunistas vietnamitas usassem o Camboja como um santuário e uma rota de abastecimento de armas e outros auxílios para as suas forças armadas que lutavam no Vietnã do Sul.

Acabou sendo deposto, ao visitar Pequim em 1970, por um golpe militar que dizem ter recebido o apoio dos EUA. Isso causou a revolta das forças do Vietnã do Norte, que imediatamente atacaram o novo governo cambojano e, logo em seguida, os rebeldes do grupo para militar Khmer Vermelho foram ganhando adeptos e adesão. 

  

O conflito no país se manteve entre o governo e o exército do Camboja e as forças armadas do Vietnã do Norte por mais alguns anos, tendo sido o país duramente bombardeado inúmeras vezes pelos EUA e República do Vietnã. A Força Aérea Americana bombardeou o Camboja de 1964 até 1943 com cerca de 2.7 milhões de toneladas de bombas, causando a morte de possivelmente 150.000 pessoas.

Até que, em 1975, consolidou-se o cruel e sanguinário Khmer Vermelho com o apoio de Sihanouk, que tomou a capital Phnom Penh e instituiu um regime liderado por Pol Pot., mudando o nome oficial do país para Kampuchea Democrático, com fortes influências da China.

Houve destruição de templos, bibliotecas, foi descartada qualquer coisa que lembrasse a medicina ocidental, a população foi evacuada em marchas forçadas para o campo, para reconstruir a agricultura do país com base em um modelo do século XI. Entre um e dois milhões de cambojanos, de uma população de 8 milhões, morreram executadospor excesso de trabalho, fome e doença. Um verdadeiro Crime contra a Humanidade foi cometido sem intervenções... coomo se o mundo simplesmente não se importasse com o genocídio que estava acontecendo. Centenas de milhares de pessoas fugiram pela fronteira para a vizinha Tailândia. 

Em 1978, o Vietnã invadiou o Camboja e forçou a retirada do Khmer Vermelho para interior do país, colocando fim a 13 anos de uma guerra civil, que ainda insistia em continuar nas fronteiras. Como consequência deste regime cruel, nenhuma infraestrutura foi deixada, nem educacional, nem financeira, nem qualquer tipo de comércio, tendo sido tudo destruído e forçando o país a literalmente começar do zero. Em 1981, três anos depois da invasão pelo Vietnã, o poder no Camboja encontrava-se indiretamente dividido entre três facções, que as Nações Unidas eufemisticamente se referiam como "Governo de Coligação do Kampuchea Democrático". Estas facções consistiam no Khmer Vermelho, na facção liderada pelo monarquista Sihanouk, e a Frente Nacional de Libertação do Povo do Khmer.

Na década de 1980, o Khmer Vermelho, com seus integrantes espalhados pela Tailândia, Estados Unidos e Reino Unido, continuou a controlar grandes partes do país e atacou territórios que não dominava. Estes ataques, juntamente com o total de sanções econômicas impostas pelos Estados Unidos e seus aliados, fizeram a reconstrução do país ser praticamente impossível e deixou-o na miséria total.



Os esforços de paz começaram em Paris, em 1989, resultando, em outubro de 1991, em um acordo de paz abrangente. A Organização das Nações Unidas impôs um cessar-fogo e passou a lidar com os refugiados e com o desarmamento.

Assim, a República Popular de Kampuchea durou até o início dos anos 1990 e o país, após anos de isolamento, com uma nação devastada pela guerra, pôde iniciar as suas tentativas de restabelecer-se novamente com o sistema monárquico em 1993 e vem apresentando, dentro das circunstâncias, um rápido progresso nas áreas de recursos humanos e econômicos, além da reconstrução de décadas de guerra civil. 


O Camboja, apesar de tudo, tem apresentado um dos melhores desenvolvimentos econômicos na Ásia, com crescimento médio de 6% nos últimos dez anos. A agricultura, construção civil, vestuário e turismo atraíram investimentos estrangeiros e estimularam o comércio internacional. O turismo cresceu rapidamente se compararmos que o país recebeu 1.7 milhões de visitantes em 2006 e mais de 5 milhões em 2016. As reservas de petróleo e gás natural, encontradas nas águas territoriais do país em 2005, permanecem praticamente inexploradas, em parte devido a disputas territoriais com a Tailândia.



Por outro lado, não obstante haver melhorias econômicas, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país ocupa a 143.ª posição, avaliado em 0,555 (empatado com São Tomé e Príncipe), indicando que o Camboja possui médio desenvolvimento humano atualmente, apesar de a maioria da população ainda subsistir com menos do que 1 dólar por dia. A falta de educação da população, a baixa qualificação, a pobreza do interior do país que ainda sofre com a falta de infraestrutura básica ainda são grandes desafios, não obstante podermos ver muito luxo em diversos lugares de Phnom Penh e Siem Reap, 60% da poopulação ainda sobrevive de uma agricultura de subsistência, apesar de haver esforços para construir estradas, levar irrigação aos campos e eletricidade na tentativa de implementar melhorias para o povo cambojano.

Com uma população estimada em pouco mais de 15 milhões de habitantes, o Camboja é o 68º país mais populoso do mundo e tem o budismo como religião oficial, praticado por cerca de 95% da população cambojana. Os grupos étnicos minoritários incluem vietnamitas, chineses, chams e outras trinta tribos. A capital e maior cidade é Phnom Penh, seu centro político, econômico e cultural. O reino é uma monarquia constitucional, tendo Norodom Sihamoni como representante. O monarca é escolhido pelo Conselho do Trono Real e recebe o status de chefe de Estado. O chefe de governo é Hun Sen, que governa o Camboja há mais de 25 anos.

  


A parte boa desta história triste é que, em matéria de segurança, a situação melhorou bastante o que vem estimulando uma continuidade no aumento no número de visitantes, turistas do mundo inteiro que finalmente estão conseguindo redescobrir o Camboja, seus templos e praias, além de hotéis de luxo que passaram a investir no país, apesar de que não se recomenda, por enquanto, viajar para outras regiões do país que estejam foram desse circuito mais turístico por que o risco é imprevisível, mas existe. 

** CLIMA ** 

Ahhh... é quente, viu? Beeeem quente! Naquele melhor estilo Rio 50º! rsrs... engraçado que estive em Manaus recentemente e tive essa mesma sensação, daquele calor intenso, mas é diferente do Rio porque o clima é úmido... e foi assim em Siem Reap, bem como em Bangkok. Portanto, saiba que visitar os templos debaixo de sol de lascar e calor forte é um verdadeiro teste de resistência. Você faz uma sauna úmida todo dia!

E não é para menos já que o clima predominante no Camboja é o tropical, regido através dos ventos de monção, responsáveis por definir as duas principais temporadas:

- Entre meados de maio a início de outubro: os fortes ventos da monção sudoeste causam chuvas torrenciais e alta umidade no território. 

- Entre o início de novembro a meados de abril: os ventos tornam-se mais leves e o clima mais seco, com nebulosidade variável, precipitação pouco frequente e menor umidade.

E nós visitamos Siem Reap no mês de março de 2017! 

Porém, vale lembrar que as temperaturas são elevadas durante todo o ano, variando entre cerca de 28°C e 35°C. A precipitação anual varia consideravelmente em todo o país, com mais de 5000mm nas encostas dos planaltos do sudoeste, a cerca de 1270 mm e 1400 mm na região central de várzea. Três quartos da precipitação anual ocorrem durante os meses da monção sudoeste.


E, para acompanhar o clima, é claro que a vegetação dominante também é a tropical que a gente pôde contemplar, ao longe, quando subimos nos níveis mais elevados de Angkor Wat. Na verdade, todo o complexo de templos de Angkor permitem ter esse contato com a natureza ao redor dos templos e, em alguns casos, a gente caminha pela floresta até chegar no templo. 



** Algumas informações práticas **

- Chegamos de avião com a AirAsia num voo vindo de Chiang Mai (com conexão em Bangkok). Siem Reap é muito bem servida de voos da AirAsia conecta a cidade com diversos outros destinos o que torna bem prático chegar lá de avião. A outra opção seria voar om a Vietnam Airlines, Cambodia Angkor Air, Bangkok Airways, Air Wings, Cebu Pacific e Jetstar.



- O transfer do aeroporto ao hotel custa em torno de 5 a 10 dólares americanos, mas nosso caso o transfer estava incluído (e isso é bem comum de ser oferecido pelos hotéis em Siem Reap). É bem rápido porque o aeroporto fica perto da região dos hotéis.

- O Camboja exige Visto dos brasileiros que pode ser tirado logo que chegar no aeroporto - que foi o nosso caso - ou pela internet antes. Custa 35usd para turista, mais 2usd se não tiver foto (acho que ninguém tinha kkk).


- Apesar de a moeda local e oficial ser o Riel (KHR), sabíamos que não seria necessário trocar dinheiro lá e usamos somente dólares americanos - USD porque em Siem Reap tudo é dolarizado: preços de hospedagens, refeições, roupas... o dólar é amplamente aceito, mas não se assuste com isso, pois, apesar disso, trata-se de um país muito - muuuuuito - barato. Mas a dica é ter dindim em espécie porque, como o país é bem mais pobre do que a Tailândia, por exemplo, muitos estabelecimentos não trabalham com cartão de crédito.

  

- O idioma oficial é o Khmer e, de modo geral, com quem tivemos contato, seja no hotel, o motorista do tuk tuk, os vendedores nas feirinhas próximas aos templos... todos falam um inglês bem mais compreensível do que os tailandeses. Dentro do hotel, então, todos falavam fluentemente e achei incrível! Porque também ficamos em bons hotéis durante os 17 dias na Tailândia, mas era raríssimo encontrar alguém falando inglês tão fluente e tão compreensível, como tinha sido nas Filipinas, por exemplo e isso foi um choque inicial para a gente. Mas aí veio o Camboja e voltamos a compreender melhor as pessoas kkkk.. Ah, e claro, como ex colônia francesa, há muitos que falam francês bem por lá.

- A maioria da população do Camboja é Budista.

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