sexta-feira, 9 de junho de 2017

Ayutthaya: um bate e volta perfeito a partir de Bangkok

Um dos passeios pelo que eu estava mais ansiosa em fazer era o do sítio arqueológico de Ayutthaya, que fizemos a partir de um daytrip, ou seja, bate e volta de Bangkok.



A dúvida inicial era se faríamos esse passeio de manhã, de tarde ou o dia todo. Daí conhecemos a Experiência Tailândia, uma agência de viagens que opera em algumas cidades tailandesas, com um grande diferencial: o seu fundador e guia principal, o Thea, embora seja tailandês nato, ele morou em Portugal um tempo para fazer intercâmbio e aprendeu português. Olhem só que formidável?? Ter um guia na Tailândia que consiga te entender e falar sua língua não é o máximo? Nós adoramos a experiência e fomos lá conferir, seguindo a sugestão do próprio Thea, combinamos de fazer o passeio para Ayutthaya de tarde para pegarmos o pôr do sol por lá. E vou te contar que ainda bem que eles apareceram para dar essa sugestão formidável porque nós simplesmente amamos!





Além de poder ver o espetáculo da despida do Astro Rei diretamente de Ayutthaya, nós também fomos brindados com um nascer da lua cheia inesquecível! A experiência não poderia ter sido mais perfeita e por isso mesmo recomendamos bastante não apenas o passeio, como esse horário que fomos lá, de tarde, e de preferência com o guia Thea que vai te tratar muito bem, assim como toda a equipe que trabalha para a agência Experiência Tailândia. Mas, é claro que se você tiver a oportunidade de fazer seu passeio com o Thea, sua experiência será com certeza muito enriquecedora.



** UM POUCO DA HISTÓRIA DE AYUTTHAYA **

Pois bem, vamos falar então de Ayutthaya? Antes de mais nada, vamos logo informar que o calor por lá é muito intenso! Nível hard core tipo Bangkok. Outra dica importante: deixamos para ir para Ayutthaya em um domingos, seguindo recomendações de amigos, pois a distância de Bangkok até lá dá cerca de 1h sem trânsito. E como todos dizem que o trânsito em Bangkok é caótico em dias úteis, pensamos que ir em um domingo seria melhor para não perdermos tempo com possíveis e inevitáveis engarrafamentos. Sim, por esse lado foi bom. Contudo, por outro lado, justamente por ser domingo, Ayutthaya estava abarrotada de pessoas, pois os tailandeses nativos também vão para lá aos domingos, no seu dia livre, para fazer suas orações e visitarem os templos.




Então, é o caso de você avaliar se prefere fugir do trânsito, como nós fizemos, ou se prefere fugir das multidões de pessoas e peregrinos. Outra coisa: o dress code lá também é sério para mulheres e um pouco mais light para homens. Ombros cobertos sempre!! No caso das mulheres, vale usar lenços e enxarpes. Também tem que cobrir os joelhos. Para os homens, basta uma camisa de manga que pode ser curta e podem usar bermudas. Bem melhor, não é?


A origem da Tailândia está ligada intimamente aos esforços do povo Thai que se orgulha de ser um povo livre, que nunca foi dominado por nenhum colonizador e que foi expulso do Sudoeste da China por volta dos séculos 2 e 1 a.C. 



  
Ayutthaya, por sua vez, cujo nome completo, e mais difícil, é Phra Nakhon Si Ayutthaya, ou em tailandês seria พระนครศรีอยุธยา, foi a sede do antigo Reino de Sião (a partir de 1939 que passou a se chamar de Tailândia) por cerca de 4 séculos, fundada no século XIV, em 1351, pelo rei Ramathibodi I, atingindo o marco de ser a maior cidade do mundo por volta de 1760, quando um censo revelou ter cerca de 1 milhão de habitantes.

Contudo, apesar de ser um povo livre, o povo thai nunca escapou do contexto de guerras que o cercava e de disputas de territórios. 

Importante ponto comercial da Ásia, localizada entre a China, Índia e Malásia, no encontro dos rios Chao Phraya, Lopburi e Pa Sak, a cidade recebia muita gente de vários lugares, sendo um dos mais valorizados portos do planeta àquela época, e acabou chamando atenção por suas belezas e riquezas. Comercializava principalmente madeira de teca, sândalo, açúcar, couros, marfim dos elefantes, peles, sedas e produtos do artesanato local. Assim, a imponente, grandiosa e riquíssima Ayutthaya foi a grande referência na Tailândia até sucumbir às invasões ocorridas no século XVIII atribuídas pelos livros de história aos exércitos da Birmânia, onde hoje em dia fica o Myanmar.




Digo que é supostamente porque o nosso guia Thea desconfia disso já que o povo birmanês era budista e não faria sentido eles invadirem Ayutthaya para saquear a cidade, decapitar as estátuas de Buda sob a justificativa de que eles tinham que "matar" os espíritos dos deuses locais, e fazer o que fizeram, indo de encontro aos princípios relgiosos budistas. No entender do Thea, ele acredita que quem na verdade causou essa grande destruição em Ayutthaya foram os exércitos chineses, que não tinham qualquer ligação com o budismo e por isso agiram assim, decapitando as estátuas de Budas e, de alguma forma, conseguiram fazer com que a culpa disso recaísse sobre a antiga Birmânia.


Fato é que, sendo os birmaneses ou chineses, Ayutthaya não resistiu e foi destruída rapidamente em apenas dois anos, entre 1765 e 1767, tendo sido destruídos 1.500 templos e decapitados mais de 4.000 estátuas de Buda. Todo o ouro foi arrancado, derretido...  e os vestígios da destruição estão por todos os lados, seja no antigo Palácio Real, do qual restou praticamente nada, seja a decapitação em série das estátuas de Buda, transformando-as nos famosos budas sem cabeça...



Após esse terrível momento da sua história, o povo thai decidiu que a capital teria que mudar de lugar e, em 1767, e a 80 quilômetros ao norte, eles fundaram uma nova capital para o Reino de Sião, a atual Bangkok, que permanec até hoje como capital, onde o Grand Palace foi construído ao longo dos anos (cada rei deixava sua marca no Grand Palace). Notem que a inspiração de construção do Grand Palace de Bangkok era justamente para ser uma espécie de espelho de Ayutthaya que, hoje, encontra-se basicamente em ruínas. 



Em 1991, as ruínas da antiga cidade que hoje fazem parte da Cidade Histórica de Ayutthaya foram declaradas pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade. Reparem a nova cidade de Ayutthaya foi fundada a poucos quilômetros a leste da cidade histórica, enquanto que a cidade antiga permanece sobre uma península formada por uma curva do rio Chao Phraya.

** COMO CHEGAR EM AYUTTHAYA **

Nós fomos de van com a agência Experiência Tailândia, que tem uma frota de carros novos e espaçosos, além de oferecer água a bordo e o motorista sempre tinha a sensibilidade de ligar o ar condicionado bem forte antes de a gente voltar para a van, depois de suar em bicas nas visitas aos templos. Mesmo assim, nem sempre o ar condicionado conseguia gelar a tempo... essa parte do calor foi bem sofrida, um verdadeiro teste de resistência.


Há outras formas de chegar lá e uma das mais conhecidas e populares dentre brasileiros, além das agências de turismo contratadas seja via internet (como eu fiz com a Experiência Tailândia) seja por meio das inúmeras agências de turismo espalhadas pela Kahosan Road, no centro de Bangkok, onde você poderá contratar tours em grupo ou privados que podem durar parte do dia ou o dia inteiro, outra maneira de chegar e, pelo que li, é relativamente fácil, é de trem!




E se você estiver com o orçamento muito enxuto, mas não lhe falta disposição, vale a pena encarar ir de ônibus também. Os trens saem da Estação Hualamphong, que é a principal estação de trem de Bangkok, e o ônibus parte da Northern Bus Terminal, em Bangkok e custam em torno de R$1.00 (um real mesmo) a passagem. Também há vans e micro-ônibus que saem de local próximo da Victory Monumento BTS Station. De uma ou outra forma, você vai levar entre 1:30 a 2h para chegar lá, no máximo (desde que não haja nenhum engarrafamento). Nós levamos algo em torno de 50 minutos.

Como nós não vivenciamos isso, vou indicar para vocês a leitura de três blogs de blogueiros queridos e de quem sou fã e que foram e contaram para a gente a sua experiência:

- Na Bagagem da Ninja

- Viajadora Blog

- Um Viajante


** CONHECENDO OS TEMPLOS DE AYUTTHAYA **

Como são mais de 400 templos em Ayutthaya, é muito importante ter em mente duas coisas ao planejar sua ida para lá:


1) você não conseguirá ver tudo! É impossível! São muitos templos, estátuas gigantes de Buda, chedis, estopas... tudo por lá impressiona pelo gigantismo e por nos fazer imaginar como foi um dia no passado, antes das invasões.

2) é bom já ir para lá com uma ideia das suas prioridades, do que você faz questão de ver.

Logo, não tem jeito e você terá que ou selecionar os templos e montar um roteirinho se você for por conta própria e, neste caso, nós recomendamos que você, ao chegar lá, alugue uma bicicleta ou um tuk tuk que te leve aos templos porque o calor é muito intenso e o complexo de ruínas é gigantesco.


Ou, ainda, você poderá ir com agências de turismo e fazer o roteiro que eles pré definirem, mais ou menos como foi no nosso caso. Por falta de tempo para pesquisar de forma mais aprofundada e por confiar na experiência e conhecimentos do Thea, eu não me preocupei com isso e segui o roteiro do Experiência Tailândia sem questionar. Na verdade, antes de viajar, eu mostrei o roteiro deles para alguns amigos que já tinham ido para lá e comparei também com alguns blogs que eu estava lendo e me pareceu ser praticamente a mesma coisa que todo mundo faz na prática.

A bem da verdade, na prática, há poucas variações do roteiro padrão em Ayutthaya. De modo geral, há templos que são principais e, em regra, você conseguirá visitar uns 5 ou 6, isso se o calor te permitir.


Obs: Em Ayutthaya, vocês verão passeios de elefantes que nós não recomendamos que façam porque há relatos graves de maus tratos aos animais que são usados para esses passeios com cadeirinhas e praticamente são açoitados por seus domadores para executarem as tarefas e levarem os turistas nos passeios.

Lembrando que a palavra "Wat" significa Templo, segue abaiso a lista dos templos que nós visitamos, exatamente nesta ordem:

1. Wat Yai Chaimongkol:



O nosso primeiro templo a ser visitado naquela tarde estava bem movimentado e cheio de pessoas fazendo suas orações, oferendas e o calor era intenso, por isso a gente tentava sempre escapar das multidões e caçar sombras rsrs... Trata-se de um antigo mosteiro do século XIV, construído pelo Rei U-Thon, que acabou sendo um dos maiores templos de Ayutthya e um dos mais bem conservados.




Há um grande Buda reclinado na parte mais externa e próxima à entrada e da ponte Pridithamrong que nós nem chegamos perto. Só vi de carro, porque tentamos otimizar nosso tempo e evitar ao máximo a fadiga no horário de pico do sol e calor intenso.


Mas não tinha como não contemplar a beleza da gigantesca estupa no centro e dezenas de Budas sentados. Até criamos coragem para subir a estupa e ver lá de cima a paisagem e ter uma visão panorâmica de Ayutthaya.







Não entramos na parte interna da estupa porque estava realmente muito calor e havia muita gente. Mas algo que reparamos nas ocasiões em que passamos pelo templo embaixo era a colocação de papéis dourados nas estátuas de Buda, um ritual que os fiéis praticam para fazer seus pedidos e orações.


A entrada deste templo é paga, mas já estava incluída no nosso passeio com a Experiência Tailândia.




2. Wat Phanancheng:


Após o calorão que passamos de cara ao visitar o Wat Yai Chaimongkol, o Thea nos deu uma trégua e levou a gente para conhecer este templo que é fechado - graças a Deus! Ooops, ou melhor, graças a Buda! kkkk... mas não tinha ar condicionado, até porque não dá para querer tudo, né?


Aí sim pudemos ouvir melhor as explicações do Thea sobre o lugar, sobre os painéis e pinturas que representam as histórias relacionadas a Buda, os significados de suas posições (se com a mão tocando o solo, se reclinado, se sorrindo ou não... cada posição tem um simbolismo dentro do Budismo)... ou seja, agora sim a gente, sem suar em bicas, conseguiu absorver um pouco mais dos conhecimentos do Thea.


Foi bem legal porque, já que era domingo e estava tudo muito cheio mesmo, foi interessante podermos presenciar uma cerimônia em que jogavam os mantos em cima dos fiéis dentro do templo onde há um Buda enorme sentado.


Percebi que era um templo mais frequentado por tailandeses mesmo e que estavam todos lá na sua rotina normal de ir ao templo rezar em um domingo.

Reparem nas centenas de mini Budas encrustados nas paredes do templo!


A única coisa que não nos agradou foi a questão do dinheiro, sabe? Ver notas penduradas no teto e um apelo forte ao dinheiro e bens materiais nos fez refletir se os ensinamentos de Buda realmente levariam a isso ou se já estaríamos diante de algumas distorções da religião.

Também havia monges aguardando as doações e confesso que isso eu achei bem estranho porque reparamos que nas cestas de doações havia muita "porcaria" como refrigerantes e biscoitos e ficamos pensando se os monges não deveria receber comidas mais saudáveis rsrs..




Vocês sabiam que os monges não podem cozinhar? Só em último caso, numa questão de jejum muito prolongado que comprometa sua vida, aí sim ele teria permissão para cozinhar. O monge não pode trabalhar, no sentido de que ele não tem uma fonte de renda certa e vive de doações. Em regra, pelo que o Thea nos contou, os monges também são proibidos de conversar com as mulhares, a não ser nos momentos destinados ao monk-talk (conversa com o monge).




Enfim, por essas e outras que eu voltei pensando se realmente Buda queria que fosse dessa maneira ou se há distorções desta religião que eu tanto admiro.


3. Wat Mahathat: 




Esse templo é bem famoso e você certamente já deve ter visto a super fotografada cabeça sem corpo de Buda encrustada dentro de uma árvore, não?





Thea nos contou que há quem defenda ter a cabeça parado lá após a tentativa de soldados birmaneses fugirem, carregando a cabeça que continha muito ouro. Ao aproximarem outros soltados "inimigos", eles teriam colocado a cabeça ali meio que escondida para depois voltar e pegar, porém, ela foi "abraçada"pelos galhos e árvores e, com o passar do tempo, o rosto de Buda foi ficando sereno.


Essa árvore fica logo na entrada do templo e estava bastante disputada para foto no dia que fomos.



Aviso: é desrespeitoso tirar foto ao lado desta estátua estando em um nível maior, mais alto do que ela. O certo é agachar no chão ou sentar mesmo. Há uma corda que cerca o espaço e ultrapassá-la também é um comportamento ofensivo e desrespeitoso.


Bem, após ver a super disputada para foto cabeça do Buda, nós seguimos caminhando por lá porque se trata de um templo muito grande e com muitos vestígios das ruínas da guerra para todos os lados. Se o que restou em pé impressiona, inevitável pensar como não seria antes da destruição.




Neste templo também é possível ver várias estátuas de Buda com apenas o corpo, ou seja, algumas das milhares que foram decapitadas.



Como o templo é enorme, nossa sugestão é: vá logo garantir a sua foto com a estátua do Buda dentro da árvore e depois perca-se lá dentro! Sério mesmo... caminhe, contemple, imagine como teria sido nos tempos áureos da Ayutthaya... nós fizemos isso e foi uma delícia e ainda tivemos a companhia do Thea para nos explicar tudinho sobre a história do Reino de Sião! E aproveite para tirar várias fotos porque esse é um dos templos mais fotogênicos, juntamente com o último que visitamos... rendem fotos lindas e inesquecíveis!!



 
Paga-se também para entrar a bagatela de 50 baht, algo como 5 reais. Vejam abaixo a maquete que representa como era o templo antes da sua destruição.


4. Wat Lokkutaya:

Entendedores entenderão: quem aí já brincou de vídeo game o joguinho Street Fighter? Se sim, você com certeza vai associar logo de cara e lembrar desta estátua do Buda reclinado que aparecia no vídeo game em algumas cenas de luta.


Não acho que Buda ficaria feliz com isso, mas eu também não sou budista kkkk...


Essa estátua representa o Maior Buda reclinado de Ayutthaya, com seus 37 metros de comprimento e 8 metros de altura. É claro que é uma imagem sagrada para o povo e, justamente por isso, se você é muito muit fã do Street Fighter, fica aqui o nosso pedido para não pagar o mico de ficar reproduzindo golpes e outras coisas relacionadas ao jogo que podem ser desrespeitosas, combinado?

5. Wat Chaiwattanaram:



A última visita do dia, até porque demos uma corridinha no final porque já estava fica muito perto do pôr do sol, foi  neste magnífico templo, um dos mais bem conservados que visitamos, mas que foi quase que completamente destruído durante as invasões. Ocorre que o Governo Tailandês resolveu restaurá-lo em 1992 e ainda bem que o fez, pois a sua magnitude é admirável e acredito ser um dos principais templos de Ayutthaya.




E foi esse o local escolhido para podermos assistir de camarote e num cenário deslumbrante a um inesquecível Pôr do Sol!


Apesar de ser um dos templos mais populares de Ayutthaya, como chegamos perto do anoitecer, já não havia tanta gente e estava bem tranquilo de caminhar por lá. Aliás, estava ótimo, sem o sol de rachar nas nossas cabeças, sem o calorão terrível... bem, continuava quente (e disso não tem muito como escapar na época do ano que fomos, em março).


O significado de Wat Chai Watthanaram seria mais ou menos “O Mosteiro do Templo Vitorioso e Próspero”. Foi construído entre 1630 e 1650 pelo Rei Prasat Thong, em homenagem à memória de sua mãe adotiva e para comemorar a sua coroação. O templo era utilizado para realizar cerimônias reais e também cremações de pessoas ligadas ã família real.


O Templo foi completamente destruído durante as invasões do século XVIII e permaneceu por cerca de 250 em ruínas até passar por amplo processo de restauração até chegar nos dias atuais.

Como chegamos já com o sol quase quase se pondo, a gente saiu andando por lá à caça do melhor ângul para ver a despedida do Astro Rei. E foi tão lindo que mereceu toda a nossa atenção.



Confesso para vocês que essa acabou sendo a minha preocupação e depois que o sol se escondeu optamos por caminhar pelo templo, observar as construções, as estopas e chedis... percebi que muitas escadas estavam com seus acessos fechados e realmente pareciam bem íngremes e perigosas.


No final das contas, eu não prestei muita atenção nas explicações do Thea porque, pouco tempo depois de o sol se esconder, de contemplarmos as cores maravilhosas do céu que foram se transformando entre tons alaranjados e violetas, até começar a anoitecer propriamente dito e surgir, no horizonte, em cima do rio, uma lua cheia encantadora!

Pronto, definitivamente, com todo esse cenário fotogênico, inspirador e magnífico ao nosso redor, com uma temperatura bem amena e tranquila para a gente passear, eu simplesmente não ouvi mais as explicações do Thea e fiquei só contemplando tudo aquilo e tirando muitas fotos, é claro!





Mas, a título de registro, saibam que a torre central do templo é a Phra Prang Prathan que ostenta os seus 35 metros de altura, construída no estilo Khmer, que é a arquitetura típica do Camboja (e eu bem que tinha reparado mesmo nisso depois que fui a Siem Reap), simbolizando a lendária montanha budista Meru (Phra Men).


Ao redor da torre central existem 4 prangs/templos menores, que representam os quatro continentes onde os seres humanos vivem, de acordo com a cosmologia e ensinamentos budistas. Há também 8 chedis. O pátio ao redor dessa área central representa os sete oceanos, circundando essa área, há um muro que simboliza as paredes de cristal do mundo, também nos moldes das crenças budistas.


Não deixem de observar como tudo isso se interliga em um sistema de comunicação muito engenhoso para aquela época.


As prangs menores, mais externas, são interligadas por galerias que abrigam muitas imagens de Buda. Infelizmente, quase todas foram decapitadas durante a invasão e destruição de Ayutthaya.



A entrada é paga e custa 50 baht por pessoa (cerca de 5 reais)


E dessa forma, com um lindo pôr do sol e um nascer da lua magnífico, nós encerramos nossos passeios em Ayutthaya.


** DICAS **

- A Experiência Tailândia leva água para a gente que fica geladíssima em um cooler com gelo no carro. Achei isso formidável. Mas se a sua agência de turismo não providenciar isso ou se você for por conta própria, não deixe de comprar água para enfrentar o calor que faz lá.

- Roupas: já mencionei ao longo do texto, mas não custa frisar aqui que os ombros devem estar cobertos e joelhos também. Homens podem ir de bermudas.

- Deslocamento entre templos, no nosso caso, foi todo organizado e feito com a agência. Se você estiver por conta própria, não deixe de contratar um tuk tuk ou bike. Lembrando que a mão é inglesa na Tailândia, ou seja, dirige-se do lado direito.





- Sapatos: os mais confortáveis possíveis! Lembrando que para entrar na grande maioria dos pátios de oração dos templos, tem que tirar os sapatos.

- Lanches: a depender do horário que forem para lá, levem lanchinhos também, ainda mais se forem durante a semana com risco de pegar engarrafamento na volta. A gente acabou saindo bem tarde de Ayutthaya, quando já estava escuro da noite e, por isso, o Thea parou em um posto de combústivel em que havia várias lojinhas e, é claro, um Seven Eleven (até porque tem Seven Eleven em todas as esquinas da Tailândia) e fizemos um lanche lá e aproveitamos para ir ao banheiro.

- Banheiros: eu tive certa dificuldade em vários dos banheiros públicos da Tailândia. É sério! Os banheiros raramente tem papel higiênico, a maioria usa ducha ou balde (balde de água mesmo, para se limpar, e não me perguntem como fazem para secar... deve ser o calor bizarro de lá que resolve essa parte kkkkk). Então a minha dica é: tenham sempre lenços descartáveis de banheiro consigo e levem álcool em gel também! E vale dizer que nos principais templos havia sempre um banheiro (normalmente, era bem limpinho... só não tinha papel higiênico kkkk)




** CURIOSIDADES **

O guia Thea explicou para a gente algumas curiosidades sobre as estátuas de Buda, como alguns significados das suas posições. Por exemplo, o Buda reclinado simboliza o Buda prestes a desencarnar e alcançar o Nirvana. O Buda com uma mão sobre a perna e a outra apontando a terra simboliza um momento em que Buda chama um outro deus (que eu decorei que era Shiva, mas posso estar enganada também) para lutar por ele, pois Buda não guerreia.


Ele explicou para a gente um pouco de como é a rotina de um monge, já que ele mesmo foi monge por um tempo para entender melhor como funcionava. Você sabia que os monges não falam com as mulheres, salvo se for para receber doações ou durante o Monk Talk (momento da conversa dele, de bençãos e orações)? Essa eu fiquei sem entender a razão... cheguei a ler em um templo em Chiang Mai que mulheres estariam proibidas de entrar em determinados templos porque menstruam, ou seja, sangram, e por isso eram consideradas impuras. Que injustiça kkkk... fiquei realmente triste com isso.


Outra coisa que o Thea explicou para a gente foi sobre as estátuas e como identificar quem realmente é Buda e quem é um discípulo de Buda. Vocês sabiam que só é Buda se tiver o "chapéu" na cabeça, tipo assim (veja na foto abaixo):


Os que não tiverem esse "chapéu" não são Budas, mas sim discípulos.

Também reparamos nas "cordas" no teto de alguns templos e o Thea explicou para a gente que são para conectar as energias, pensamentos e orações. São os próprios monges que vão colocando essas cordas para se conectarem na meditação.


Também explicou para a gente que, como o Budismo teve sua origem na Índia, muitos deuses hindus também são adorados pelos budistas, algo que eu não tinha noção e que, na história de Buda, muitas vezes esses deuses hindus aparecem para ajudar Buda a completar as suas tarefas.


Até sobre o comportamento dos orientais o Thea comentou conosco. Por exemplo, eu confesso que às vezes tenho dificuldade de identificar quem é chinês, quem é sul coreano ou japonês. E ele nos deu uma dica até engraçada. Contou para a gente que os japones mais jovens, de modo geral, sempre fazem poses mais fofas, com os dedinhos fazendo o sinal de 'V' ou Vitória ou Coração, sabem? Que os sul coreanos sempre se vestem da forma mais cool, mais descolada e moderna e que os chineses normalmente são os mais bem produzidos, com mais elegância, muita renda, por exemplo... interessante, não é? A partir daí a gente começou a reparar nisso e a identificar esses sinais também!


** SOBRE A EXPERIÊNCIA TAILÂNDIA **

Sobre a agência Experiência Tailândia, vale dizer que nós fomos de van, que era um carro novo e espaçoso com água a bordo (foi ótimo a gente não ter que se preocupar em carregar nem comprar água) e ar condicionado sempre ligado, esperando a gente voltar para o carro depois de suar em bicas nas visitas aos templos. Como já disse, o Thea foi nosso guia. Já contei para vocês que ele é tailandês, mas aprendeu português em Portugal e se especializou nos últimos 2 anos em atender os turistas brasileiros. Portanto, ele conhece bem as nossas manias, necessidades, curiosidades, comportamentos... além disso, devo destacar que ele é muito comunicativo, atencioso e paciente.


Gente, o pobre coitado do Thea tirou várias fotos nossas e ele mesmo dava sugestões de lugares e ângulos. Passou inúmeras dicas, informações úteis, contou-nos a história dos lugares e curiosidades que eu nem tinha achado na Internet nas minhas pesquisas, como, por exemplo, que a Tailândia hoje está no ano 2560 na sua contagem enquanto nós estamos em 2017.


E como ele foi monge por algum tempo curto, e ele acredita que todo tailandês que se diga budista dever ser monge ao menos uma vez na vida para ter a experiência e entender melhor o que realmente significa o budismo, nós pudemos tirar várias dúvidas com ele sobre o Budismo. Adoramos! Portanto, recomendamos a agência por ela ter esse diferencial e também por eles prepararem roteiros pensando nos brasileiros.




Obrigada por nos levar num passeio tão incrível! Foi lindo ficar em Ayutthaya até o pôr do sol e nascer da lua cheia que foi deslumbrante também!

CONTATOS: info.exptailandia@gmail.com  ou whatsapp : +66988253344 ou +66830142144

VALORES: a partir de 55 dólares por pessoa e inclui transporte, água gelada e entrada de todos os templos visitados.

NOME DO PASSEIO: Tour em Ayutthaya com Pôr do Sol

DURAÇÃO: saímos de Bangkok por volta das 13h e chegamos de volta por volta das 20h. Cerca de 7 horas.  

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