sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Trilhas pelo Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, com a EcoRotas

Em minha segunda vez na Chapada dos Veadeiros eu foquei os passeios no que a grande maioria das pessoas costuma fazer em uma primeira visita à região: Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros! 


Não deu para encaixar as trilhas pelo Parque da primeira vez que fui, então, como eu já sabia que voltaria, achei melhor deixar para fazer o Parque de forma mais completa no meu retorno para a Chapada. E foi ótimo assim, pois eu tive a oportunidade ímpar de, em um mesmo ano, em 2016, visitar essa maravilha da natureza em duas ocasiões, com dois climas bem diferentes, sendo a primeira no final de maio e a segunda no final de outubro. 


Esse é, sem dúvidas, o grande cartão postal e atrativo para quem viaja para a Chapada (se bem que, com a crescente divulgação de fotos no instagram, muita gente só quer saber de visitar a Chapada para ver a Cachoeira Santa Bárbara... ok ok, ela é linda e única por lá... realmente é um espetáculo! Mas a Chapada dos Veadeiros tem muuuuuuuuuito mais a oferecer!!). O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi criado em 1961 e protege uma área de 65.514 ha de cerrado de altitude, abrangendo diversas formações vegetais, centenas de nascentes de rios e cursos d'água cristalina, rochas com mais de um bilhão de anos, além de paisagens de rara beleza que se modificam no decorrer das estações do ano.

Observação: as nascentes mais altas da Bacia do Rio Tocantins estão no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. 

Até pouco tempo antes da criação do Parque Nacional, na década de 60, a região já era muito famosa, mas não pelo ecoturismo, mas sim pelos garimpos. Parte da sua história, o Parque também preserva esses antigos garimpos que a gente pode ver perto fazendo as trilhas, principalmente a trilha dos Saltos. Os enormes buracos impressionam e, mais ainda, caminhar em tapetes de pedras de cristais também! O local foi também declarado Patrimônio Mundial Natural em 2001 pela UNESCO!



Diga-se de passagem que, por se tratar de Parque Nacional, é crime retirar qualquer coisa de lá sem autorização do governo/órgãos ambientais. Portanto, nada de catar cristais e levar consigo, viu? Além de feio e sem consciência ambiental, é crime mesmo!

COMO CHEGAR

Eu e Sy (blog e instagram Viajando com Sy) voamos para Brasília e alugamos carro no aeroporto para irmos para a Chapada dos Veadeiros, no nordeste do estado de Goías, que está a mais ou  menos 270km da capital do país, o que dá cerca de 3h de estrada, se acertar o caminho rsrs... Dica: use o Google Maps ou Waze que não terá problema!

Recomendo fortemente ter um carro alugado para ficar mais independente e à vontade para fazer seus passeios e trilhas e, principalmente, otimizar seu tempo. 

HOSPEDAGEM

São 3 as cidades bases da região da Chapada dos Veadeiros e cada qual com sua facilidade/atrativo:

- Alto Paraíso: essa é realmente uma cidade com infraestrutura bem razoável para receber os turistas. Oferece uma boa gama de hotéis, pousadas, hostels, restaurantes, bares, mercados, supermercados, lojas, posto de gasolina... ou seja, bem completinha para poder ficar nela e foi onde eu me hospedei em minha primeira ida para a Chapada no Hostel Catavento, que nos atendeu em sua proposta de ser uma hospedagem simples, prática, com opções de quartos de casal com banheiro privativo, além de piscina, café da manhã e toda a vibe de um hostel. Recomendamos se você estiver nesse clima e for desprovidos de luxos. 

- Vila de São Jorge: esta vila é um distrito de Alto Paraíso. São Jorge é puro charme, pé no chão, galeria mais descolada e alternativa, repleta de bares, lanchonetes, restaurantes, desde os mais caseiros e simples até alguns mais sofisticados e maravilhosos como o Santo Cerrado Risoteria & Café. Fiquei com vontade de me hospedar lá, mas numa próxima ocasião. Fato é que, se você quiser conhecer o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, terá que obrigatoriamente passar por São Jorge, pois é lá que fica uma das principais portas de entrada do parque, com controle do IcmBio por meio de fiscais e formulários que todos preenchem ao visitar o parque. 


A estrada entre Alto Paraíso e São Jorge é, em si, um passeio, passando por lugares incríveis, como o Morro da Baleia e o Jardim de Maytreia. A estrada é boa, asfaltada até São Jorge e bem sinalizada. Só poderiam colocar uma placa maior para entrar em São Jorge, mas, se você perder a entrada, acabará na parte da estrada ruim, de terra, e perceberá que é hora de voltar. A distância entre os dois não passa de 40 minutos, num ritmo normal. Às vezes menos. E é nessa estrada que fica a entrada para a Fazenda São Bento, onde é possível conhecer as Cachoeiras das Almécegas I e II, além da própria São Bento.


- Cavalcante: o mais afastado, fica a mais ou menos 1:30 de Alto Paraíso. A estrada é razoável, mas não é tão boa quanto a que liga Alto Paraíso a São Jorge. O bom é que, pela estrada, você pode ir parando em várias cachoeiras e fazer desse percurso um passeio em si também, como no caso da Cachoeira dos Cristais e a do Poço Encantado. E por que ficar em Cavalcante? Por lá também é possível entrar no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, mas o que mais as pessoas realmente procuram quando decidem dormir em Cavalcante é a Cachoeira Santa Bárbara, que ficou pop após tanta divulgação nas redes sociais! Também não é para menos, já que ela não fica devendo em nada para outras cachoeiras desejadas do mundo afora, como a famosa Cachoeira Kawasan das Filipinas. 

Mas dessa segunda vez, eu não fiquei em nenhuma cidade nem na vila, mas sim na estrada que liga Alto Paraíso a São Jorge, no Yoga Resort Paraíso dos Pândavas. LEIA AQUI a matéria completa sobre a nossa hospedagem. 

MELHOR ÉPOCA PARA IR

Vários blogs e sites dirão que a Chapada pode ser visitada o ano inteiro. Sim, eles têm alguma razão, mas não total razão. Vamos lá... você é do tipo que prefere escolher um período dos seus passeios de ecoturismo em que as chances de chuvas sejam mínimas? Se sim, para você a melhor época para visitar a Chapada será na seca e essa região tem uma temporada de seca bem definida, quando não há risco de chuva, nem de relâmpagos ou trombas d'água - DE JUNHO A AGOSTO! 

Da primeira vez que fui, final de maio, embora estivesse bem frio pela manhã cedo e à noite, frio mesmo de usar casaco mais quentinho, ao longo do dia o sol esquentava e o próprio esforço das trilhas fazia a gente desejar logo dar um mergulho nas cachoeiras!! Uma delícia! Adorei essa época.




Quando voltei, final de outubro, fui na esperança de não pegar a temporada de chuvas, que começa normalmente em novembro e vai com empenho até meados de março ou início de abril. Mas não dei tanta sorte, pois peguei só um dia de sol mesmo, um dia de mormaço com sol e outro só de chuvinhas... ou seja, não foi uma época muito boa. 

Mas todas as épocas têm o seu valor, independentemente das chuvas:

- Na temporada de chuvas, você poderá ver as cachoeiras caudalosas, as flores do cerrado, um pouco mais de verde na vegetação... contudo, se chover muito, isso também traz o risco de alterar a cor da água das cachoeiras e há relatos de quem foi para lá em janeiro e viu a Cachoeira Santa Bárbara em tons mais escuros a castanhos, por causa dos sedimentos que foram trazidos pelo rio em razão das chuvas. 



- Na temporada da seca, você não verá as cachoeiras tão caudalosas e ainda terá o risco de pegar algumas sem água, como foi o que aconteceu comigo quando visitei a trilha das Loquinhas, em que a maioria das quedas d'água estavam sem água e os poços não estavam tão bonitos assim... e também aconteceu comigo quando fiz a trilha do Mirante da Janela em que a Cachoeira do Abismo estava absolutamente seca!! 

Então, como vocês podem perceber, é uma decisão a tomar, assumindo todos os riscos. Mas como o acesso à Chapada não é dos mais complicados (voo para Brasilia + estrada/carro), vale a pena arriscar uma época e, se não for tão bom assim, voltar em outra. 

QUANTOS DIAS FICAR

Eu fui duas vezes em 2016 e não conheci tudo! A região é enorme e te surpreende com tantas opções de passeios e trilhas. Por exemplo, não consegui fazer o sobrevoo de balão que tanto queria fazer... uma pena... A Cachoeira de Macaquinhos, a dos Cristais, dentre tantas outras que não deu tempo para fazer... portanto, antes de pensar na quantidade de dias que deseja ficar, acho legal você olhar as possibilidades de passeios e ver o que prioridade para você para, a partir daí, buscar encaixar em feriados ou férias no período ideal.


Em geral, costumo indicar ao menos 5 dias inteiros para conhecer a Chapada dos Veadeiros. Da primeira vez que fui, no feriado de Corpus Christi, cheguei em uma quarta à noite e tive quinta, sexta, sábado inteiros para passeios e domingo pela metade. Logo, foram 3 dias e meio de passeios.


Da segunda vez, cheguei em uma quinta na hora do almoço e tivemos sexta e sábado inteiros e domingo pela metade. Portanto, quase 4 dias (2 dias inteiros e 2 pela metade).

Se conseguirem 5 dias cheios de passeios, será perfeito e você não se arrependerá! Vá por mim!

ONDE COMER

O restaurante preferido para mim é o Santo Cerrado Risoteria em disparado! Amo muito aquele lugar. LEIA AQUI a matéria completa sobre o melhor risoto que já comi!!

Mas também estivemos em outros lugares, especialmente em Alto Paraíso, quando fomos da primeira vez, porque da segunda vez que fomos, no Yoga Resort Paraíso dos Pândavas, o regime era pensão completa e almoçamos e jantamos algumas vezes por lá. Da primeira vez, que eu fui com o Julio, saímos para jantar todas as noites e estivemos nos seguintes restaurantes:

- Rancho do Waldomiro, na estrada entre Alto Paraíso e São Jorge. Super simples o lugar, o atendimento, a comida, que é bem caseira, no melhor estilo PF. Faz muito sucesso e é muito querido por todos. O preço é um dos mais baratos para o que serve. Lembro que pagamos ano passado cerca de R$25.00 por um PF que dividi com o Julio. E ainda tem uma cachacinha da casa de cortesia para experimentar.

- Restaurante Jambalaya, em Alto Paraíso. Esse é mais sofisticado em ambiente rústico-chique. Se quiser um prato mais elaborado, lá você encontrará.

- Zu`s Bistrô, em Alto Paraíso. Pensem em uma Senhora muito simpática, falante e que faz questão de conversar com seus clientes? Essa é a Dona Zu, que abriu as portas da sua casa, literalmente, e montou seu negócio ao lado do fogão da casa. O restaurante fica na varanda da sua casa e, por isso mesmo, é pequeno. Seu carro-chefe são os risotos. Baratíssimos e muito fartos!! Eu comi um de gorgonzola com damasco e estava muito saboroso.

PARQUE NACIONAL CHAPADA DOS VEADEIROS

Bem, então já sabemos como chegar, onde ficar, onde comer, quando ir, mas vamos logo tratar do que interessa, certo? Como já deu para perceber, o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é bastante importante e eu não poderia deixar de ver de perto toda a sua grandiosidade. 



Antes de qualquer coisa, agradeço bastante o carinho da empresa de turismo Ecorotas (http://www.ecorotas.com.br/) que nos recebeu muito bem e nos acompanhou durante essa aventura com muita responsabilidade e seriedade. Nós ganhamos esses passeios guiados e, mesmo sabendo que não é obrigatório ter guia para fazer essas trilhas dentro Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, eu admito que achei muito importante mesmo ter o guia com a gente por diversas razões que vou contar para vocês agora como foi a nossa experiência completa!

As duas principais trilhas dentro do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros são as trilhas dos Saltos e a dos Canyons.




Só que há uma terceira trilha, a das 7 Quedas, que a maioria das pessoas acaba não fazendo por falta de tempo, de interesse, de divulgação da própria trilha e também por ter maior dificuldade e quase sempre implicar em acampar no parque, com a devida autorização do órgáo ambiental de controle.

A trilha dos Canyons é a que mais tem oportunidades para se banhar em poços e cachoeiras e, por isso mesmo, acompanhando a previsão do tempo que não era das melhores, a gente decidiu fazer esta primeiro para garantir o sol e o banho nas cachus! Acertamos, pois, no dia seguinte, que deixamos para fazer a trilha dos Saltos, começamos com sol que passou para mormaço e depois chuva com vento frio... uma verdadeira aventura!





Nosso guia da EcoRotas nos dois dias de passeio foi o Pequeno que, apesar da baixa estatura, é um gigante em atenção e cuidado que teve conosco. 

TRILHA DOS CÂNIONS E CACHOEIRA CARIOQUINHAS


Seguimos para a Vila de São Jorge e, por dentro da vila mesmo, fomos seguindo as placas para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. A estrutura do parque conta com uma sede, onde se localiza um Centro de Visitantes com banheiros, bebedouros, mapas, informações sobre a fauna e a flora da região.



A entrada é gratuita e não é obrigatório ter guia! Tem estacionamento na porta bem grande, que também é gratuito. Eu sempre recomendo que se chegue cedo, ainda mais se você estiver de carro, primeiro, para ter lugar para estacionar, segundo, porque é sempre melhor fazer trilha de manhã cedo para não passar mal com o calor e o sol, nem desidratar. Terceiro, porque sempre é muito melhor fazer a trilha com menos pessoas do que com tudo cheio de gente. Eu não gosto de ficar tirando fotos dos lugares abarrotados de pessoas. Então, por essas e outras, o ideal é madrugar um cadinho, cair na estrada e passear de dia na Chapada!


Há um controle feito por fiscal na porta da entrada e um formulário que todos devem preencher. O horário de funcionamento é de terça a domingo, das 8h às 17h. Se o visitante passar das 17h, por exemplo, o fiscal pode aplicar uma multa porque o Parque deve fechar às 17h, salvo se tiver autorização para acampar lá dentro (existe essa possibilidade, mas não tenho muitas informações sobre isso e sei que, para isso, precisa de autorização e provavelmente guia).



A trilha dos Cânions tem cerca de 12km e a dos Saltos tem uns 10km

A trilha, em si, não é muito pesada em termos de dificuldades. Por exemplo, não há necessidade de escalar. Mas, como qualquer trilha, requer cuidados para não se machucar.





- O QUE LEVAR:

Sugiro levar muita água. Nós calculamos muito errado e ficamos mortas de sede no final da trilha. Se conseguir levar 1,5L por pessoa, tanto melhor. Se conseguir mais que isso, acho válido também. 

Leve snacks, como barrinhas de cereais, biscoitos, frutas... coisas leves que sirvam de lanches para dar aquela "sustância" na trilha sem pesar demais o estômago. Sanduíches também são legais para carregar. 



- ROUPAS:

Sugiro roupas apropriadas para trilhas, leves, confortáveis, que te permitam esticar a perna quando necessário, que você não passe nem muito calor, além do natural que vai sentir pelo esforço e sol escaldante, nem frio, se for em época de frio ou se chover. 

Se estiver em época de chuvas, como nós fomos, vale a pena levar uma mochila waterproof ou uma capa à prova d'água para sua mochila a fim de proteger seus equipamentos eletrônicos. No meu caso, a minha mochila é resistente à água, tem uma capa e foi perfeita para o dia de chuva que pegamos. Além disso, como meu celular não é à prova d'água, eu tenho uma capa que o protege que é waterproof. 



Dica: o sol na Chapada pode até enganar, mas ele queima bem até demais! Portanto, especialmente para as meninas que usam às vezes tops e bodies cheios de recortes e detalhes, se não quiserem ficar com marcas estranhas no corpo, então é melhor usar algo mais protegido, principalmente camisas com proteção solar! 

Por falar em filtro solar, não deixem de levar um bom protetor solar, chapéu e óculos de sol!

- IMPORTANTE: não deixem para testar um calçado pela primeira vez numa viagem dessas!! Levem aquele com o qual já está acostumado e que já sabe que não vai te machucar. Na primeira vez que fui, usei um tênis de trilha, de cano mais alto, que tinha usado e abusado dele na viagem para o Atacama e achei que estava Ok. Mas não estava, porque ele é um tênis apropriado para trilhas no frio e não no calor. Além disso, errei feio na meia e fiz alguns calos e bolhas no tornozelo que ficou em atrito com o cano da bota. 



Eu também carrego sempre minha papete, ainda mais quando tem momentos para banho. Eu sou campeã em dar topadas com meus pés em pedras e me lascar, literalmente. Então prefiro carregar a papete - sapatilha de neoprene, e mergulhar sem medo, pisar nas pedras mais protegida. Aí vai da frescura de cada um e de quanto peso cada um está disposto a carregar.

Começamos a trilha na sede do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, onde encontramos o guia Pequeno que nos acompanhou, contando um pouco sobre a história do Parque, curiosidades, mostrando algumas árvores, plantas, frutas... um verdadeiro ecoturismo. Era cada uma ele mostrava para a gente... a folha chamada "orelha de carneiro" que era usada pelos garimpeiros como papel higiênico rsrs... a árvore chamada de carne de vaca... o pequi, que é a fruta típica do Cerrado... foi ótimo!!!








O dia estava lindo, sol de rachar logo cedo e justamente nesta trilha a gente levou menos água do que precisava kkk... mas tudo bem! Sobrevivemos e estou aqui para passar essa dica.

Nós fomos direto para o Cânion I porque o Cânion II estava fechado à visitação por motivos de segurança.






A paisagem é realmente deslumbrante!! Você quase que se sente em um outro planeta, sabe? Estar ali em cima dos cânions é algo incrível. 







É claro que tiramos muitas fotos, de vários ângulos, até cansar o pobre guia Pequeno! kkkk... que nada! Ele se divertia com as nossas poses!

Quem tem medo de altura, hein?  Quem encararia chegar bem pertinho assim da beirada do cânion e ainda olhar lá para baixo??? kkkk... isso sim é Terapia de Choque para quem tem acrofobia, não é? 



Vale dizer que o rio que corta as principais trilhas do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é o Rio Preto. O nome não é a toa e por isso mesmo que não se deve esperar das cachoeiras do parque aquele azul neon da Cachoeira Santa Bárbara, por exemplo. 





São outras belezas, com certeza, além de poder ver de perto a dimensão desse parque que é encantador! 



À esta altura, eu já estava morrendo de calor e amei poder tomar um banho bem gostoso no poço que é formado junto ao cânion I da trilha. Foi revigorante esse banho!!! Uma delícia!



A segunda etapa dessa trilha foi a caminhada, em estilo trekking, pelas pedras, até chegarmos na Cachoeira Carioquinhas. Reza a "lenda" que ela recebeu esse nome porque duas cariocas perderam-se no parque há muitos anos e foram encontradas perto dessa Cachoeira que foi batizada em homenagem às meninas perdidas rsrs... vai saber, não é?



Aliás, esta foi a parte que achei mais difícil dessa trilha: o caminho para a descida/subida até chegar na Cachoeira Carioquinhas. Esse aí cansou. Fomos devagar, sem pressa, firmando bem a mão no corrimão que tinha lá improvisado de madeira e sugiro que todos tenham cuidado. 



Ela é deslumbrante! Linda linda!! E ali a gente ficou um bom tempo curtindo a cachoeira, tomando banho no poço, subindo pedras atrás de piscinas naturais e fomos até pertinho das quedas d'água principais para sentir a sua força.






Momento de puro relax e contemplação da natureza, em que pudemos "lavar a alma", recarregar as baterias e tirar altas fotos, é claro!







Sabem o que mais me impressionou: é que água nem era das mais geladas, viu?? Juro para vocês!!! Eu não sou fã de água muito gelada e moro no Rio de Janeiro, como vocês sabem. Portanto, sei bem o que é água gelada kkkk... 



Eu não queria sair da água de tão gostosa! Diga-se de passagem, dentre as cachoeiras que eu visitei na Chapada dos Veadeiros, as campeãs no quesito "água congelante de doer o osso" foram as Cachoeiras do Segredo e a Almécegas I.



Após a Cachoeira das Carioquinhas, nós começamos a voltar para a sede do Parque Nacional. Essa caminhada foi cruel. Primeiro, porque o sol já estava de rachar. Segundo, porque ficamos sem água na metade do caminho de volta. 



Ou seja, foram cerca de 5/4km sem água... uma loucura! Acho até que vi miragem! kkkk... eu estava exausta e o guia Pequeno, que havia levado bastante água até, para ele e para a gente, mas não o suficiente considerando que a nossa iria acabar tão rápido, acabou pegando minha mochila nos últimos 2km da trilha e carregou a minha e a dele juntas para que eu não desmaiasse ali de tanto calor e cansaço. 

Olha... nessas horas você vê a importância de ter um guia com você! Como disse lá no início, não é obrigatório ter um guia, mas eu recomendo muito, especialmente se você não for muito trilheiro ou estiver sozinho ou só meninas, como no meu caso e no da Sy, meninas mais frescas kkk (antes que as mulheres super poderosas e trilheiras venham me criticar!)

Eu achei muito importante! A presença de um guia tranquiliza a gente para saber lidar com  essas adversidades e imprevistos. 

Vimos até um tatu se escondendo e cavando o seu buraco rsrs... fofinho, não acham?



Assim terminamos esse dia de passeio e, na saída do Parque Nacional, nós tomamos um suco maravilhoso, mega gelado, feito ali na hora. Eu também tomei açaí que estava dos deuses! Custou algo em torno de R$10,00 o copo maior.


Nós devemos ter começado a trilha por volta das 8:45 e saímos do Parque por volta das 16h.

E já que estávamos em São Jorge, aproveitamos que ainda tinha sol e fomos conhecer uma das piscinas termais da região. Escolhemos visitar a Águas Termais do Morro Vermelho. 




Para chegar lá, nós voltamos para a estrada principal, aquela mesma que leva para Alto Paraíso, mas em sentido contrário, na direção da estrada de terra depois que passa de São Jorge. E bote terra vermelha nisso, viu? Um poeirão danado lá!

Chegamos e estava sem luz kkk... Bem, isso não prejudicou o passeio em si. Apenas a Sy, que já estava com fominha, tinha pensado em comer algo lá e acabou desistindo. A estrutura do Morro Vermelho é boa, contando com restaurante/lanchonete e estacionamento. Mas só pode comer no restaurante. Não pode levar comidas para a área das piscinas termais. Achei isso ótimo!




Paga-se para entrar e você pode passar o dia lá, se quiser. Assim... no fundo no fundo, é meio sem gracinha, sabe? Valeu por termos conhecido, relaxado lá na piscina mais quente, mas fiquei um pouco decepcionada e esperava que fosse mais quente do que é. 

São 4 piscinas interligadas que vão da mais quente para a menos. Optamos pela mais quente que estava longe de estar quente. No máximo, morninha. Achei o piso áspero também e fiquei preocupada de estragar meu biquíni sentando lá. 

Em resumo: é um passeio legalzinho para conhecer mas totalmente dispensável se seu tempo estiver curto.

TRILHA DOS SALTOS

No dia seguinte, estávamos lá nós no mesmo bat local - Sede do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, na Vila de São Jorge - e mesmo bat horário, às 8:30, para fazer a trilha dos Saltos com o guia Pequeno da EcoRotas, agência de turismo local que nos acompanhou nesta aventura. E dessa vez foi uma super aventura mesmo.



O dia começou com um solzinho gostoso e um friozinho de leve. Na verdade, dava para ir de short e camisa com manga curta, mas eu tinha queimado muito no dia anterior e preferi ir de calça, para não arranhar as pernas na trilha e não precisar tomar um banho de repelente, já que atraio muitos mosquitos, e de manga comprida para proteger do sol.



A parte inicial da trilha dos Saltos e a dos Cânions é compartilhada, ou seja, é a mesma até determinado ponto em que elas se separam.


Nesta caminhada dos Saltos, a trilha é mais curta, com cerca de 10km, mais plana, com bem menos dificuldade - para eu dizer que achei algo fácil, vá por mim que é facílima! kkk - e mais aberta com mirantes contemplativos.

Aliás, esta trilha é bem contemplativa mesmo e são apenas 2 oportunidades para banho, o que não muda em relação à trilha dos Cânions já que também são 2 os momentos para banho nela, mas é que na dos Cânions as pausas para os banhos são maiores, se você for com um guia, é claro. Se você for sozinho, aí você decidirá se vai querer só passar em um lugar ou só em outro... mas lembrem-se de que o Parque fecha às 17h e programe-se para fazer a trilha com as pausas que desejar dentro desse período.



Bem, quando eu digo que esta trilha é mais fácil, também não quer dizer que é para você não ter cuidado. Sempre é bom prestar atenção onde vai pisar, respeitar os limites da trilha e, principalmente, nos mirantes, para não ir além das marcações de segurança. Eu vi rapazes no Mirante do Salto de 120 metros que passaram da proteção, foram bem na beirada do penhasco para tirar fotos, sem noção do perigo!


Enfim, voltando à trilha, no início, com solzinho, a gente até achou que faria um dia bonito como no dia anterior. Lego engano... uma peninha... com o avançar da caminhada, as nuvens foram chegando, chegando e chegando até que começou a chover e não parou até a gente ir embora.

Mas, enquanto ainda fazia um tempo razoável, a gente pôde observar o gigantismo do Parque Nacional, pois essa caminhada da Trilha dos Saltos passa por pontos altos do parque, com vistas incríveis!


Também pudemos ver de perto alguns dos buracos frutos da atividade garimpeira, desativados desde a década de 60.


Nos arredores dos buracos chama atenção ver as pedrinhas de cristais no chão. Parece um tapete de cristais! Coisa linda de ver. Peguei um punhado na mão para mostrar para vocês, só que é claro que larguei lá depois. Até porque, vale sempre registrar que é crime retirar qualquer coisa do Parque sem autorização!


A gente foi direto para o mirante da queda de 120 metros e, pelo caminho, pude avistar o Mirante da Janela, trilha que fiz em maio de 2016 com o Julio. Muito legal porque, em maio, eu vi do Mirante da Janela o Salto de 120 metros e uma parte do Parque Nacional da Chapada. E dessa vez, com a Sy, dentro do Parque Nacional, eu pude ver o mirante da Janela!

VEJAM SÓ A VISTA QUE SE TEM DO SALTO DE 120 METROS A PARTIR DA TRILHA DO MIRANTE DA JANELA:





Comparem só os ângulos, que maneiro! E AGORA A VISTA QUE SE TEM DO MIRANTE DA JANELA A PARTIR DA TRILHA DO SALTO DE 120M.




Então chegamos ao mirante do Salto de 120 metros e pudemos apreciar a sua beleza, força e intensidade!!! É lindo de ver, de ouvir o estrondo da queda, de sentir toda essa energia vibrante do lugar!



Não é recomendável descer até o poço (nem há trilha própria/marcada para isso), como também não é recomendável o banho no Salto de 120 metros por questões de segurança. A gente bem que fica na vontade até porque, a esta altura do passeio, eu já estava com muito calor!




Já com alguns pinguinhos caindo, a gente prosseguiu até o Salto de 80 metros. Neste sim é permitido banhar-se em seu enorme poço!

Mas há uma proteção, uma corda, que impede chegar muito perto da queda por questões de segurança. Não sei dizer se é sempre assim ou se estava assim em razão de termos ido no início da temporada das chuvas e sempre tem que ficar esperto para o risco de tromba d`água.

Ali na área do Salto de 80 metros há muitas pedras e espaços ideais para descansar, fazer um lanche e aproveitar a "prainha" de areia que é formada na margem do poço.


Basicamente foi o tempo de sentarmos um pouco, tirarmos fotos - MUITAS - assistirmos a uma revoada de pássaros, que já deviam estar pressentindo a vinda da chuva, e pronto: caiu o temporal!


Olha, foi tenso, viu? Principalmente porque justamente o trecho mais difícil dessa trilha que, no geral é tranquila, fica ali na subida e descida para o Salto de 80m! E tivemos que subir de voltar com muita chuva.

Chegamos praticamente encharcados na estradinha, no alto da trilha e ali ficamos na dúvida se voltaríamos para a sede para nos abrigarmos da chuva - e a caminhada seria longa também - ou se nos valeríamos do ditado de que "quem está na chuva é para se molhar" e seguiríamos para as Corredeiras!

A Sy votou para a gente ir embora. Estávamos com medo de relâmpagos. Mas o guia Pequeno da Ecorotas tranquilizou a gente o tempo todo e decidimos continuar a trilha até as Corredeiras.



O bom é que a chuva foi diminuindo e ficando bem fraquinha, com momentos de estiagem. O ruim é que estávamos ensopadas e com frio, pois o ventinho mudou e acabamos passando frio a partir daí.



Chegando lá nas Corredeiras, eu fiquei curiosa em ver tanta gente tomando banho e descobri que a água era supostamente quente. Bem, difícil de acrediar, ainda mais ali naquela região da Chapada dos Veadeiros em que todas as cachus são tão geladas. Mas ok, fui lá conferir de perto e realmente constatei algo inacreditável: a água estava quentinha mesmo!!




Estava mais gostoso ficar na água do que fora dela, com aquele ventinho frio e a garoa que voltava de vez em quando.



Logo, por lá eu fiquei um bocado de tempo, divertindo-me com as duchas naturais das corredeiras, fazendo uma hidromassagem e esquentando um pouco o corpo gelado da chuva. Uma delícia!!!



Acabei fazendo um book por lá com tanta foto kkkk... A Sy ficou do lado de fora, pois não acreditou que a água pudesse realmente estar quentinha e estava com tanto frio que desanimou.


Após as Corredeiras, voltamos para a Sede do Parque Nacional, em uma caminhada razoável de alguns poucos quilômetros e encerramos o passeio provavelmente mais cedo do que seria num dia de sol em que aproveitaríamos muito mais para nadar e curtir no poço do Salto de 80 metros e nas Corredeiras. Mas ao menos não ficamos dentro do hotel lamentando a chuva e fomos curtir o dia da melhor forma possível.

Começamos a trilha por volta das 8:30 e terminamos por volta das 14:30h.

Como ainda era cedo e a gente queria aproveitar um pouco mais, fomos à Alto Paraíso onde ainda não tínhamos ido ainda nesta viagem para tentar fazer a trilha das Loquinhas, que Sy ainda não conhecia. Mas estava fechada por causa do mau tempo, acreditam? Essa é uma das desvantagens de se ir na época das chuvas. Então, na falta do que fazer, paramos para um lanche por lá.


Depois, na tentativa de ao menos ver mais uma cachoeira, considerando que a Fazenda São Bento fica bem perto do Paraíso dos Pândavas, onde estávamos hospedadas, fomos lá ver se dava para visitar alguma cachoeira sem pagar a entrada porque já estava quase na hora de fechar.

Conseguimos ir até a Cachoeira São Bento, que é a de acesso mais fácil e rápido a partir da portaria da fazenda. A mais bonita de todas é a Almécegas I, que fica dentro da Fazenda São Bento e a trilha é de uns 2km apenas, porém, bem acidentada na descida para chegar na cachoeira. Logo, se você está com pouco tempo, sem disposição ou já cansado de ver cachoeiras, vá somente até a São Bento que é bonitinha e tem um grande poço na frente para banhar-se. A entrada somente para a São Bento custa R$10,00. Se fizer as Almécegas I e II (ou somente uma delas), aí já custa R$30,00.



Assim nos despedimos do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros nesta segunda visita à região! Adoramos o convite da EcoRotas e do Paraíso dos Pândavas. Foi uma viagem linda, ainda que repleta de aventuras, mas que deixou saudades!!

Esperem ainda que tem mais um post com dicas dos passeios que fizemos na primeira visita à Chapada dos Veadeiros!

** INFORMAÇÕES TÉCNICAS **

- Endereço do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros: Rod GO 239, Km 36, Vila de São Jorge - Alto Paraíso, Goiás

- Telefones: 62 3455-1114 / 62 3455-1116 

- Sites para mais Informações: http://www.icmbio.gov.br/parnachapadadosveadeiros/  - http://chapadadosveadeiros.com/parque-nacional.html

- Contato com a Ecorotas: reservas@ecorotas.com.br / http://www.ecorotas.com.br/



Nenhum comentário:

Postar um comentário