quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Vaduz, a capital de um dos menores países do mundo: Liechtenstein

Vaduz? O que é isso? Onde fica? ... Imaginem quantas vezes ouvi essa pergunta ao longo do ano quando comentava com algumas pessoas a respeito do meu roteiro da Europa? Fiquei impressionada em reparar como muita gente se esquece dessa cidade, que é apenas a capital de Liechtenstein! Vixe... aí sim complicou! 




Até que a maioria já tinha ouvido falar neste pequeno país, ainda mais quando o assunto é paraísos fiscais, mas a dificuldade mesmo é pronunciá-lo corretamente e, pior ainda, escrever seu nome certo! rsrs... se servir de consolo, um dos ímãs que vi lá na cidade e achei bem divertido justamente fazia uma brincadeira com o nome do país escrito de várias formas erradas. Portanto, isso é um problema mundial quase! kkkk...



Bem, nós, ao regressarmos da Croácia, onde passamos a primeira etapa da nossa Eurotrip 2016, mudamos radicalmente do verão para o outono (realmente coincidiu com o fim natural do verão no hemisfério norte) e saímos da paisagem do mar para a de montanhas, mais especificamente, para a região dos Alpes. Assim, fomos de Split, na Croácia, de avião para Zurique, na Suíça, com a companhia aérea Germania Flug, num voo de menos de 2 horas de duração que custou 108 euros para nós dois. 


Atenção para esses voos de companhias menores ou low costs. Ao comprar a passagem, verifique o que aquele valor inclui, o que dá direito, pois, no nosso caso, havia pelo menos uns 3 valores. Optamos pelo valor do meio, que dava direito a 1 bagagem despachada por pessoa de até  20kg e 1 de mão de até 6kg. Verificar antes de comprar o voo essas franquias é bem importante, pois se você for desatento e sair comprando a passagem mais barata, pode correr um sério risco de não ter direito a despachar bagagem e, lá na hora do check in, o valor para pagar para despachar na hora é muuuuuuuito maior do que se você já pagar por isso antecipadamente na internet.




E o que fomos fazer mesmo na Suíça? Visitar amigos que moram em Wangs! Assim, chegamos no aeroporto de Zurique, que é a cara da riqueza, como toda a Suíça, e rapidamente já compramos a passagem de trem entre Zurique e Sargans (baixamos o aplicativo no celular para comprar o bilhete de trem na hora em que chegamos em Zurique – clique aqui para saber mais como funciona) e, como o aeroporto é integrado com o metrô que leva para a Hauptbahnhof, que é a estação principal de trens de Zurique, fomos em poucos minutos para lá e pegamos o trem para Sargans, onde nosso amigo estava à nossa espera e, de carro, em cerca de 20 minutos, estávamos em Wangs-Pizzol. Ai gente... chega a ser chata essa tal de eficiência suíça, viu? rsrs... há um abismo separando a gente, não é?

VEJAM AQUI O ROTEIRO COMPLETO DA EUROTRIP 2016 - SEGUNDA PARTE - aqui é a parte dos Alpes, que engloba Suíça, Liechtenstein, Áustria e Alemanha

Então, já que estávamos em Wangs, que fica a 15 minutos de carro de Vaduz (cerca de 18km), a 30 minutos de Feldkirch, na Áustria, e a 1 hora de Sankt Gallen (nosso amigo mora mal, né? hahahah), considerando que eles trabalham durante o dia e nós, os turistas, estávamos à toa, resolvemos dar literalmente um pulinho ali do lado e ticar um país da nossa lista, visitando Vaduz.



Nossa... tão  pertinho que ficou irresistível, mais ainda depois que eles nos emprestaram um carro para otimizar nosso tempo. Aí sim ficou perfeito. 

E lá estávamos nós em Vaduz, conferindo de perto o que essa cidade de cerca de 6 mil habitantes tem a oferecer. 

Bem, para começo de conversa, ela é bem pequena mesmo, proporcional ao país de onde é capital, com seus 17 km²! Já perceberam que um dia á mais que suficiente em Vaduz, certo? Na verdade, metade de um dia já dá também. 




Obs: Embora seja a capital, Vaduz não é a maior cidade de Liechtenstein, mas sim Schaan, que é cidade mais populosa.

Localizada às margens do Rio Reno, acredita-se que a cidade foi fundada no século XIII pelos condes de Werdenberg, mas há registros do imponente Castelo, no alto da colina, desde 1322 e sabe-se que a região foi povoada desde a época pré-histórica, segundo vestígios encontrados. 

Você sabia que:


↘ Liechtenstein é um microestado e o sexto menor país do mundo, com apenas 160 Km², 25km de comprimento e 12km de largura, famoso por ser um paraíso fiscal, sendo um dos países mais ricos do mundo, com pouco mais de 35 mil habitantes no total. Encontra-se dividido em 11 regiões administrativas: Balzers, Eschen, Gamprin, Mauren, Planken, Ruggell, Schaan, Schellenberg, Triesen, Triesenberg e Vaduz. Esta última região é onde fica sua capital, Vaduz. Fez parte do Sacro Império Romano Germânico, razão das suas raízes germânicas. Sem exército, o país adotou aposição neutra durante as duas Grandes Guerras. 


ruínas romanas

ruínas romanas
↘ O idioma oficial é o alemão e a moeda é o Franco Suíço, mas também aceita euro, principalmente em lojas, restaurantes e locais turísticos. 

↘ Fica entre a Áustria e a Suíça, rodeado pelos Alpes.

↘ Como principado, Liechtenstein não tem eleições, sendo o poder transmitido sempre de pai para filho, tendo também por base o parlamentarismo. Em 1996, o trono foi assumido pelo príncipe Hans Adam II. 



↘ Desde o século XV, o Principado de Liechtenstein tem o mesmo território e é comandado pela mesma família, que tem origem austríaca, comprou a região de Vaduz e arredores e lá se estabeleceu. 

↘ Gastronomia: muito populares são as batatas assadas, linguiças, salsichas de vários tipos e queijos. Os vinhos também fazem sucesso (vimos muitas parreiras repletas de uvas), além do chocolate.




↘ Atrações Turísticas em Vaduz: a principal é o Castelo, que pode ser avistado de vários pontos da cidade por se encontrar encrustado na montanha. Porém, ele é fechado à visitação já que o Duque e sua família residem nele. O Castelo foi construído na época medieval, mesclando, com o passar do tempo, os estilos renascentistas e neoclássicos. 

O Centro Histórico de Vaduz é bem pequeno, compacto, de fácil acesso. Clique aqui e veja a listinha das atrações elencadas no TripAdvisor.



A sugestão para conhecer o centro é ir ao Centro de Informação Turística na Rua Städtle, onde estão as principais atrações, como a Prefeitura, Parlamento, Catedral, Museu do Selo, dentre outros... ou o centro de Informação Turística na rua Äulestrasse, onde em frente fica o local de embarque de um trenzinho turístico (pago) que percorre os principais pontos de interesse de Vaduz. O trem não estava funcionando mais quando chegamos... peninha. Mas, para quem vai sem carro, já ajuda um bocado na caminhada. 


Depois de percorrer o Centro Histórico, se estiver a pé, dá para subir pelo caminho que leva ao Castelo também. Não precisa de carro para ir lá em cima.

  
Obs: nós não vimos, mas soubemos que os membros da família real são super tranquilos e costumam caminhar entre os plebeus como se fossem "gente como a gente", fazendo compras, fazendo refeições.. 

↘ Museus: Museu de Artes Decorativas do Liechtenstein (Staatliche Kunstsammlung - coleção de arte do príncipe), Museu de Selos Postais (o único que eu verdadeiramente queria conhecer, para poder ver de perto os milhares de selos oficiais do país com o passar dos anos, desde 1912, mas chegamos tarde e estava fechado), National Museum (expõe uma coleção histórica de itens europeus), Museu do Esqui (considerando que a cidade ganha mais importância e destaque no inverno, quando fica toda coberta de neve e há muitas estações de esqui nos arredores, faz sentido haver um museu dedicado a este que é o esporte mais famoso dos Alpes!).





↘ A Prefeitura:


  
↘ O Parlamento:



  
↘ Catedral: Parish Church of St. Florian foi construída entre 1868 e 1873 em estilo neo-gótico, mas estava com a fachada em reforma quando fui e por isso nem deu para tirar uma foto bonita dela. Entrei rapidinho para dar uma espiadinha no interior... uma igreja simples.




↘ Há várias lojinhas no Centro Histórico de Vaduz que vendem souvenirs, roupas... vimos vários chineses (basicamente só orientais mesmo por lá) fazendo comprinhas.

↘ Quanto tempo ficar: 2 horas de passeio se for de carro ao Castelo e não quiser entrar nos museus nem fazer alguma refeição. Dá para ver tudo com muita calma! 

Todavia, se estiver a pé, se quiser entrar nos museus e e/ou fazer uma refeição por lá, destaque de 3 a 5 horas para passear na cidade. Juro a vocês que será tempo mais que de sobra para fazer tudo com folga. 




↘ Como chegar: a notícia ruim é que Vaduz não tem acesso por trem nem por avião. Sério mesmo, pois não há nem estação de trem nem aeroporto (o mais perto está em Zurique). Mas a boa notícia é que a cidade fica a minutos de vizinhas suíças e austríacas. Lembram que nós estávamos em Wangs e gastamos míseros 15 minutos de carro para ir da Suíça para Vaduz? E se não tiver essa mordomia que nós tivemos, de pegar o carro emprestado com os amigos, não se desanime porque Vaduz tem boa conexão de ônibus com estações de trem. 

   
  
Por exemplo, para quem vai pela Áustria, tem uma estação de trem em Feldkirch, que fica a 1:45 de distância de trem de Innsbruck. Daí você pega o ônibus na Linha 14 em Feldkirch e chegará na rua Städtle em Vaduz, em meia hora. Esse é daqueles ônibus que saem o tempo todo.


Agora, se você estiver pela Suíça, como a gente estava, mas sem carro, uma opção é desembarcar na estação de trem de Sargans (a mesma por onde a gente chegou para ir a Wangs), que fica na fronteira com Liechtenstein - www.sbb.ch - e depois pegar o ônibus da linha 12E. Em cerca de 20 minutos você estará em Vaduz, Post, pertinho do Centro Histórico.


Bem, atravessamos então a fronteira, rapidamente chegamos em Vaduz, após passearmos durante o dia em Wangs (subimos o Pizzol de teleférico e depois ainda fizemos trilha). Antes de qualquer coisa, vale deixar registrado aos que visitarão Vaduz que vão com o coração aberto. Eu tinha curiosidade em conhecer, queria eliminar um país da minha listinha e aproveitar a conveniência de estar hospedada na casa de amigos ali pertinho.


Julio, por sua vez, não curtiu muito. Achou que perdemos tempo, não gostou muito da cidade, não fazia questão de "ticar" um país da lista e preferia ter ficado explorando mais a Suíça, talvez algum lago dos arredores. Sim sim... acho que em parte ele tinha razão se pensarmos em termos de belezas naturais. Teria sido mais interessante. Mas não me arrependo. Ao menos fui lá, conheci e vi uma cidade muito tranquila, bem vazia até (isso me incomodou um pouco ver ruas tão vazias e, quando víamos turistas, eram todos orientais), várias vinícolas próximas ao Centro Histórico e isso me chamou muito a atenção em reparar em quão bucólica Vaduz ainda é.... ou seja, Vaduz é muuuuuuito menor do que a cidade natal do Julio, Iporã no Estado do Paraná! kkkk... praticamente, um vilarejo. 


Logo que chegamos, fomos de carro direto ao Castelo, passando por parreiras repletas de uvas graúdas e aquela paisagem incrível dos Alpes que é de arrepiar. Passamos também pela Casa Vermelha, sem nem saber que fazia parte do conjunto de atrações turísticas. Pedi para o Julio parar o carro porque achei a casa linda, desci, tirei fotos e depois fui descobrir que era uma atração rsrs...


Subindo mais um pouco, parei no caminho também para contemplar as belas casas floridas, ainda pegando o finzinho do verão e já adentrando no outono. É ou não é uma paisagem fofa?



Não sabíamos que o Castelo estaria fechado. Na verdade, eu não tinha buscado muita informação e pensei que de repente alguma parte dele poderia estar aberta ao público, como os jardins, por exemplo. 


Eu tinha ido com essa intenção, de ver a vista lá do alto da cidade a partir dos jardins do Castelo, mas não deu certo. A vista, até que dá para ver um pouco pelo caminho, mas aquela vista dos cartões postais, não rolou. Os portões estavam fechados e os acessos são completamente bloqueados ao público. Confesso que fique frustrada. 





Dica: para chegar no centro, sigam as placas Zentrum. O Google Maps funcionou muito bem porque estávamos com o chip internacional da EasySim4U, daí dispensamos GPS, pois nem foi necessário. Escrevemos Castle Vaduz e o Google Maps levou-nos direitinho.


Vida que segue... descemos, buscamos um estacionamento na frente do Centro Histórico e descobrimos que, por causa do horário do dia, não pagaríamos o estacionamento. Mas fomos lá na maquininha e tiramos o ticket. É sempre bom ter muita atenção a esses estacionamentos, pois raramente eles são públicos, mesmo os de rua / calçada, sempre têm um parquímetro para você registrar que estacionou e pegar o bilhete correspondente para pagar. 


Então fomos caminhar pelo Centro Histórico. Pegamos informações no Centro de Informações Turísticas. Passamos pelos dois (Rua Städtle e rua Äulestrasse) e neles pegamos mapas, livretos, comprei ímã... Pedimos informações também e descobrimos que perdemos o horário do trem turístico e do Museu do Selo, que era o que eu realmente estava mais curiosa por ver.




Assim nós nos restava caminhar e resolvemos ficar por ali, vendo as fachadas, entendendo um pouco da arquitetura, observando os turistas chineses e caminhamos até a Catedral, passando pela Prefeitura e Parlamento. Uma pena que a Catedral estava com a fachada em reforma. 






Não deixem de observar as estátuas pelas ruas, a organização da cidade, sua limpeza e paz que transmite. Parece ser um lugar bem pacato.




Entramos em uma lojinha e quase compramos as roupas típicas deles. Por termos ido final de setembro, várias cidades estavam em ritmo de Oktoberfest, com trajes típicos camponeses nas vitrines. Depois passamos por uma lanchonete onde comemos um sanduíche ... e foi assim! Não riam kkk... nossa ligeira passagem por Vaduz foi bastante contemplativa, já que não consegui visitar o museu do Selo. 




Minha mais sincera opinão: Eu não colocaria Vaduz num roteiro de viagem se eu fosse me desviar muito dos lugares principais para onde iria! Agora, se você estiver muito pertinho dali, como eu estava, ou de passagem (com pouca bagagem, dá até para caminhar por lá ou deixar em um locker), aí sim eu incluiria para dar uma voltinha, ver o ritmo de uma cidade que é um famoso paraíso fiscal, que tem um cenário bucólico incrível em pleno século XXI, capital de um Principado e que resiste ao passar do tempo sem perder as tradições e o charme de ser uma cidade cercada pelos Alpes, repleta de vinícolas e com jeitinho de vilarejo do interior. 





2 comentários:

  1. Oi, Lily. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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    Respostas
    1. Oi, Natalie!
      Tudo bom?
      Nooooossa! Que honra!! Você não imagina a minha felicidade! Amei começar 2017 com essa notícia linda, ainda mais por eu ser super fã do Viaje na Viagem! Muito obrigada mesmo! Até revisei o post para não deixar passar errinhos e ficar mais claro ainda para o pessoal
      Muito obrigada!
      Feliz 2017! Muita viagens para todos nós!
      Beijo grande,
      Lily e Julio

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