quarta-feira, 26 de julho de 2017

Conheça o Patara Elephant Farm, em Chiang Mai, um Santuário de Elefantes

Antes de ler este post aqui, não deixem de conferir o anterior, em que eu coloquei várias informações introdutórias sobre Chiang Mai, sua cultura, história, dicas de locomoção, tudo bem prático para facilitar o seu passeio por essa cidade incrível! 

Clique aqui e veja o Guia de Chiang Mai com dicas e passeios.




Agora, nós passaremos a descrever em detalhes com mais dicas cada passeio que fizemos por lá.

Primeiro Dia de Passeios em Chiang Mai

Acordamos bem cedo neste primeiro dia de passeios (tínhamos chegado na noite anterior e estávamos cansados, por isso só demos conta mesmo de dormir até porque sabíamos que acordaríamos bem cedo no dia seguinte). Eu já havia feito a reserva para conhecer o famoso Patara Elephant Farm, em Chiang Mai (http://www.pataraelephantfarm.com/).

A reserva do passeio foi feita com mais de um mês de antecedência, via email (pataraelephantfarm@hotmail.com) e não precisa pagar nada adiantado. O pagamento deve ser feito no próprio dia e em dinheiro. Eles aceitam a moeda local (baht) ou dólares também.



Antes que me crucifiquem porque eu fui a uma fazenda de elefantes, deixe-me dizer que eu fiz uma profunda pesquisa antes de ir, conversei com vários colegas que já tinham ido lá, li vários blogs que relataram suas experiências e também consultei o TripAdvisor, onde o Patara tem nota máxima de avaliações, nota 10, com 92% de aprovação pelos que deixaram seus comentários, que são mais de 3.500 avaliações, além de encontrar-se em número 2 dentre as 215 atividades ao ar livre que podem ser feitas em Chiang Mai (o passeio que está em número 1 é o Elephant Nature Park, outro santuário de elefantes que é bem conhecido dentre os brasileiros e que está ficando cada vez mais famoso por também adotar a linha responsável de turismo com os animais, cuidando de elefantes que foram resgatados de maus tratos e que seria, com certeza, a minha segunda opção de passeio para ter contato com os elefantes se não tivesse dado certo com o agendamento do Patara) - Clique Aqui e veja os comentários.



O Patara Elephant Farm é considerado uma fazenda estilo santuário de elefantes onde o foco é cuidar do bem estar desses animais com vistas à sua recuperação, reintegração e tratamento de maus tratos que muitos sofreram antes de chegar lá, pois se trata de um lugar de resgate de elefantes vindos de circos, shows e passeios daquele tipo que machucam os animais.

Essa era uma das minhas premissas ao buscar um lugar onde eu pudesse ter esse contato com os animais. Queria um lugar com o máximo de segurança nesse quesito de cuidar bem dos animais. Infelizmente, na Tailândia esse assunto não é tratado com a seriedade que deveria. A gente viu cada cena de atrocidade com os animais durante nossa viagem, assim como no Camboja, em que elefantes carregavam até umas 5 pessoas em cadeirinhas em cima deles. Também ouvimos relatos de pessoas que fomos conhecendo ao longo da viagem que presenciaram momentos de maus tratos, em que os domadores de elefantes espetavam os elefantes, fazendo-os sangrarem para obedecer suas ordens.


Eu não vou dizer que tudo no Patara é absolutamente perfeito. Eu não dormi lá e não sei como os animais são tratados antes ou depois que os turistas vão embora. E é claro que seria mais ideal e formidável se os elefantes estivessem soltos na natureza. Porém, em se tratando de Tailândia, onde as leis que deveriam supostamente proteger esses animais são flagrantemente violadas, sem tanto rigor na sua aplicação, pois basta ter dinheiro para comprar um e poder depois fazer com ele praticamente o que bem entender (dançar, pintar, rodopiar em cima de duas patas... e por aí vai), eu não sei se soltá-los na natureza iria ajudá-los tanto assim se você levar em consideração de que eles poderiam até mesmo não sobreviver, por já terem sofrido maus tratos antes, por estarem afastados deste habitat há muito ou até mesmo no caso de muitos que nasceram em cativeiro e simplesmente nunca nem tiveram contato com florestas assim... eu me pergunto como seria, sabe? Talvez não sobrevivessem ou talvez virassem presas fáceis para predadores (por seu porte, não há tantos predadores assim de elefantes, mas leões podem atacá-los) ou, ainda pior, talvez fossem capturados novamente por aqueles que depois vendem esses animais para os circos e shows. Logo, o assunto é sim delicado, sensível, polêmico e difícil de lidar e compreender como o país permite ainda tantas barbáries por lá.



Eu apenas passei o dia inteiro, das 9:30 da manhã até umas 15h, vendo a rotina dos elefantes, observando como são tratados com carinho, com respeito, como são alimentados o tempo todo, como apresentam sinais de estarem felizes, sabe? Mas não sou bióloga nem veterinária para talvez ficar atenta a alguns sinais diferentes que não sejam tão aparentes e não tenho conhecimento técnico para avaliar algo mais profundo assim.

O que posso dizer é que são poucos que ficam lá em contato com os turistas e recebem muito cuidado o tempo todo. Aliás, o grupo que visita o lugar todo dia é bem limitado, de 8 pessoas apenas e são poucos os elefantes aos quais podemos ter acesso e chegar perto, porque lá eles separam os elefantes que já estão mais avançados no processo de recuperação daqueles recém-chegados, ainda traumatizados, que ficam em outros lugares da fazenda.




Diga-se de passagem que a fazenda é enoooooorme, a perder de vista e também compartilha o mesmo espaço com alguns búfalos lá.

Bem, o passeio, como já disse, começou cedo. Nosso grupo era de apenas 8 pessoas: 2 casais dos EUA e um casal do México, além de nós, do Brasil. Todos simpáticos! O inglês do motorista e do guia que acompanhou a gente era razoavelmente compreensível (lá na Tailândia eu achei o inglês deles bem enrolado e complicado de compreender) e fomos levados de van num percurso entre o hotel e fazenda que levou algo em torno de 1:30. Alguns trechos com curvas sinuosas me fizeram tomar o Dramin por precaução para não passar mal.




Chegando lá no Patara, e a descida para chegar lá é bem íngreme e tensa, dentro da van rsrs... a gente já se deparou com alguns elefantes: mãe e filha juntas recepcionaram a gente.

Esse foi o momento em que eles ficaram observando a nossa desenvoltura, mas é claro que eu não sabia disso. Ficaram de olho na gente para depois dizer quem ia cuidar de quem. Havia 8 pessoas no grupo que passaria o dia por lá e 9 elefantes.


Depois, nós recebemos uma túnica que tradicionalmente os mahouts vestem para entrarmos no clima bem no estilo tailandês, de tecido grosso, e por isso super recomendo que as pessoas vão com trajes leves e fáceis. (mahout é um cuidador, treinador ou montador de elefantes na Tailândia)


No meu caso, eu fui com bermuda de cotton (tipo de academia) um body e um crocs no pé. Eles pedem para não ir de chinelo e também pedem para levar uma muda de roupa extra e limpa para depois eventualmente trocar de roupa ao final do dia... afinal de contas, você estará cuidando de elefantes, certo? É claro que pode sujar... aos frescos de plantão, é melhor pensar direitinho se querem mesmo fazer esse passeio.

Os banheiros do Patara são bem arrumados e havia papel higiênico à vontade. Eu até levei o meu lenço descartável porque as experiências prévias na Tailândia não tinham sido muito boas, com banheiros turcos e água para se limpar, no lugar do papel. Mas lá é mais ocidental nesse quesito e acho que deve ser comum ser assim. Tinha também sabonete para lavar as mãos. Tudo bem direitinho.



Assim, o segundo grande escopo do Patara Elephant Farm é o educacional, mostrando para os seus visitantes como é o dia a dia desses animais e seus desafios, apresentando os sinais de que estão bem, como, por exemplo, explicando que o os olhos do elefante precisam lacrimejar bastante para hidratá-los e que isso não significa que estejam chorando, mostrando até mesmo o cocô do elefante que, segundo ensinaram, se ele estiver saudável, o cocô nada mais será do que um monte de fibras emaranhadas, sem cheiro algum, tipo grama, sabe?



Mas, se tiver algo de errado, aí sim estará fedido. Falando sobre a gestação do elefante, já que havia uma lá grávida, ela que pode ser de 18 a 22 meses até o filhote nascer! E ele pode nascer com até 1000 kg!!! Uma elefanta pode gerar até uns 5 filhotes ao longo da vida. Eles explicaram que elefantes não geram mais de um filhote por vez (casos de gêmeos são bem raros). Também ensinaram a gente a identificar alguns sinais de que estão saudáveis olhando para a pata, suas unhas e que eles adoram tomar um banho porque ficam o dia todo com a tromba jogando terra nas costas rsrs...


A comida destinada aos elefantes parecia bem farta, muita cana de açúcar cortada, muitas folhas e galhos que alimentavam os elefantes o dia inteiro. Eles são herbívoros e se alimentam de ervas, gramíneas, frutas e folhas de árvores. Dado o seu tamanho, um elefante adulto pode ingerir entre 70 a 150 kg de alimentos por dia. Haja alimento para deixá-los saciados, hein? Por isso também que o valor do passeio é caro mesmo, primeiro por causa da logística, segundo por conta da manutenção de tudo por lá e eles não recebem qualquer tipo de incentivo do governo. Eu até li que alguns elefantes deles eram "alugados". Como assim? Explico: como o elefante é tratado como propriedade privada, para retirar de circos e shows, mas sem dinheiro para comprar o elefante que pode custar mais de 30.000 dólares, eles alugam para deixá-los lá no santuário, recebendo um bom tratamento e cuidados para terem uma vida mais digna.


Nós começamos o passeio assim, após vestirmos a túnica, cada um foi direcionado para o seu elefante com base na sua personalidade demonstrada ali no primeiro momento, de quem cuidaria durante o dia. Eu fiquei com uma elefanta que eu entendi que se chamava "Porque" (não faço ideia de como se escreve, apenas fiz decorar o nome com o som que eu ouvi e entendi kkkk). E cada visitante também tinha o apoio de um cuidador que acompanhou cada um o tempo todo, explicando algumas coisas (quando eles conseguiam falar algo em inglês) e auxiliando no trato com o elefante.

Julio ficou logo com a elefanta mais alta, a "Sussy", que era maior do que o próprio macho que estava lá presente no grupo. Diga-se de passagem que o macho é o único que tem marfim e eles contaram para a gente que só poderia ter um macho por grupo de elefantes porque eles são muito territorialistas e, se colocassem dois machos no mesmo grupo, eles poderiam brigar entre si para disputar o território e as elefantas presentes. Além disso, só poderia uma mulher cuidar do elefante macho porque ele não aceita muito bem que outro macho cuide dele rsrs... chega a ser engraçado, né?


Mas olhem que interessante... os elefantes vivem em manadas, em comunidades, cujo líder é uma fêmea. É, portanto, uma sociedade matriarcal e passam a vida inteira, na floresta e savanas, é claro, no mesmo grupo com suas tias, mães e outros parantes. Os machos, por sua vez, são expulsos da manada quando atingem a puberdade. Ficam sozinhos ou em pequenos grupos e só se acasalam durante a época da reprodução.

Algumas curiosidades sobre elefantes: assim que nasce, o elefante é alimentado com o leite materno até os 3 anos de vida. O bebê elefante já nasce com cerca de 100kg e 1 metro de altura. Sua expectativa de vida pode chegar aos 80 anos, porém, elefantes em zoológico costumam viver nem metade disso. Os elefantes crescem durante toda a vida, não param de crescer, e podem passar dos 3 metros de altura. Por isso mesmo que são, na atualidade, os animais mais altos do planeta, sendo que o elefante asiático é menor do que o elefante africano.

Outra diferença é que na espécie africana, elefantes e elefantas apresentam marfim e no caso da espécie asiática, somente os machos têm. O marfim é o dente incisivo que cada animal tem dois que podem crescer até 15 cm por ano e chegar até 3 metros de comprimento e pesar mais de 90kg. Infelizmente, o marfim das presas é ainda um dos motivos que leva à caça e a morte de muitos, especialmente na África e na Ásia, por ser um material maleável para trabalhar por artistas, escultores e outros que não compreendem a gravidade de seus atos. Pior ainda quem compra esse material, pois é difícil saber a procedência do marfim, se de um animal já encontrado morto ou de um que morreu para ser retirado dele o seu marfim.


O marfim serve para defesa, para derrubar árvores, para cavar o solo à procura de água, por exemplo, além de demarcar o território. Elefantes podem pesar até 6 toneladas (não é à toa que eles comem o dia inteiro kkkk...), que eles aguentam levantar até 10 toneladas.... Ah, e eles são herbívoros, ok?

Não tem risco algum de o elefante querer te comer kkkk... mas eles passam uma série de instruções para não haver acidentes, ainda mais com os elefantes bebês. Isso porque os bebês já são grandes e muito pesados. Daí, como eles têm o instinto de brincar, uma patada de um elefante bebê já pode fazer  um grande estrago e machucar de verdade. E no nosso dia estava com a gente o tempo todo um elefante bebê bem sapeca, que só queria saber de farra, de zueira... uma gracinha de tão fofa que dava até vontade de apertar a la Felícia do Tiny Toons (lembram dela?). Mas não rola, viu? Ela é forte e pode te derrubar com facilidade.



Detalhe sobre os dentes dos elefantes: os elefantes têm ciclos de rotação de dentes durante a vida toda. Dessa forma, diferentemente de outros mamíferos que nascem com dentes de leite que depois são substituídos por dentes permanentes, os elefantes seus molares são substituídos ao menos 6 vezes durante a vida. E quando estão muito velhos e seus últimos dentes caem, sem conseguir comer, eles morrem de fome, se não morrerem de outro motivo. Pior é que se não fosse por causa disso, dos seus dentes, que vão sendo substituídos e caindo, o elefante poderia viver muito mais.

Nosso primeiro contato direto com o elefante, após cada ter sido direcionado para o seu, foi a alimentação dele. Havia cestos já preparados com pedaços de cana de açúcar para a gente dar na boca deles ou na tromba. No meu caso, como no início eu estava com um certo medinho, ela sempre pegava na minha mão com a tromba. A palavra "boun" dita para eles era um comando para eles abrirem a boca.



Por falar em tromba, você sabia que ela é uma mistura de nariz com lábio superior, alongado e especializado para se tornar o apêndice mais importante e versátil deste animal? Segundo biólogos, a tromba pode ter cerca de quarenta mil músculos individuais o que a faz sensível o suficiente para pegar uma única folha, mas ao mesmo tempo forte para arrancar os ramos de uma árvore. Justamente por isso que é comum ver o elefante usando a tromba para para arrancar a comida e levá-la até a boca.

Outra curiosidade é que a tromba também é usada para beber. Eles chupam a água pela tromba, até 14 litros por vez! E depois a água é despejada dentro da boca, por onde engolem. Eles também inalam a água para despejar sobre o corpo durante o banho e despeja terra e lama nas costas que servem de protetor solar. Oh bichinho inteligente, não é mesmo? E quando tem que nadar, a sua tromba serve como um snorkel, como um tubo de respiração. A tromba também serve para sentir o cheiro das coisas, para a interação social entre os elefantes (eles se cumprimentam enrolando as trombas entre si), serve para sufocar uma ameça e defender-se. Atenção: uma tromba levantada para o alto pode ser um sinal de aviso ou ameaça.

O que achei bem legal lá no Patara é que os comandos aos elefantes, quando dados (na maior parte das vezes eles faziam o que queriam) eram comandos de voz, por meio de algumas palavras que eles compreendiam. Por exemplo, eles disseram para a gente sempre elogiar quando eles fizessem algo direitinho, fossem bonzinhos e bastava dizer "Didi" que eles pareciam felizes.

Um sinal para identificar se eles estão mesmo felizes é o abanar das orelhas. Quanto mais abanarem, em regra, pelo que nos disseram, eles estariam demonstrando estar à vontade e felizes. Todavia, pesquisando um pouco mais, também descobri que as orelhas possuem muitos vasos sanguíneos na superfície da pele e que ficam em constante movimento para aumentar a circulação sanguínea do local, resfriando o sangue, já que a pele ali é fina, além de abanar o animal, ajudando a resfriar o corpo. Só que pode ser uma junção dos dois, não? Abana para se refrescar e abana a orelha como sinal de estar feliz!

Após então darmos a comida para eles, nós fomos limpar a sua pele, especialmente as suas costas, onde eles acumulam muita poeira para protegerem-se do sol. Essa "limpeza" foi feita como folhas e galhos para ajudar a tirar esses resíduos antes do banho.



A pele do elefante é do tipo paquiderme, ou seja, uma pele bem espessa e extremamente rígida na maior parte do seu corpo, com cerca de 2,5cm de espessura. Mas a pele no entorno da boca e orelha é bem fina.




Na sequência, nós tiramos a túnica, guardamos e fomos para a parte talvez mais divertida e mais interativa com eles: o banho!


Dentro do Patara tem um rio e tipo uma cachoeirinha que forma um poço. Foi lá mesmo que nós nos encontramos com os elefantes para dar banho neles. Uma grande diversão, isso sim, ainda mais com a pequena lá no meio, a bebê elefante, que fez a festa e rolava de um lado para o outro kkkk...




Aliás, rolar na lama é um comportamento social de grande importância para os elefantes, pois a lama protege sua pele. Só que eles precisam de banho regulares para depois jogarem a terra por cima, formando sempre novas camadas de lama, para poderem se proteger de queimaduras, mordidas de insetos e contra a perda de umidade. Por isso mesmo que, depois do banho, o mais comum é que ele use a tromba para atirar mais terra sobre o seu corpo, deixando secar e formando uma nova camada de proteção.


Ou seja, você vai se esforçar para dar um bom banho nele... vai se molhar todo e depois ele vai se sujar todinho de novo kkk... é um ciclo que ele faz todo dia e é bem importante!




Rolar na lama também ajuda a manter a temperatura da pele e a resfriar o corpo, pois, como eles têm dificuldade em liberar calor através da pele já que sua massa em relação à superfície da pele é muito maior, ele precisa disso para manter sua temperatura e ajudar na dissipação do calor. A lama demora mais tempo para escorrer e a evaporar e é por isso que eles passam a maior parte do tempo cobertos de lama. Como a natureza é incrível, né?


Terminado o banho deles, foi a nossa vez! kkkkk... primeiro, nós levamos um verdadeiro banho dos próprios elefantes (ok ok... eles foram de certa forma induzidos a dar um banho na gente, salvo um ou outro que realmente estava mirando na gente com a tromba para molhar).




E, depois dessa festa (aqui os frescos de plantão quase têm um treco, não? Afinal, levamos um verdadeiro banho de baba de elefante, naquele poço ali cheio de tudo, inclusive cocô, porque eles ficam super à vontade e estão nem aí, certo? Se deu vontade, pronto! kkkk...) fomos nos lavar em água corrente, um pouco mais acima, numa pequena queda dessa cachoeirinha que forma outro poço menor.


Secamos ao ar e estava tão calor e tão abafado que isso não foi problema algum!

Banhados, secos e vestidos (alguns trocaram de roupa aí para não ficar com a roupa molhada, mas eu mantive a minha porque já levei uma que secava mais rápido), subimos novamente e fomos almoçar.

Um verdadeiro banquete estava pronto à espera da gente, com muitas frutas, frango frito, algumas comidas que não faço nem ideia do que eram, tinha até uma espécie de pamonha rsrs... eu preferi nem pensar em como foi que eles prepararam essa comida toda e se a elaboração dos pratos seguia um mínimo de higiene rsrs... nessas horas, o melhor mesmo é acreditar que sim e comer o que for menos estranho, torcendo para dar tudo certo (eu já tinha passado mal duas vezes nesta viagem e estava um pouco mais receosa... afinal, depois de ficar mal mesmo, com muita dor e até ter febre, a gente começa a desconfiar mais das coisas. Fato é que eu só comi mais as coisas que achei menos estranhas, muitas frutas e fiquei bem para dar continuidade à segunda etapa do programa que estava por vir).



Nesta segunda fase do programa há muita polêmica e logo adianto que tenho plena consciência de que haverá pessoas criticando, pois trata-se de uma caminhada por uma trilha, que segue o rio e sobe alguns pedaços da montanha, em que o visitante é convidado a montar no elefante.

Antes de qualquer coisa, que fique claro que não há cadeirinha, não há chicote, não há nada disso, viu? A gente subiu no elefante, que é bem alto, com o apoio da pata dele. Eles já foram todos adestrados um dia, já que são elefantes resgatados de shows, circos e zoológicos. Daí, o cuidador estava lá do lado para ajudar a subir, se precisasse.


Eu fui logo a primeira de todas a subir e confesso que estava tensa! Primeiro, porque eu não sou a pessoa mais coordenada que eu conheço (também não sou a menos, mas eu me acho bem desajeitada kkkk). Segundo, porque eu meio que servi de exemplo, pois fui a primeira, e estavam todos me olhando, né? Terceiro, porque, apesar de minha elefanta não ser a maior, tampouco era a menor, ela era bem alta, viu? E o medo de cair lá de cima era grande kkkk...


Bem, subi! Ufa... deu tudo certo. O cuidador pediu para eu chegar o máximo que desse para encaixar minhas pernas atrás das orelhas dela, bem no seu pescoço, e evitar chegar para trás, porque ela tem um osso em cima que seria o seu ombro e sentar em cima dele pode machucar.



Eles juraram que nós somos muito leves para os elefantes, que nosso peso não causa desconforto nem machuca o animal (que não machuca, eu até acredito... mas que não gera um desconforto, aí eu  não posso afirmar, mas também não o senti incomodado... parecia normal).



As patas de um elefante são pilares verticais para suportar seu peso e seus pés são quase redondos e embaixo dos ossos dos pés existe uma camada gelatinosa que funciona como espécie de almofada para amortecer o peso. Justamente por isso que um elefante consegue ficar de pé por longos períodos sem se cansar. Outra curiosidade é que o elefante, apesar do seu peso, é um bom nadador, mas não consegue trotar, saltar nem galopar. Andando a passos normais, ele chega a caminhar de 3 a 6 km/h, mas pode chegar até 40km/h em corridas.


Essa trilha foi de quase 1 hora e, por conta da posição das pernas, eu vou confessar a vocês que eu é que estava muito desconfortável! Adorei a sensação, não vou mentir. Seria hipocrisia minha depois de tudo vir aqui dizer que foi horrível, que me senti mal que não faria de novo... eu realmente fiquei no início super encantada.


Mas o desconforto é bem grande. O pelo do elefante é duro, grande, espeta e incomoda também, lembra uma vassoura piaçava. Não foi à toa que, para essa parte do passeio, além da túnica, eles emprestaram calças também para a gente vestir. Quer dizer, calça não... era mais um saco, tipo saco de batata kkkk... O look de montaria ficou zero fashion.


E, após meia hora de passeio, eu já estava cansada da mesma posição, com minhas pernas tremendo e querendo ficar dormentes, com sinais de cãibra... ou seja, não curti tanto assim o final do passeio e, por mim, poderia ter sido mais curto.


Mais uma vez, os comandos para os elefantes andarem eram sempre de voz. No máximo, eles pediam para a gente dar uma cutucadinha com o joelho atrás da orelha do elefante para indicar a direção, se para esquerda ou para a direita. No mais, o elefante fazia o que ele bem entendia. Tanto que eu fiquei bem separada do Julio na maior parte do passeio. A minha elefanta, a "Porque", estava bem animada e foi logo na frente. Já a do Julio, estava contemplativa, parava para jogar água, para pegar folhas e acabou sendo a última.


Bem, se eu acho que esse passeio seria dispensável? Mais uma vez, não pretendo polemizar. Eu gostei sim da experiência, mas não encararia novamente para esse tempo todo porque realmente eu fiquei muito desconfortável. Se acho certo montar no elefante, mesmo que no pelo, sem qualquer tipo de acessório?


Aí eu eu teria que refletir sobre montar em cavalos também, algo que é, inclusive, uma paixão para o Julio que foi criado no interior do Paraná, em sítio, com cavalos em que montava para tocar a boiada no pasto e ele sempre cavalga quando tem a oportunidade e não vejo isso como algo de errado, como também não sei se acho errado montar no elefante que sempre foi, há milênios, um animal também usado para essa finalidade de locomoção e até mesmo em guerras, como cavalos foram para os europeus que trouxeram os mesmos para a América, o que não quer dizer que seja bom nem que não tenha sido cruel... bem, sei que o debate é muito sensível e sei que muitos questionarão meu posicionamento. A questão é que sei que o elefante não é um animal doméstico, como cavalos também não deveriam ser. É um tema bem complicado, eu sei.


Curiosidade: foi atrás de Alexandre, o Grande, imperador grego, que os elefantes de guerra chegaram ao Ocidente em 325 a.C.

Há também quem diga que o ditado da memória do elefante não é em vão, pois seria este um animal muito inteligente e com ótima memória mesmo e, ao montar nele, o elefante lembraria dos maus tratos sofridos no passado e isso poderia gerar um estresse ou um trauma. Bem, quem sou para dizer que isso não faz sentido, não é? Contudo, eu pelo menos posso dizer que eu não vi nada desabonasse o lugar, não vi qualquer sinal de maus tratos nos animais, não vi nenhum cuidador agir com agressividade ou impaciência.


Pelo contrário, a sensação que eu tive é que eu paguei caro - e foi caro mesmo - por um passeio que tem boas intenções, de resgatar, recuperar e reinserir os elefantes. Vi cuidadores rindo o tempo todo (e eles mal sabiam falar inglês... somente um lá que explicava tudo para a gente), vi elefantes brincando com eles... tudo me pareceu verdadeiramente honesto, sadio e correto.

Se eu posso estar enganada? Sim... todo mundo pode um dia errar. Espero que não, porque realmente acreditei no trabalho sério que eles desenvolvem lá. Mas se em algum momento eu descobrir, ler alguma notícia ou relato que contradiga tudo o que eu coloquei acima, eu me comprometo com todos vocês que virei aqui atualizar o post e deixar o alerta.


Porém, o maior alerta mesmo que posso dar é o seguinte: pesquisem muito antes de ir em qualquer atração turística que envolva animais. Quando for, observe bem o lugar, o ambiente, as condições e, se virem sinais de maus tratos, se virem marcas de machucados, não deixem de denunciar. A internet hoje é uma ferramenta poderosa e a nossa omissão lamentavelmente acaba sendo cúmplice desses lugares. Eu conversei com alguns casais na viagem que vivenciaram cenas assim de maus tratos e perguntei por que eles não haviam feito um vídeo, por que não tinham feito uma denúncia nas redes sociais. Sabe qual foi a resposta? Nenhuma! Eles não souberam responder.... uma pena.

Saibam que, de acordo com a União Internacional para a Conservação da Natureza e Recursos Naturai - UICN - todas as espécies de elefantes são consideradas em perigo de extinção em razão principalmente da caça ilegal atrás do marfim. Logo, por mais que talvez não não concorde com o fato de o no Patara ser permitido andar no elefante, ao menos dá para ficar mais tranquilo em saber que eles fazem um trabalho na contramão do país, na tentativa de frear esse risco iminente de extinção. E se mesmo assim você não quiser ir lá, não tem problema. Há outros santuários. Pesquise muito. Leia. Como o Nature Park, onde a proposta é parecida, mas não permitem montar nele, pode ser uma ótima opção também para ter contato com esses animais de perto.

Mas é isso... essa foi a minha experiência com os elefantes do Patara Elephant Farm, que eu achei incrível como um todo e saí de lá feliz após vivenciar uma emoção única na minha vida.  A gente sabe como é importante hoje em dia passarmos uma mensagem positiva também de atenção, de consciência ambiental e respeito aos animais. Sabemos que o ideal era ver esses elefantes soltos na floresta e não em uma fazenda, apesar de ela ser enorme a perder de vista... mas também acreditamos neste trabalho de resgate e recuperação dos animais, sendo que muitos deles nasceram em cativeiros, tiveram uma vida inteira de maus tratos e talvez nem conseguissem mais viver na floresta... Nós não somos biólogos nem especialistas no assunto, mas a gente sentiu que lá era tudo muito correto, que os elefantes eram bem tratados, tanto que havia nascido um bebê na noite anterior à nossa visita e havia outra elefanta grávida. Dizem que esse é um ótimo sinal, quando voltam a ser reproduzir. Em todo caso, deixamos claro que respeitamos todas as opiniões e que nosso desejo é contribuir com algo positivo.

Obs: LEVEM REPELTENTES!! 

Mais Curiosidades:



- Existem duas espécies, o elefante africano (Loxodonta africana) e o elefante asiático (Elephas maximus).

- Os elefantes brancos são considerados sagrados na Tailândia, na Índia (devido ao hinduísmo, religião predominante neste país) e Myanmar; no Mundo Ocidental são um símbolo de algo com um custo bastante superior à sua utilidade, provavelmente devido ao elefante Hanno que o rei Manuel I de Portugal ofereceu ao papa Leão X.

- A mais alta condecoração da Dinamarca é chamada a Ordem do Elefante, e a Ordem do Elefante Branco é o seu equivalente na Tailândia.

- Ganesh, o deus hindu, da sabedoria, tem uma cabeça de elefante.

- Dumbo, um personagem da Disney, é um elefante voador.

- Três quartos da vida do elefante são devotados à procura por recursos de comida e água, cerca de 16h por dia se alimentando e 4h por dia dormindo. Sua dieta é estritamente herbívora. A maior parte dos elefantes consomem entre 70 e 150 quilos de comida e de 80 a 100 litros de água por dia, podendo ser até 200 litros de água por dia.

- O elefante africano é o maior deles, medindo entre 7 e 8 metros de cabeça e corpo e 4 metros de altura. As orelhas são enormes e podem alcançar metade da altura do indivíduo



- Os elefantes são os maiores mamíferos terrestres sobreviventes de uma extensa radiação no período eoceno. Os mamutes e mastodontes também tinham sobrevivido, mas já foram extintos.

- Algumas pesquisas mostram que os elefantes podem se comunicar através de infra-som - um som que os seres humanos não podem ouvir - passam informações para os outros membros do grupo desta maneira.

- Os elefantes morrem quando perdem seus dentes, por não conseguirem mais comer

- Os machos adultos vivem isolados e só encontram as fêmeas para reprodução. Só que lá no Patara havia ao menos um macho para cada grupo de fêmeas.

- Os elefantes podem ser destros ou canhotos

- Elefantes raramente têm câncer e, por isso, o segredo para a cura desta doença poderia estar no DNA deles. Por causa de um gene, o Tp53, estes animais raramente são acometidos pelo crescimento descontrolado das células. Tal gene é um dos mais potentes supressores tumorais. Há estudos da University of Utah e pelo Arizona State University nesta linha.

- Eles possuem audição aguçada e podem facilmente detectar os passos de um camundongo.

- Para saber se os elefantes estão dormindo bem, deve checar se há sujeita nos lados dele. Os elefantes dormem deitados e por isso ficam marcas de terra dos lados. Se ele dormiu em pé, não haverá esses sinais e isso pode significar que ele está doente.

** SOBRE O PATARA ELEPHANT FARM **


Informações extraídas do seu site do Patara

- Localização: nas montanhas próximas ao Hang Dong Valley, a 45 minutos do sul de Chiang Mai. Como nós fizemos uma parada no caminho, para o pagamento, gastamos mais de 1hora para chegar lá na ida. Na volta, eu confesso que dormi.

- Fundação: em 2001, por Theerapat "Pat" e sua esposa Apocha "Dao", com o objetivo de preservar a população de elefantes da Tailândia.

- Quantidade de Elefantes: em 2014, o Patara abrigava 55 elefantes.

- O Santuário trabalha com 4 palavras de ordem: resgate, recuperação, reprodução e reintrodução. Mas, além do resgate de elefantes que ninguém mais quer ou que trabalham em condições cruéis, o Patara também adota elefantes das ruas de Bangkok que são usados pela indústria do turismo.

- Reprodução: em 10 anos, foram registrados 24 nascimentos de elefantes

- Recuperação: acredita-se que não adiante simplesmente colocar elefantes domesticados de volta à vida selvagem porque suas chances de sobrevivência serão bem baixas. Isso sem contar que mais da metade da floresta tropical na Tailândia está devastada.

- Educação: uma das missões do Patara é a de cunho educacional de seus visitantes.

- Programa que fizemos: Elephant Owner for a Day (ser o "dono" de um elefante por um dia), criado para que todos possam ter a oportunidade de interagir com os elefantes de maneira correta

- Restrições: não há! Todos os visitantes são bem vindos, inclusive crianças e pessoas com deficiência física.

- Valor: em torno de 200 dólares por pessoa (custou 5.800 baht por pessoa quando fomos, algo em torno dos 600 reais). Lembrando que o Patara não recebe qualquer investimento ou incentivo do governo tailandês.

- Grupos: sempre pequenos, em torno de 8 pessoas, por isso tem que fazer a reserva com antecedência. Em nosso caso, fizemos com antecedência de quase 2 meses.

- O que está incluído no valor pago: transfer, roupas (túnica e calça, mas você deve levar algo para usar embaixo, que pode até ser roupa de praia mesmo e recomenda-se que leve uma muda extra e seca de roupa), fotos que são tiradas e depois ficam disponíveis no site do Patara para serem baixadas durante um certo período. Mesmo assim, recomendo que levem suas câmeras, ao menos celular e/ou gropro se tiver. Acho válido não ficar contando só com as fotos que eles tiram e também você poderá fazer vídeos já que eles só tiram fotos mesmo. O almoço também está incluído, assim como água durante todo o dia.


12 comentários:

  1. Muito interessante essa experiência. Gostei que você pesquisou bastante antes e optou por uma empresa séria e que faz um bom trabalho com os bichinhos. O post ficou mega completo, deu para fazer uma "especialização" em elefantes, rs. Bjs!

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    1. Ei, Cris!
      Obrigada!
      Fico feliz por ter gostado... menina, levei 2 dias fazendo esse post, pesquisando muito mesmo para poder escrever algo bem certinho para, quem sabe, ficar aí de exemplo para as pessoas que pensam em fazer turismo envolvendo animais, não é mesmo?

      Beijinhos,
      Lily

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  2. Show

    Estou indo em novembro. Além desse dia de atividade atividade quantos dias ficaram em Chiang Mai e que que hotel?

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    1. Olá, Guilherme
      tudo bom?
      Que legal... espero que você curta bastante por lá, viu?
      Nós ficamos 4 dias em Chiang Mai, mas aproveitamos mesmo 3 dias de passeios.
      Todas as dicas de Chiang Mai estão detalhadas no nosso guia de lá... veja aqui neste link - http://www.blogapaixonadosporviagens.com.br/2017/07/chiang-mai-guia-com-dicas-passeios.html

      Abraços,
      Lily

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  3. Desculpe o texto anterior:....ficaram hospedados em que hotel?

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  4. Lily

    Muito obrigado. Você é uma pessoa maravilhosa. Suas dicas são perfeitas. Você foi em Chiang Mai? Será que vale a pena?

    Abraços
    Guilherme

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    1. Olá, Guilherme
      sim... nós ficamos 4 dias em Chiang Mai! rsrs... todas as dicas estão naquele link que coloquei lá em cima, viu? Valeu demais conhecer essa cidade. Essência espiritual da Tailândia! Muita energia boa, templos lindos... eu curti! Espero que você curta também!

      Tudinho - tudinho mesmo! - está naquele link! =)

      Abraços,
      Lily

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  5. Post maravilhoso e bastante completo como sempre! Infelizmente não cheguei a conhecer essa região da Tailândia, mas já anotei todas as dicas pra quando a gente for retornar. Beijo

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    1. Você vai adorar, viu? A experiência com os elefantes é lindíssima, mas temos que ser muito criteriosos, pesquisas antes e averiguar se realmente é um lugar que trata bem esses animais que já são tão castigados por lá, não é? Eu não posso afirmar que o Patara seja um lugar perfeito, acima de qualquer suspeita, mas por tudo que vi, que li e que senti, fico segura em recomendar e torço para que seja um lugar correto mesmo!

      Beijos,
      Lily

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  6. Lili!
    Queeee delicia de lugar, os elefantes parecem bem felizes e bem cuidados.
    Pena que nao consegui ir para esses lados, mas com certeza ainda vou visitar 😙
    Adorei a materia

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    1. Eiii, Cris! Manu ia amar, não é? Ficava imaginando meus sobrinhos lá diante desses gigantes da natureza... é uma emoção única!
      Tenho certeza de que você ainda irá!
      E trate de me levar junto com você kkkk
      beijinhos,
      Lily

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