terça-feira, 18 de outubro de 2016

Vienna State Opera: a emoção de assistir a uma Ópera pela primeira vez na vida!!!

Quem nos acompanhou pelo instagram, viu que retornamos há pouco tempo (há 2 semanas) de uma incrível viagem que fizemos pela Europa, por 23 dias, quando aproveitamos para conhecer novos países e revistar outros onde já estivemos. 



Um dos focos dessa viagem foi a Áustria, já que é um dos poucos países europeus que eu e Julio não conhecemos em conjunto! Gente... em conjunto, viu? rsrs... acontece que Julio já morou  na Europa por pouco mais de 2 anos, na Alemanha e na Inglaterra, e já fez vários mochilões por lá com amigos, daquele estilo que visita 10 países em 2 semanas! kkkk... brincadeira! Mas fato é que o Julio conhece mais países do que eu e, por coincidência, alguns lugares onde eu já estive, como Portugal, ele ainda não conhece. Daí, ao planejar uma viagem para a Europa, a gente sempre entra em conflito porque muitas vezes eu quero conhecer países que onde ele já esteve. 

Crédito: Wiener Staatsoper / Michael Pöhn

Por sorte, a Áustria é um desses poucos países que nós dois não conhecíamos e já falávamos de visitá-lo desde 2013, quando eu fui para a Europa com meus pais e explorei bastante a Alemanha, ocasião em que pude passar uns dias em Munique e queria incluir Salzburgo no roteiro pela proximidade. Mas ele me pediu para deixar a Áustria, como um todo, reservada para explorarmos juntos. Dito e feito! 3 anos depois, nós estávamos lá e foi uma viagem linda, repleta de descobertas, de paisagens incríveis, de muita alegria e de uma bagagem cultural e histórica que não tem preço!


Um desses momentos incríveis da viagem foi termos a oportunidade de prestigiar, pela primeira vez em nossas vidas, uma ópera! Afinal de contas, uma vez na terra de consagrados compositores que difundiram para o mundo o seu talento na música clássica, como Mozart e Strauss, nós tínhamos que aproveitar a oportunidade única para suprir de vez essa lacuna no "currículo", que era quase imperdoável, ainda mais pelo fato de eu ter feito ballet e jazz por boa parte da infância e amar tanto as apresentações da Orquestra Sinfônica. Aqui no Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, eu já fui inúmeras vezes ao Teatro Municipal para assistir a muitos concertos e apresentações de ballet. Contudo, nunca assisti a uma ópera antes. 



Diga-se de passagem que, ao comentar sobre nossa viagem com amigos que já estiveram ou moraram na Áustria, todos foram unânimes em indicar que tentássemos assistir a uma apresentação na State Opera por sua magnitude, beleza, acústica e porque é um programa MUST GO mesmo! Não é a toa que está em 7º lugar na lista de atrações turísticas em Viena elencadas pelo site TripAdvisor!

Imaginem então qual foi a minha alegria quando, em Vienna, eu pude finalmente visitar a sua State Opera House, com 147 anos de existência, considerada uma das mais importantes casas de ópera do mundo com os seus , além de ser a que possui o maior repertório e nos brindar com um edifício magnífico, onde assistimos pela primeira a uma ópera que, no caso, foi "Aida" de Giuseppe Verdi (estreia foi em 1871, no Cairo).




Ficamos muito felizes com o convite da Vienna State Opera, que nos deu um ingresso e pagamos o segundo. Para nós, já foi uma honra enorme podermos finalmente ver uma ópera de perto e ainda mais com o apoio conferido pela casa e confiança em nosso trabalho no blog. 

Com estrutura planejada pelo arquiteto vienense August Sicard von Sicardsburg e o interior desenhado pelo design de interior Eduard van der Nüll, os quais não sobreviveram para ver a inauguração da Opera House, que aconteceu no dia 25 de maio de 1869 com a apresentação da ópera "Don Juan" de Mozart (Don Giovanni, em italiano), contando com a presença do então imperador Franz Joseph e a imperatriz Elisabeth, mais conhecida como Sisi, a arquitetura adotada é a do estilo neo-renascentista. 



Lá em Viena, se você for pedir informação sobre a Opera House, será mais facilmente compreendido se disser Wiener Staatsoper, que é como se fala em alemão. Nós, quando fomos perguntar o endereço, fomos surpreendidos com a pergunta "qual delas, pois temos umas 4!". De fato, há também o Vienna Theater e o Vienna Volksoper (não descobri os outros rsrs). Daí, quando eu falei Staatsoper, logo responderam que a melhor forma de chegar lá seria de metrô (U-Bahn) e descer na estação Karlsplatz, no centro de Vienna e perto do famoso Ring, um boulevard que circunda o Centro Histórico de Vienna, onde, antigamente, ficava a muralha que protegia o burgo e onde, hoje em dia, há intenso movimento de carros, charretes e bondes (conhecido como Strassenbahn). 



Curiosidade: originalmente, quando da sua inauguração, chamava-se Vienna Court Opera (Wiener Hofoper). Porém, em 1920, com a mudança do sistema político de Monarquia para República, passou a se chamar Vienna State Opera. 

História: Foram 8 anos para construir a State Opera e alguns bombardeios americanos para causar grandes estragos em sua estrutura, em 12 de março de 1945, próximo já ao fim da 2ª Guerra Mundial, o que causou a destruição do auditório e do palco, que não resistiram ao incêndio provocado pelas bombas, além de cenários de mais de 120 óperas e cerca de 150.000 figurinos. 



A restauração ocorreu entre 1948 e 1956, mantendo o auditório quase como se fosse uma réplica do anterior destruído, com acréscimos de elementos mais modernos que melhoraram sua acústica. Aliás, praticamente tudo que foi restaurado seguiu a linha original. Agora, com capacidade reduzida para 2.276 assentos no auditório, a Opera House de Viena ressurgiu em todo o seu esplendor para se consagrar como uma das melhores do mundo, respeitada pelos mais renomados e célebres maestros e músicos. 



Vale dizer que é uma das mais movimentadas casas de ópera do mundo também, produzindo de 50 a 60 óperas por ano, mais cerca de 10 produções de ballet e mais de 350 performances outras. Ou seja, se você estiver em Vienna, as chances de estar em cartaz na State Opera alguma ópera são enormes. 

E, quando lá estivemos, além da ópera "Aida" havia outra também em cartaz e uma apresentação de ballet, uma em cada dia, em esquema de revezamento. 

Curiosidade: a Ópera Estatal de Viena (State Opera House), além de ser uma casa de ópera, também é uma companhia de ópera e os dois são interligados. Os membros da Orquestra Filarmônica de Viena são recrutados da orquestra da State Opera House (Wiener Staatsoper). 




Nossa Experiência: chegou o grande dia! Planeje-se para chegar ao menos com 20 minutos de antecedência ao primeiro ato da ópera!

Como em qualquer lugar no mundo (até no Brasil é assim), se você se atrasar, não será permitida a sua entrada no meio da apresentação e você terá que aguardar o intervalo entre os atos para poder entrar e seguir assistindo à apresentação. 

E o dress code? Nossa... essa era uma das minhas grandes dúvidas! A previsão do tempo, para minha alegria, errou feio e não fez o frio que estava previsto para fazer quando consultei a previsão com umas 3 semanas de antecedência, quando arrumei as malas para viajar, já que começamos a viagem por Viena, mas ficamos somente uma noite e depois voltamos no final da viagem para mais 3 noites. 




Pois bem, o universo estava conspirando a nosso favor e o tempo estava perfeito, um calor delicioso para início de outubro e surpreendente até para os locais. Ou seja, eu só havia levado tênis e sapatilhas, pois estava com limite de peso na bagagem em função de voos internos com os malditos 20kg de franquia da bagagem a ser despachada, e fiquei de comprar um sapato tipo bota por lá mesmo caso o frio chegasse. Não chegou o frio e fui de sapatilha. 

Muitos haviam me falado que as pessoas não iam tão arrumadas assim. É verdade que vi gente de tudo quanto é tipo, porém, em grande maioria, estavam todos muito bem vestidos sim!!! Homens de terno, mulheres de vestidos arrumados, com rendas e brilhos... 



Como eu tive, naquele mesmo dia, um tempinho para fazer umas comprinhas, coloquei uma saia midi plissada, que está super na moda na Europa, com leve brilho dourado, da Mango e uma blusa com um trabalhado na frente, mas era simples, da CK. Eu estava OK para a Ópera, mas eu poderia ter me arrumado mais se eu quisesse e não teria ficado over. 

Julio foi de calça jeans e camisa social de botão e manga longa. 

O Melhor Assento? Difícil responder a essa pergunta, pois está intimamente ligada ao $$ que você está disposto a pagar por ele.


Como ganhamos um ingresso e pagamos o outro, optamos por um bom lugar e ficamos na Orquestra, onde a visão para a apresentação era ótima e não tivemos problemas, salvo em alguns momentos em que os grandões de nossa frente se esticavam e a gente precisava desviar o olhar para conseguir ver o palco por inteiro. O segundo ingresso custou cerca de 190 Euros. Não é uma bagatela e muita gente deve achar desperdício. Como eu disse, depende do bolso e vontade de cada um em assistir a uma apresentação na Opera House. 

Devo dizer, contudo, que também nos foi oferecido o assento no que eles chamam de Box, que seria tipo um camarote ou galeria na lateral. Confesso que até me arrependi de não ter ficado lá, apesar de ser o segundo ingresso mais barato, na ordem dos 135 euros, pois achei que o mais caro seria melhor e que a vista do camarote seria muito na lateral. De fato, a vista é em diagonal sim, mas não tem ninguém na frente para atrapalhar e isso é uma vantagem a ser considerada, especialmente pelos baixinhos.



Assentos Gratuitos ou com Valor Reduzido: uma dica que recebemos pelo Guia Pablo, que fez um city tour conosco, foi a de comprar o ingresso para a Opera em cima da hora, ou com algumas horas de antecedência, quando eles liberam alguns assentos com valores super reduzidos para quem está com orçamento apertado ou até mesmo eles vendem ingressos para ficar em pé! E nós vimos, circulando lá dentro no intervalo, que havia um lugar bem no alto, portanto, afastado do palco, onde algumas pessoas estavam sentadas no chão durante o intervalo. Eu imagino que seja ali onde ficam as pessoas que adquirem esses ingressos e algumas realmente ficam em pé. 



Sobre a ópera "Aida": trata-se de uma ópera escrita por Giuseppe Verdi, cuja estreia mundial aconteceu na Casa da Ópera do Cairo, em 1871, com história que se passa no Egito, mostrando, para variar, conflitos amorosos, relações complexas e disputa de poder e pelo amor. A ideia central é o amor entre um general egípcio, Ramadés, pela escrava e rainha etíope, Aida. 

Aida é escrava no Egito, mas princesa e depois rainha na Etiópia. Ramadés, por outro lado, enquanto general egípcio, foi prometido como marido da filha do faraó, Amnéris. Acontece que, após a notícia de que a Etiópia queria invadir o Egito, Ramadés lidera algumas vitoriosas batalhas, mas não escapa de seu amor por Aida, com quem tenta fugir, mas é preso e condenado à morte. 

Crédito: Wiener Staatsoper / Michael Pöhn

Aida, por sua vez, que teria fugido, retorna e morre com seu amado. 

Dicas: Não recomendo que você se levante durante os atos, pois os intervalos são bem rápidos e, se você estiver no banheiro, pode ser que não consiga voltar antes de iniciar o próximo ato e fique de fora. 

Achei o máximo que, em cada assento da orquestra, havia uma espécie de promt, um mini tablet acoplado ao assento, com a tradução no idioma escolhido das falas interpretadas pelos atores e cantores. Graças a Deus que isso existia, ou seria bem complicado acompanhar o enredo, dado que eu não tinha lido nada a respeito antes rsrs... Só um detalhe: não tem em português e colocamos em inglês mesmo! Foi bem tranquilo de acompanhar. 


O intervalo maior é de cerca de 30 minutos. Esse sim é adequado para ir ao banheiro e fazer um lanche. A ópera começou às 19h em ponto e terminou depois das 22h. Logo, vale a pena também levar um lanchinho simples (eu levei um snack) que não faça muito barulho para não atrapalhar quem estiver perto.

Aproveite para caminhar um pouco pelas instalações da Ópera e para contemplar a bela arquitetura dessa edificação que é realmente maravilhosa!!

Atenção: não façam como a gente! Nós, desavisados, marinheiros de primeira viagem, não sabíamos como era o desenrolar de uma ópera e, quando começou o intervalo, esse maior de 30 minutos, praticamente todo mundo se levantou e apareceu a mensagem na tela do tablet agradecendo pela presença e um até breve. Achamos que tinha acabado e já estávamos indo embora kkkk



Eu juro! Por sorte que eu estranhei quando vi muita gente sentada e fazendo um lanche ou bebendo um drink ou café. Não entendi aquilo e pensei que pudesse ser algo como habitual. Resolvemos perguntar para um funcionário, eis que ele respondeu que era apenas um intervalo. 

Olha... não sei quem riu mais: eu ou Julio! Nós dois bocós quase perdemos metade de apresentação. Mas, ainda bem que perguntamos antes de ir embora. 

Crédito: Wiener Staatsoper / Michael Pöhn

Por fim, para quem esquecer de levar um lanchinho, dentro da Opera House tem um café bem conceituado e, pelo que vimos, super procurado pelos que frequentam a casa. Ou, ainda, se quiser depois sair de lá e fazer um lanche, ao lado da State Opera House está o também famoso Hotel Sacher, que ficou conhecido por ser detentor da receita secreta da Torte Sacher, grande orgulho vienense,  que era talvez a preferida da corte e dos imperadores. 

Que tal? Afinal, uma vez em Vienna, essa cidade chique, sofisticada e requintada, nada mais justo do que ouvir a uma ótima música clássica, comer a torte sacher e tomar um café, no melhor estilo vienense de levar a vida. 

Crédito: Wiener Staatsoper / Michael Pöhn

Última Dica: você não liga muito para ópera, não quer gastar seu dinheiro, está com restrições orçamentárias para a viagem, não tem companhia e não quer ir sozinho, mas ficou curioso com tudo isso que descrevi acima?

Eu tenho a solução para você! E achei o máximo quando vi, do lado de fora e na frente da State Opera, um telão enorme que transmitia, ao vivo, a ópera que estava sendo interpretada e encenada dentro da casa. 



Super democrático, eu achei realmente sensacional e até nós, no dia seguinte, que estávamos passando por ali bem na hora, ficamos um tempinho parado assistindo. Várias pessoas sentadas em bancos, no chão, em pé... realmente foi bem bacana de ver esse cuidado com a propagação da cultura e da arte. 

Espero que tenham gostado também! E até a próxima ópera (não pelo Julio, pois para ele bastou uma... kkkk... homens! kkkkk... )

Obs: NÃO PODE TIRAR FOTOS DURANTE A EXECUÇÃO DOS ATOS. Eles pedem isso durante toda a apresentação. Eu somente tirei fotos nos agradecimentos e nos intervalos. 



** INFORMAÇÕES TÉCNICAS **

- Endereço: Opernring, 2

- Site: http://www.wiener-staatsoper.at/

- No TripAdvisor: com nota 9, a State Opera de Vienna aparece em 7º lugar dentre as mais de 500 atrações turísticas e pontos de interesse em Vienna, com mais de 5.000 avaliações. Clique aqui e leia os comentários. 

- Como Chegar: usamos bastante o Vienna Card, que é um cartão que deve ser validado na máquina própria e pode ser utilizado em todo o sistema de transporte público de Vienna, que inclui o metrô (U-Bahn), o bonde de rua (Strassenbahn) ou ônibus. Nós fomos de metrô e descemos na estação Karlsplatz, que fica literalmente em frente à Ópera (as linhas de metrô U1, U2 e U4 atendem a estação Karlsplatz). O nosso Vienna Card era válido por 48h e foi bastante vantajoso.


- Onde Comprar os Ingressos:







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