quinta-feira, 28 de julho de 2016

8º DIA NO ATACAMA: Vulcão Láscar e Laguna Legía

Nosso último dia de passeio pelo Atacama, dia 4 de abril, ficou reservado para o maior desafio físico e psicológico da viagem: Trekking de subida ao Vulcão Láscar!!!



E será que a gente se lascou nessa subida ao Láscar? kkkk.... com o perdão para a piadinha infame, a gente fez bonito, viu? Vejam como foi a nossa experiência incrível cujo grande objetivo era chegar na Cratera de um Vulcão ainda ativo! O extra seria tentar chegar em seu cume, algo que não conseguimos, mas quem sabe um dia?

VULCÃO LASCAR: vulcão ativo – requer aclimatação prévia – considerado nível fácil – passa pela Lagoa Legía no início do passeio
. Saída: Entre 05:00 e 06:00 hrs.
. Ascensão: entre 2 e 3 horas (nós fizemos em 3:15)
. Descida: 1 hora (ficamos com essa marca, em 50 minutos)
. Tempo de passeio: em torno de 9 horas
. Altitude: 5.592 metros no cumbre e 5.550 metros na cratera  
. Valor do Tour: 150.000 pesos
. Agência de Turismo: Flavia Bia Expediciones, em parceria com o Blog Apaixonados por Viagens


Bem, como vocês já sabem, esse foi também um passeio que fizemos com a Flávia Bia Expediciones (todos os passeios do Atacama foram feitos com ela) e o guia de montanhas, certificado, Elias, foi quem nos acompanhou neste dia de fortes emoções que começou bem cedo, às 5:40, quando ele passou para buscar a gente.


Na verdade, essa aventura já começou na noite anterior, quando o Elias encontrou-se conosco no Hostel La Ruca, para conversarmos sobre o passeio, saber nossos anseios, medos, aflições, se estávamos bem aparamentados, com roupas e calçados adequados. Foi um ótimo momento para trocarmos ideia, descontrairmos e nos prepararmos para o grande desafio que estava por vir. 



Saímos ainda no escuro (no Atacama, nesta época do ano que fomos - final de março e início de abril, só amanhece a partir das 7:30 / 7:40) rumo à Laguna Legía, que fica a mais ou menos 1:30 de San Pedro, onde fizemos uma parada para o café da manhã enviado pela Flávia que o Elias preparou para a gente, com itens importantes para nos prepararmos para a subida no vulcão: guacamole  (ou palta, como eles chamam), biscoito com chocolate, queijo, doce de leite  (que estava divino e eu comi um monte), pães que ele esquentava na hora em uma chapa, chás de Coca, chachacoma e outros, café (que dessa vez foi o coado mesmo e não o solúvel)... tudo pensado no que seria necessário e importante para o desafio que chegava. 

Obs: Durante toda a viagem a gente só tomou café solúvel rsrs... parece que isso é bem comum mesmo por lá.






Mas enquanto ele não chegava, a gente curtiu a bela paisagem da Laguna Legía que, àquela hora da manhã, ainda sem sol, parecia um verdadeiro espelho refletindo as montanhas, céu e vulcões ao redor... e fria! 

Ou melhor, congelante. Esse foi o momento mais gelado do dia e chegava a doer a mão, sem luva, na hora de comer o café da manhã. E isso porque não estava ventando! Imagine com vento? Deve ser sinistro.

Peeeense nas mãos congelando?? Dava até preguiça de tirar a luva para tirar foto rsrs...








Após esse momento de contemplação da Laguna Legía e de assistirmos a mais um belo nascer do sol, nós partimos em direção do Láscar, com mais uns 40 minutos de muita estrada cheia de "massagem natural" rsrs...

Obs.: Depois de quase 2 semanas passando por estradas de terra com muito sacolejo, a gente até que se acostuma um pouco e já até consegue dormir rsrs. Se bem que nesse caso eu sou facinha e durmo mesmo com trepidação se estiver cansada.



Uma dica importante é fazer xixi antes de começar a fazer a trilha até porque a subida é toda aberta, ou seja, não tem uma pedra para se esconder e fazer xixi rsrs... no nosso caso, quando avistamos uns pedregulhos no caminho entre a Laguna Legía e a subida ao Láscar, a gente pediu para o Elias parar o carro e fomos ao "banheiro".

Chegamos em um ponto meio que numa "base" para início do Trekking onde havia outros 2 ou 3 grupos se preparando para subir. Acabou que nós fomos o último grupo.

Para nossa sorte, não estava "tão frio" nem ventoso. Elias emprestou um casaco de plumas super leve para mim e Rebeca e disse que esses eram os melhores, justamente por serem hiper leves e quentes ao mesmo tempo.




Eu estava vestida com uma calça térmica, uma calça aveludada por dentro que havia comprado no Peru em 2014, que é quentinha, duas meias térmicas, 2 camisas térmicas e o casaco de plumas. Luva térmica também, óculos de sol, gorro e passei muito filtro solar no rosto e na boca. Hidratar a boca é importante também.

Já contei para vocês que o Atacama tem uma das maiores taxas de radiações solares do planeta? Vimos muitas placas com informações queimadas, carros colocando proteção no painel contra a radiação, dentre outros sinais de que devemos nos proteger mesmo do sol. Agora imagine como não é essa radiação a mais de 5.000 metros de altura? Melhor não imaginar e usar um bom filtro solar. Eu gosto de usar no rosto só filtro com fator superior a 50 e prefiro as marcas Vichy e La Roche Posay.

tênis apropriado para Trekking também foi fundamental, com travas na sola antiderrapantes, térmico e com cano mais alto, tipo bota. Uma mochila pequena e leve para carregar alguns itens também faz diferença. Elias ficou de levar uma para mim, mas esqueceu. Acabou que uma garrafa de água minha foi com o Elias e a de gatorade com o Julio e eu levei a bolsa da câmera (até um certo ponto). 





Flávia enviou para a gente uma garrafa de água e uma de gatorade, ambas de 750ml, quantidade suficiente para fazer o trekking. É recomendável levar uma garrafa extra de água para a volta porque serão 2h de carro para voltar para São Pedro. Flávia também mandou snacks de trekking, como castanhas, nozes, passas, barrinhas de cereais e chocolates.

Recomendo também levar lencinho de papel e álcool em gel porque esse é um Tour com apenas "baños incas". Tem que se desapegar kkkk e encarar a pedra.

E lá fomos nós! Eu, Julio e Rebeca, guiados pelo Elias. Não foi fácil! Aliás, com o perdão da palavra, foi foda! A princípio não me assustou saber que seriam cerca de 2,5 km de subida e que começaríamos a mais ou menos 4.900 metros e chegaríamos a 5.550 metros na cratera, ou a 5.950 no cumbre. 

Eu já tinha encarado em 2014 a trilha da Laguna 69 no Peru - em Huaraz / Ancash - onde enfrentei duas montanhas numa caminhada em ziguezague de 7 km para cada trecho (14 km no total). De fato, Huaraz e a Laguna 69 foram realmente piores. Bem piores. Mas enfrentar essa altitude que passa dos 5.000 metros e o cheiro de enxofre que se começa a sentir no final da trilha também não é fácil. Ou seja, sempre será um desafio!

Outras duas dicas que eu acho que me ajudaram foram: tomar Tylenol antes do passeio e levar uma bandana para o rosto (comprei em São Pedro mesmo por 2.000 pesos) para amenizar o cheiro do enxofre. Quanto ao remédio, por se tratar de medicação e de um passeio que exige muito da pessoa, fisicamente e psicologicamente, eu acho legal que seja feito um check up antes com o seu médico para ver se está tudo certinho.

No começo tudo é festa, né? kkkk... nada disso! Tínhamos consciência da dificuldade e o Elias queria que mantivéssemos um ritmo constante de subida, sem paradas. Pronto, aí no Láscar a gente se lascou kkkkk... o tal de subir meio que direto foi muito intenso para mim porque lá no Peru eu fazia muitas pausas para recuperar o fôlego.



Elias explicou que, se subíssemos em ritmo constante e direto, seria melhor para o corpo se acostumar, sentiríamos menos a altitude e poderíamos tentar ir ao cumbre, o que dependia também muito da fumaça e da sua direção porque, no dia anterior, que ele havia também subido, a fumaça estava intensa e impossibilitando ir ao cumbre porque é um cheiro muito forte de enxofre. Lembrem-se de que o vulcão é ativo!

É claro que nós pedimos para parar algumas vezes. Não lembro o total de vezes agora. Sei que foram com certeza apenas 2 vezes para sentar e descansar por cerca de 15 minutos, algumas vezes para beber água, respirar e levar bronca do Elias (nesse caso da bronca era para mim kkkk), sendo essas pausas bem curtas, de cerca de 1 a 3 minutos, e em pé mesmo porque o Elias não queria que a gente perdesse o ritmo. 

ideia dele era a de que conseguíssemos caminhar pelo menos 30 minutos sem parar no início até a primeira pausa, depois 1h sem parar até a segunda pausa e depois mais 1h ou mais até a cratera porque a média de tempo gasto para a subida é de 2:30 a 3:00. 




Ele explicou que toda pausa que fizéssemos para sentar seria como se começássemos do zero depois e ficaria difícil para o corpo se acostumar com a altitude. Até que faz sentido, mas vai explicar isso para as minhas pernas? Eu juro que elas ficariam mais felizes com uma pausa a mais rsrs

Elias foi beeeeem duro comigo. Primeiro, porque eu me atrapalhei no início com os bastões. Eu nunca tinha usado os bastões e, mesmo tendo certeza da importância e de como eles ajudam, eu estava bastante descoordenada.

Em segundo lugar, porque eu não consegui manter o ritmo que ele gostaria. De acordo com o Elias, porque eu estaria ansiosa. Mas não era. Eu juro que estava tranquila e consciente de ir até onde meu corpo suportasse ir. Então, eu mesma concluí que talvez esse fosse o meu problema: medo de forçar muito, de arriscar muito e passar mal. 

Por mais que o Elias dissesse o tempo todo que tinha o telefone satelital, corda para resgate, oxigênio e outros equipamentos, quando eu comecei a sentir o coração acelerado, as pernas bambas e náuseas no estômago, foi realmente difícil dizer para o meu corpo que esse era o momento de forçar mais e não de descansar. Isso porque a lógica das montanhas seria a de que, se eu sentasse, eu teria depois mais dificuldade. Realmente, não sentei! Eu queria subir! Eu queria chegar!


Diferentemente da Laguna 69, no Peru, onde pensei em desistir umas 20 vezes, no Vulcão Láscar eu não pensei em desistir hora alguma sequer. Mas eu também não conseguia mais manter o ritmo que o Elias gostaria. Apesar de todos os seus ensinamentos, de toda a pressão que o Super Elias botou em mim para eu dar o meu melhor, o meu máximo, porque ele dizia que não via em mim sinais de esgotamento físico nem de ter chegado no meu limite (ele realmente estava botando fé em mim kkkk... mas eu provavelmente não estava acreditando em mim mesma porque o cansaço já era grande), eu virei a retardatária... mas eu fui até o final e não desisti!


Obs.: Sinais de que a pessoa chegou ao seu limite e de que é hora de descer a montanha: boca seca, respirar o tempo todo pela boca, apatia, perda de cor na pele do rosto, olhos vermelhos, mau humor, tontura e desmaio, vômito... Elias fica o tempo todo de olho nesses sinais para determinar se a pessoa tem condições de continuar a subir ou não.



Diante disso, já faltando só um pouco para chegar na cratera, uns 10 a 15 minutos, a gente decidiu que Julio e Rebeca iriam na frente para chegar logo porque eles estavam muito bem e eu iria com o Elias, em um ritmo mais devagar.




Fato é que todos chegaram!!!! Começamos a subir por volta das 9:30 e eu cheguei mais ou menos às 12:45. Ou seja, não fiquei tão longe assim da média das 3h de subida rsrs.... Gastei 3:15 para subir!




Elias nos disse que nosso limite para começar a descer seria às 13:15 porque ele achava que eu ia demorar mais que a média, que é de 1h, e ainda teríamos 2h de estrada até San Pedro. Então, não daria para ir ao cumbre por falta de tempo. E eu nem queria mesmo kkkk... Já estava feliz por ter chegado na cratera e ver de perto um vulcão ativo!



Ficamos eufóricos, em êxtase, pois a alegria de ter vencido o vulcão não tem preço! Foi incrível mesmo a sensação de vitória!

E até fizemos um pulo coletivo para foto, viu? Lá na Laguna 69 eu não consegui pular, mas dessa vez, no Láscar, eu reuni as forças e juntei com a euforia e fui lá pular!




Ficamos cerca de 30 minutos na cratera. Quer dizer, eu fiquei 30 minutos e Julio e Rebeca ficaram uns 40 a 45 minutos no total. Mas foi tempo suficiente para comemorar, para tirar muitas fotos, para observar a cratera, para ver a paisagem, para mais fotos, para o Elias mostrar a caixinha de presentes, onde cada um deixa algo na caixinha e pega algo da caixinha. 




Deixei o cartão de visitas do Apaixonados por Viagens.





Deu tempo até de fazer um lanchinho rápido, beber água, recompor as energias e já era hora de encarar a descida!




Bem, a trilha, que nem sempre é muito bem marcada, é toda em ziguezague, na subida e na descida, repleta de pedrinhas, muitas pedrinhas que são ótimas para a gente escorregar na descida! Por isso que o Elias aconselhou que a gente descesse pisando com firmeza no calcanhar e não com os dedos dos pés. E lá fomos nós descer ou quase esquiar kkkk... 



Como a gente ia descendo meio que "escorregando" ou "derrapando", com os bastões em mãos para firmar e ajudar a não cair, a sensação era a de que estávamos esquiando na terra kkkk...





Foi fácil também não, viu? Manter o equilíbrio e, principalmente, manter-se em pé não foi tarefa fácil e vira e mexe alguém "quase caía". O bom é que os bastões realmente ajudavam. E em 50 minutos, nós chegamos no carro!

Uhuuuuuullllll!!!!! Yupiiiiiiiiiiii!!!!! Conseguimos! Missão cumprida!




Na volta para San Pedro ocorreu algo muito interessante para mostrar a importância de se ter um telefone satelital. Um carro com turistas estava parado com problemas na água e barulho estranho. Eles precisavam de ajuda e usaram o telefone satelital da Flávia para chamar. Eles não tinham o telefone, não tinham água para repor no carro ... foi muita sorte deles que nós chegamos lá.

Aliás, mesmo que você não queira fazer os passeios com a Flávia porque prefere outra agência, verifique sempre se a agência que você contratar tem telefone satelital, kit de primeiros socorros, oxigênio, step em bom estado e outros itens importantes para minimizar os perrengues.

Repare também nas paisagens incríveis no caminho de volta. Como na ida estava super escuro e eu fui quase o tempo todo cochilando, na volta eu pude admirar mais os vulcões e essa paisagem inesquecível!





Chegamos em San Pedro do Atacama felizes, vivos kkkkk e ainda na adrenalina de termos conquistado o Vulcão Láscar.



Fizemos as malas porque nosso vôo no dia seguinte para Santiago era muito cedo, deixamos tudo pronto e fomos jantar no Restaurante La Casona com a Flávia.

Os restaurantes La Estaka, La Casona e Blanco pertencem aos mesmos donos e, como já havíamos conhecido os outros dois, deixamos nosso último jantar em San Pedro para o La Casona.

Pedimos uma parrilla para 2 pessoas que na verdade servia muito bem até 4 pessoas!!! Era enorme e custou 23.000 pesos. Também pedimos uma salada de camarões e quinoa (Julio está viciado em quinoa após termos comido todos os dias na Bolívia kkkk). Pedimos também drinks chilenos para experimentar como o Terremoto e o Borgoña, ambos feitos à base de vinho.

E foi uma noite deliciosa!!! Conversamos muito com a Flávia, contamos das nossas expectativas e experiências vividas, da subida ao vulcão. ... foi ótimo e o restaurante La Casona, que é mais caro do que a média dos restaurantes de San Pedro, foi uma ótima pedida para nos despedirmos do Atacama.

**ATENÇÃO** Combinei com a Flávia que os leitores do blog e seguidores do Instagram do Apaixonados por Viagens terão desconto ao fechar seus pacotes de passeios no Atacama com a Flávia Bia Expediciones!!!!!

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