terça-feira, 3 de maio de 2016

Conheça a Vinícola Cousiño Macul, em Santiago

Outra vinícola maravilhosa que visitamos no Chile, dentro da cidade de Santiago, foi a Cousiño Macul! Estivemos lá início do mês de abril de 2016 e demos sorte de vermos as parreiras ainda repletas de folhas verdes e com cachos de uva para serem colhidos, porque esse ano a vindima (época da colheita - cosecha) estender-se-ia até maio (só que não sei como ficou a situação depois de um temporal muito grave que alagou a cidade em abril). 

O mais normal é que a Vindima ocorra em fevereiro e março. Quando eu fui a Santiago das outras vezes, em 2008 e 2011, por ter sido no inverno, eu vi os parreirais sem folhas, "pelados"... tão triste... até um pouco melancólico. Mas, por outro lado, essa época do inverno é legal para poder curtir a neve e as estações de esqui próximas a Santiago. E são várias as estações próximas, como Farellones, El Colorado e, a mais famosa, Valle Nevado. 


Nós agendamos a visita na 
Vinícola Cousiño Macul para às 16h. Como os tours são feitos para grupos pequenos, sugiro que se faça contato com antecedência para reservar o melhor horário para a visita.


Como estávamos almoçando no Bairro BellaVista, resolvemos ir de táxi até a viña, que fica ainda dentro de Santiago. Foram 40 minutos de táxi que custou uns 23.000 pesos (1 dólar, quando fomos, estava valendo uns 680 pesos, ou seja, 23.000 pesos foram uns 30 dólares). O tempo já estava chuvoso a essa altura do dia e o trânsito de Santiago não é dos melhores. Infelizmente, chegamos com cerca de 15 minutos atrasados e pegamos o Tour Premium já iniciado.



Endereço da Viña Cousiño Maucl: Av. Quilín 7100 Peñalolén, Santiago


** SOBRE A VINÍCOLA COUSIÑO MACUL **




A visita que fizemos, o Tour Premium, foi uma cortesia da vinícola com o Apaixonados por Viagens, mas custa 20.000 pesos para quem se interessar. A reserva pode ser feita por email para ventas@cousinomacul.cl. A chuvinha fina não nos permitiu ficar do lado externo  por muito tempo, mas as parreiras de Cabernet Sauvignon e Merlot que vimos estavam muito bonitas.





Cousiño Macul é a terceira mais antiga vinícola de Santiago, existindo desde 1856, fruto do trabalho e dedicação do imigrante português Don Matias Cousiño (as mais antigas são as viñas La Rosa e a Carmen). Hoje, são 100 hectares de viña em Santiago e 300 hectares fora de Santiago, com uma produção anual de 5 milhões de garrafas de vinho cuja administração permanece sob os cuidados da mesma família, que já está em sua 6ª geração.

Curioso saber que pelo menos 80% dos visitantes da Cousiño Macul são brasileiros. Ou seja, ou os brasileiros estão viajando mais e também mais interessados sobre esse universo da viticultura, ou são os chilenos que perderam o interesse porque já estão acostumados com vinhos bons rsrs...






Maurício foi o nosso guia durante o tour e nos acompanhou por algumas das instalações do casarão, fornecendo explicações sobre a história da vinícola e um pouco sobre o processo de produção dos vinhos. Após a visita à antiga bodega, que foi utilizada até o ano de 2000 e hoje é Patrimônio Histórico, sendo mantida refrigerada entre 10 e 15ºC e tendo sido construída para resistir aos eventos sísmicos, também pudemos olhar a bodega exclusiva da família, com vinhos de alto potencial de guarda, que estão lá há muito tempo e de valor inestimável.

Tour Premium oferece, ao final, uma degustação de vinhos harmonizada com queijos e nuts. Durante toda a degustação, recebemos a orientação do guia que nos ajudou a identificar as notas que compunham os vinhos, seu grau de acidez, dentre outros elementos que são estudados em cursos de sommelier e também por enólogos.

Aliás, foi exatamente assim que eu me senti! Embora eu nunca tenha feito um curso de sommelier, eu imagino que seja mais ou menos dessa forma que um curso seja conduzido.


Nossa degustação, que adotou o estilo de harmonização por contraste e harmonia, foi acompanhada pelos seguintes queijos: de vaca, blue (que lembrava um gorgonzola, manchebo, brie e edam. E os vinhos que experimentamos foram, na seguinte ordem:

  
1) Isidora Riesling, com 13,5% de teor alcoólico, acidez média a alta, com coloração amarelo a verde, bordas prateadas, sendo um vinho limpo, brilhante, sem sedimentação. Viscosidade baixa e aromas primários como ervas, vegetais e frutas. Nos aromas secundários, foram identificados minerais com notas até de querosene presentes. Apresenta-se adequado com um aperitivo porque a sua acidez abre o apetite. Foi harmonizado com queijo de cabra e também combina com comida asiática. Pode ser guardado por 4 a 5 anos. 



2) Antiguas Reserva Chardonnay 2015, que ficou 6 meses em barrica francesa, com 13,5% de teor alcoólico, denso com notas de baunilha, lácteas de modo geral, mas também vegetais, como palmito e aspargo. Um vinho seco, de baixa acidez. Mas também nos foi explicado que é difícil mesmo encontrar um chardonnay com acidez alta. Ele não é apropriado para ser um vinho de aperitivo e, por isso, sempre pede um acompanhamento, que pode ser um salmão (pescado mais gorduroso), mariscos cozidos, uma pasta com milho branco, ou um creme ou um frango, com pouco condimento. Trata-se de um vinho elegante e combina bem com o queijo brie. 


Obs: o queijo manchebo, que se assemelha bastante ao parmesão, combina melhor com vinho tinto mais leve. O importante é não haver sobreposição de sabores, ou seja, ao escolher um vinho, o ideal é que o queijo (ou comida de modo geral) não se sobreponha ao sabor do vinhos, que ambos os sabores possam se complementar no sentido de potencializar as notas do vinho e não as anular.

3) Don Matias Reserva Camenere 2015, a uva que se pensou estar extinta na Europa, mas foi redescoberta no Chile após ter sido confundida com a Merlot por mais de 100 anos em terras chilenas. Com 14% de teor alcoólico, apresenta aromas de frutos vermelhos, ameixa e, após revolver a taça, também identificamos aromas de pimentão verde e vermelho, além de um toque floral de rosas. Em seu sabor, notas de doce como foram percebidas bem como taninos, sendo este um vinho de acidez média para menos, já que o Camenere sempre será um vinho de caraterísticas médias. Harmoniza bem como comida chilena, carne, cebola, cazuela, mas também carnes magras sem muita gordura, como o carneiro. Degustamos com o queijo edam.


4) Antiguas Reserva Shyrah, com 14% de teor alcoólico, apresentou notas de madeira, chocolate, canela e café. Mais licoroso, com viscosidade média a média alta e acidez média, é um vinho muito mais rico que harmoniza bem com queijos de maturação mais longa, como o manchebo ou o grana panado. Mauricio nos informou que os melhores vinhos desta uva, contudo, são os australianos! Também harmonia bem com carne de porco, jamon serrano, carnes exóticas de modo geral e pato. 


5) Finis Terrae, com 14% de teor alcoólico, composto por um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot. Identificamos notas amarelas, aromas de ameixa seca e figo seco. Um vinho equilibrado, redondo, com acidez e corpo altos, no qual se notam os taninos altos também, que perduram, tudo isso permitindo que possa ser guardado por mais anos. Degustamos com o queijo azul, embora não fosse a combinação perfeita, mas é boa. Harmoniza com carnes gordurosas, exóticas, carnes vermelhas...


Obs.: Não confundir taninos com acidez. Sempre sentimos primeiro a acidez na língua e embaixo dela, enquanto os taninos, posteriormente, são percebidos na gengiva e em cima da língua. 


6) Late Harvest, com 12% de teor alcoólico, um vinho doce bastante apropriado para ser servido com a sobremesa, no qual identificamos notas de maça cozida, pêssego, mamão, frutas enlatadas, baunilha, notas cítricas e mel. Nós o degustamos com o queijo azul e o Mauricio nos disse que ele também harmoniza com o roquefort. 



Obs: Outra dica interessante que o Mauricio nos passou foi a respeito do tempo de maturação dos vinhos em barrica (o processo de envelhecimento):

- Vinhos ícones ficam mais de 24 meses na barrica
- Vinhos Premium ficam em média 16 meses na barrica
- Vinhos Gran Reserva ficam ao menos 12 meses na barrica
- Vinhos Reserva ficam 6 meses na barrica

Detalhe para o fato de que a vinícola Cousiño Macul somente utiliza barricas de carvalho de origem francesa, que são as melhores do mundo, junto com as americanas. Os vinhos de primeiro uso são os ícones, como o Lota. De acordo com as informações prestadas pelo Mauricio, a Cousiño Macul somente usa a barrica por três vezes. 




  
Conclusão dessa experiência na vinícola: de que eu ainda tenho muito o que aprender e de que meu olfato é uma porcaria porque eu não consegui identificar nem metade, quiçá 10%, dos aromas e notas que o Mauricio indicava e orientava para sentirmos kkkk... ou seja, ou eu não nasci para ser chique ou realmente a minha rinite atrapalha bastante.




Fomos rapidamente à loja, que já estava em vias de fechar, e compramos alguns vinhos, pois eles nos informaram que os vinhos vendidos na loja são, em média, 15% mais baratos do que nas lojas de vinhos de Santiago.





Após passarmos umas horas na Cousiño Macul, a gente resolver voltar - levemente embriagados kkkk... - de táxi e de metrô em vez de voltarmos direto de táxi, para economizarmos um cadinho e gastarmos nossos pesos com mais vinhos à noite rsrs... 

Quase como uma aparição, depois de algumas tentativas frustradas de chamar um táxi pelo Easy Taxi ou Uber - o sinal de wifi lá na Cousiño não estava muito bom, do nada apareceu um taxista lá e tratamos logo de pegá-lo. Da vinícola até a estação de metrô Quilín, o táxi custou 2.000 pesos. Pegamos o metrô até a estação Tobalaba, onde fizemos a baldeação e seguimos pela linha 1 até a estação Baquedano (sentido San Pablo), onde fizemos outra baldeação para pegarmos a linha 5 para descermos na estação Bellas Artes (sentido Plaza de Maipú), estação que era a mais próxima do nosso hotel, então retornamos ao Casanoble Hotel Boutique para deixar os vinhos que compramos e depois seguimos para mais andanças. 

Rua do Museu de Bellas Artes e que dava acesso ao nosso hotel, Casanoble Boutique
O metrô de Santiago é muito bem conectado e permite visitar todas as suas atrações turísticas de metrô, com curtas a médias caminhadas. Eu gosto muito e usei bastante quando fui em 2008 e 2011. Inclusive, no nosso GUIA DE SANTIAGO E ARREDORES, há dois posts com dicas de como conhecer Santiago de metrô. 

Obs: Veja aqui no site do Metro de Santiago os seus horários de funcionamento e tarifas, pois lá os preços dos bilhetes mudam a depender da hora do dia.


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