quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Terceiro dia em Mendoza: Mais vinícolas! Achaval Ferrer, Pulenta Estate e Cavas Wine Lodge







Depois de começarmos os passeios em Mendoza, logo no primeiro dia de viagem, indo direto do aeroporto para a Bodega Vistalba, nós então, no segundo dia, demos uma folga ao fígado (rsrs...) e fomos conhecer um pouco do lado argentino da Cordilheira dos Andes.




Já recuperados e renovados para mais um circuito Baco, no terceiro dia de viagem nós fomos conhecer 3 Bodegas: Achaval Ferrer, Pulenta Estate e Cavas Wine Lodge.

Começamos bem cedo, indo para a Bodega Achaval Ferrer, com visita e degustação marcadas para às 09:30.

Fiz todas as minhas reservas por e-mail, com mais ou menos um mês de antecedência. Na reserva, dependendo da Bodega, eles até perguntam qual a sua preferência de vinhos e também qual o idioma para a visita.

Lá na hora, contudo, ofereceram uma visita em português (portunhol, na verdade) que aceitamos. O problema é que demorou muito a começar esta visita, porque o grupo não estava formado e eu não gostei desta falta de organização da Bodega.

Nossa próxima visita era na Pulenta Estate às 11:30 e nosso tempo na Achaval Ferrer já era apertado. Com este atraso no início da visita, acabamos chegando mais tarde na Pulenta Estate e perdemos o início das explicações. Não foi uma perda assim tão considerável na Pulenta Estate porque a guia, excepcional, diga-se de passagem, compensou depois. Mas acho que as  Bodegas devem saber que as pessoas costumam agendar mais de uma visita por dia e não deveriam se enrolar tanto para começar a visita.

Além disso, com o tempo mais apertado, eu não consegui tirar tantas fotos assim da Achaval Ferrer, mas dá para ter uma boa noção da Bodega.

Vamos então falar um pouco sobre cada Bodega.


*** BODEGA ACHAVAL FERRER:





A Achaval Ferrer é uma vinícola pequena, não industrial, em estilo boutique. A visita foi bem rápida, mais sucinta. A parte boa foi a degustação, super interessante e com vinhos excelentes (nem todas as bodegas de Mendoza oferecem seus melhores vinhos para degustação).

Com relação à degustação, devo dizer que meus prediletos foram o Finca Mirador e o Quimera 2010. No dia em que fui, infelizmente, o Finca Altamira destinado à degustação tinha acabado, algo lamentado por muitos lá presentes no grupo da visita (eu confesso que desconhecia a fama deste vinho).








Por sorte, acabamos sendo apresentados a um vinho super exclusivo, o Vinho TEMPORIS. Se entendi direito o portunhol do nosso guia, este vinho é de pequena fabricação e não é exportado pela Achaval Ferrer. Muito exclusivo mesmo e caro! O preço dele era em torno de uns 750 pesos, mais ou menos 75USD, o que é considerado para a região. Valeu a pena ter degustado este vinho, pois tem um aroma bem marcante e um sabor forte.




Após a degustação, caminhamos rapidamente pelo interior da vinícola e o guia explicou um pouco sobre o processo de produção do vinho.

Super interessante observar na Achaval Ferrer (e o mesmo se vê na Pulenta State) o uso de tanques de concreto para a fermentação do vinho, em temperaturas mais altas. Os tanques de concreto permitem um certo grau de controle da temperatura e por isso foi muito bem recebido pelas bodegas mendocinas e hoje é incorporado a várias vinícolas.





Já para a conservação do líquido em temperaturas mais baixas, o tanque de aço inoxidável é o mais indicado (aprendi tudo durante a visita!! Verdadeiras aulas sobre harmonização de vinhos e seu processo de produção).

Em relação às barricas de madeira, comumente usadas para o envelhecimento do vinho, fiquei impressionada em saber que a barrica de origem francesa custa cerca de 1.600 Euros, enquanto que a americana custa uns 600 USD.

Durante esse período em que o vinho está dentro da barrica, ocorre então este "envelhicimento" dele, momento em que ele adquire suas notas, seus aromas e fica mais ou menos denso, encorpado.

Os vinhos mais tops das vinícolas são colocados em barricas de primeiro uso. Nas Bodegas Zuccardi e Pulenta State, a barrica pode ser usada até 4 vezes no envelhicimento de vinhos.

A cada uso da barrica, ela vai perdendo sua parte interior, "afinando" suas bordas, porque o contato do vinho com a madeira vai causando uma espécie de corrosão, grande responsável pela aquisição do vinho de notas amadeiradas.

Na Achaval Ferrer, para terem uma ideia da qualidade de seus vinhos, as barricas de madeira são usadas apenas 2 vezes!! Já imaginaram o altíssimo investimento que deve ser feito em uma Bodega?? Tem noção de quantas barricas são usadas e depois dispensadas?

No caso das barricas que não se prestam mais para o envelhecimento do vinho, de acordo com os critérios de qualidade e excelência de cada bodega, as barricas podem ser vendidas para a madeira ser usada em móveis. 

Bem, perceberam que é possível aprender muito durante a visita e degustação, certo? Além disso tudo, a vinícula Achaval Ferrer é belíssima!!

Mais uma que fica em Lujan de Cuyo e que tem como fundo do seu cenário a Cordilheira dos Andes.








Valeu a pena ter ido lá e não deixem de comprar vinhos em sua lojinha!



*** BODEGA PULENTA ESTATE:




Chegamos um pouco atrasados na Bodega Pulenta Estate, mas não prejudicou muito o nosso passeio, a não ser no final, pois o grupo já havia escolhido que tipo de degustação faria e nós tivemos que, ao final da visita, fazer nossas escolhas de forma rápida para não atrasar o início da degustação.

Na Pulenta Estate, fomos recebidos com um vinho branco e depois fomos conhecer um pouco das suas instalações.




Tivemos uma super aula com a guia mega fofa, gentil e simpática: Victoria! Adoramos tudo por lá e a visita guiada pela Victoria deu ao passeio um toque muito especial.





Ela nos deu várias informações bem interessantes sobre a cidade, as bodegas, as diferenças entre as bodegas comerciais/industriais e as bodegas boutiques.

Por exemplo, a Pulenta Estate, como outras bodegas menores e boutiques, não tem um engarrafador próprio. Ela terceiriza esse serviço de retirar o vinho das barricas ou tanques e engarrafar o seu produto.








Segundo ela, hoje em dia é comum esse serviço ser prestado por um caminhão que está todo equipado por dentro como se fosse uma engarrafadora ambulante que passa de bodega em bodega fazendo o serviço. Como são muitas as bodegas pequenas em Mendoza, eu achei essa ideia simplesmente genial!

A degustação foi outra parte alta do passeio.





O lugar da degustação, de frente para aos vinhedos e tendo como pano de fundo as Cordilheiras dos Andes, realmente conferiu ao momento um grande encanto. Estava quente, bem quente, mas nem por isso o clima lá no local de degustação era menos agradável.





Pudemos anotar os vinhos para depois comparar os sabores e aromas.

A Victoria acompanhou também a degustação, explicando a cada momento uma nota diferenciada no vinho que experimentávamos.



A Pulenta Estate foi sem dúvidas, na minha opinião, a melhor visita com degustação. Eu super recomendo! Adorei!




*** CAVAS WINE LODGE:








Depois da Pulenta Estate, fomos para o Cavas Wine Lodge, onde eu fiz reservas para nosso almoço.

Eu  já tinha ouvido falar muito deste lugar para jantar. É extremamente romântico! Mas.... à noite, pouco se vê dos vinhedos e das Cordilheiras.






Portanto, resolvi ir de dia, para almoçar e aproveitar a proximidade dele com as bodegas que eu tinha acabado de visitar.

Um lugar charmoso, requintado, romântico... ainda por cima oferece hospedagem, ótimo almoço e ambiente lindo!

É curioso definir o Cavas Wine Lodge porque ele seria um mix de hotel, spa, restaurante e bodega! rsrs... muito completo, não?







A proposta de hospedagem lá é bem atraente também. Um pacote completo - all inclusive - proporciona ao hóspede poder disfrutar também de massagens e outros serviços do spa.

O almoço foi muito bom. Bem... ao menos para mim. O meu ojo de chorizo veio perfeito, do jeito que eu gosto, sem muita gordura. Dos meus amigos e namorado, contudo, veio com osso e gordura além do desejado. Uma pena. Mas, sobre o meu prato, não tenho do que reclamar.

Começamos com duas entradas, bem pequenas. Para quatro pessoas, foi pouco. Uma delas foi um ceviche que, comparado ao que tínhamos comido na noite anterior, no restaurante Azafrán, ficou aquém da expectativa. A outra foi uma entrada com camarões, também pequena.




Pedimos um vinho tinto para companhar e seguir no ritmo do dia. Depois de visitar duas Bodegas, não tinha como pedir cerveja, né? Olha que o calor estava forte e a gente sentou do lado de fora, sem ar condicionado.



O bom é que mesa ficava embaixo de uma sombrinha agradável. Mas tem opção de salão interno com refrigeração ambiente.

Nossa mesa era maravilhosa, de frente para o vinhedo, perto da piscina do hotel. E que vontade de mergulhar na piscina, viu? O verão mendocino é cruel! Quente é pouco!! Ainda assim, curtimos bastante o espaço.




Como prato principal, na Argentina, eu prezo pelas carnes e seus ótimos e suculentos cortes: ojo de chorizo, por supuesto! O meu estava ótimo.




Por fim, pedimos sobremesa. Outra coisa que "me encanta mucho" na Argentina é o doce de leite! Gente, tem doce de leite melhor do que este? Não sei explicar... não sei se as vaquinhas são diferentes... se é o tal do "maltado" que o faz ser melhor... só sei que é divino!!




Depois do almoço, minha amiga fez uma massagem de 45 minutos que custou algo em torno dos 350 pesos (mais ou menos 35 dólares).

A convite da casa, eu fiz uma visita às instalações do Spa e fiquei maravilhada! Tudo tão bonito, harmonioso e transbordando paz. Incrível mesmo!







Com relação à hospedagem, são 12 chalés lindíssimos, em estilo mediterrâneo, em meio aos vinhedos da Cavas Wine Lodge. O mais bacana é que cada um tem a sua piscininha privativa (isso sem contar a piscina enorme e maravilhosa do hotel). Além disso, como se não bastasse, cada chalé tem seu terraço, onde podem ser servidas as refeições! Imaginaram um jantar romântico ali? Noooossa... que tudo!





O Cavas Wine Lodge fica em região privilegiada, próximo à Cordilheira dos Andes e também de outras fantásticas Bodegas, como a Catena Zapata, Ruca Malén, Viña Cobos, Achaval Ferrer e Pulenta Estate.

Ou seja, se você quiser uma opção alternativa de hospedagem em Mendoza, longe do centro da cidade, considere fortemente ficar neste lugar e ainda poder visitar outras vinícolas para degustações e compras de vinhos. Como também fica perto das Cordilheiras, o passeio para as montanhas é outro grande atrativo de uma hospedagem aí. 

E assim foi o meu terceiro dia em Mendoza! Regado a bons vinhos, carnes e muitas parreiras lindas e cheias de uvinhas graúuudas! rsrs...


2 comentários:

  1. Como você fez para se locomover entra uma bodega e outra? E você mesmo fez as reservas no próprio site da bodega, ou foi com alguma agência?

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    1. Olá! tudo bom? Nos posts que fiz sobre Mendoza eu explico que fiz as reservas pelo site de cada vinícola e com antecedência de um mês. Se for agora no final do ano, sugiro fazer com antecedência também! Com relação aos deslocamentos, para poder apreciar os vinhos e todos poderem beber, além do fato de as estradas não serem muito bem sinalizadas, optei por um motorista particular que o hotel onde eu me hospedei reservou para mim. Depois dê uma lidinha no Guia que fiz sobre Mendoza e em cada post, pois coloquei tudo em detalhes para que você possa organizar a sua viagem sem imprevistos e curtir bastante essa cidade bem bacana!
      Abraços,
      Lily

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