domingo, 24 de julho de 2016

6º DIA NO ATACAMA: Geysers el Tatio

No dia 02 de Abril, nosso passeio começou bem cedo e o primeiro destino foram os Geysers el Tatio.  

Saímos pouco antes das 6h da manhã porque o objetivo era chegarmos nos Geysers antes do sol nascer, momento este que que os Geysers apresentam-se com mais nitidez. Fomos com o guia Sebastian, da agência Flávia Bia Expedições. E não é que era aniversário do Sebastian naquele dia?



Trata-se de uma enorme bacia geotérmica, a qual, apesar de muitos nativos dizerem que é a maior do mundo, ela é, na verdade, a terceira maior, o que não retira nem um pouco a sua magnitude nem gigantismo. Rodeada de vulcões, a 90 km de distância, ao norte de San Pedro do Atacama, a mais de 4.300 metros de altitude, notem que, além de muito frio, tínhamos que nos prevenir para não sofrermos com o soroche!

- ROTEIRO GEYSERS EL TATIO: Campo Geotérmico, Piscina Termal, Povoado de Machuca

. Tour: 60.000 cl

. Entrada no Parque: 5.000 cl

Como saímos muito cedo, eu confesso que nem observei a estrada porque acabei dormindo. Aliás, eu tenho esse problema com carros rsrs... São soníferos para mim! Ainda bem porque a estrada era repleta de curvas bem sinuosas e, dormindo, eu não sofri na ida, mas não escapei na volta. 




O importante para vocês todos saberem sobre esse passeio é que certamente ele será o mais frio de todos no Atacama, até mais frio que o Tour Astronômico. Para vocês terem uma noção de como se vestir, eu fui com 2 calças térmicas, uma calça bem quente, 2 meias térmicas, tênis de trekking térmico, 2 blusas térmicas, 1 tricot, um casaco de fleece térmico e um último, por cima de tudo isso, de um modelo daqueles fofinhos tipo nylon. 



  
Em resumo, eu virei um urso polar kkkk... porém, vale dizer que não passei frio, salvo nas mãos, porque eu tinha só uma luva - e era térmica - mas se der para colocar 2 luvas, será melhor! E no rosto, é claro, porque ficou bem exposto e o nariz, tadinho... congelou! kkkkk...






Dica: vá no modo cebola! Use as roupas em camadas, como descrevi acima, isso porque, na volta para San Pedro do Atacama, a temperatura vai subindo e vai esquentando muito mesmo.

Quando chegamos, fazia uns 3°C e a sensação térmica com certeza era beeeem menor. A boa notícia é que, depois que o sol nasce, começa a esquentar e, aos poucos, vai ficando mais e mais suportável e ligeiramente agradável.





Sobre os Geysers El Tatio, é realmente impressionante pensar que tudo aquilo ao seu redor já foi a cratera de um vulcão que explodiu de forma tão violenta ao ponto de formar o 3° maior campo geotérmico do planeta. É enorme! Imaginar que aquele vapor e a água em ebulição são provocados por atividades do magma é incrível.

O processo é bem simples: grandes colunas de vapor sabem para a superfície através de fissuras na crosta terrestre quando os rios gelados, que correm em camadas subterrâneas, entram em contato com as rochas quentes em razão de movimentos tectônicos e contato com o magma. 




Se você tiver paciência e curiosidade, ao seguir pela trilha, marcada por pedrinhas, verá várias placas com informações sobre o local, a sua formação, com explicações super interessantes.





Os Geysers podem alcançar até 10 metros de altura e quase 90°C!!! Ou seja, estamos falando de água em ebulição, portanto, escaldante, o que é extremamente perigoso. Logo, observe sempre as trilhas, marcadas por pedrinhas e não saia delas.

Diferentemente dos Geysers Sol de Mañana da Bolívia que visitamos antes, onde o cheiro de enxofre era muito forte e causador de náuseas, no El Tatio a gente não sentiu tanto assim esse odor, embora ele exista lá também, só que não era tão horroroso como na Bolívia.




Ainda assim, para quem tiver receios, vale a pena usar uma bandana para proteger o nariz. Em último caso, ajudará a não congelar!



  



o grande espetáculo da manhã foi assistir ao nascer do sol atrás da montanha com os geysers em primeiro plano, algo realmente único e inesquecível.

Ficamos, eu e Julio, de prontidão aguardando os primeiros raios solares e achamos que o melhor ponto para ver, na época em que fomos, era do lado oposto ao da piscina térmica, no sentido do outro estacionamento.
  


    

Valeu muito à pena a nossa espera porque foi um verdadeiro show!! Que lindo ver o contraste das fumarolas com o sol nascendo ao fundo. Foi sensacional!


  

  

Sebastian preparou para a gente um café da manhã durante o nascer do sol, mas eu e Julio não estávamos bem de estômago e intestino, por isso eu fiquei só no chá mesmo. Infelizmente, nós pensávamos que sairíamos incólumes da viagem, sem qualquer tipo de mal estar... e estávamos indo bem até. 

Mas já para o final da viagem, fomos acometidos desse náuseas e o Julio ainda ficou bem fraco, com sintomas de febre. Foi bem triste porque a gente até estava com fominha e tudo parecia tão gostoso... só que era melhor não abusar e ficamos só nos chás!



Ahhhh... eu falei ali em cima da piscina térmica, certo? Ela recebe um pouco da água que vem dos gaysers (eu não sei explicar direitinho como é que fizeram aquela piscina natural, mas sei que ela não é tão natural assim rsrs... foi construída em um lugar que recebe parte da água aquecida).

Antes mesmo de o sol nascer, reparamos em como a piscina estava lotada! Sim, lotadaaaa!!! Meu Deus, há muita gente corajosa no mundo mesmo. Se vocês pudessem imaginar o frio que fazia. Se bem que dá para ter uma ideia pelas roupas que estávamos vestindo. A maioria tinha cara de gringo europeu. 



Com o sol raiando, mais "quentinho" (com muito trabalho psicológico, tentando me convencer de que frio é totalmente algo da minha cabeça kkkk), tomei coragem de tirar minha roupa de urso polar e encarei um tibum na piscina térmica. Óh céus!!! Haja coragem, viu?

Pelo menos a água era realmente bem quente e, em muitos pontos, como no lado mais perto dos Geysers, era ainda mais mais quentinho. Chegava a ser engraçado porque a piscina é relativamente rasa e, para não sentir frio, tive que ficar agachada praticamente o tempo todo.

Acontece que, ao tocar o solo em alguns lugares com as mãos ou pés, parecia até brasa e queimava um pouco (mas não era queimar de fazer queimadura, mas sim de dar tipo um "choquinho").

A dica é deixar esse tibum para o final, quando faltar cerca de 1h para ir embora, porque a piscina estará mais vazia. Não sei o que se passa com esse povo doido que chega lá e corre para mergulhar na piscina antes mesmo de o sol nascer kkkk... mas fato é que ela estava super cheia logo cedo e assim desanima um pouco também... eu prefiro sempre os lugares mais vazios.




Havia cabines ao lado da piscina para se vestir e colocar roupas, o que ajudou muito. O problema é que havia banheiros ali e isso achei péssimo. 

Uma dica super bacana para a mulherada, e que me ajudou muito, foi estar vestindo um body de manga comprida. Nossa, isso facilitou demais na hora de entrar e sair da piscina. Confesso até que foi menos pior do que eu imaginava e a experiência como um todo foi muito diferente e valeu muito a pena!


  


Entonces, tirem a coragem do fígado, levem a roupa adequada, pensem que frio é psicológico e não deixem de vivenciar esse momento único!

Outra dica é aproveitar esse momento de se vestir de volta, nas cabines, e colocar menos roupas rsrs.. Como você irá provavelmente direto dali para o carro/van, lá dentro do automóvel já estará quentinho e, no retorno a San Pedro, vai esquentar um pouco. Acreditem em mim! Eu juro que esquenta! kkkk... pelo menos no mês de abril... não sei se no inverno esquenta tanto, mas sempre esquenta um pouco, já que é um deserto, né?





Obs.: Sebastian nos contou que no ano passado houve um acidente trágico nos Geysers quando uma senhora quis tirar uma foto mais perto da saída do vapor e, aparentemente, ficou desorientada por causa da fumaça. Supostamente, ela deu um passo em falso para a frente no sentido da cratera onde a água está em ebulição, o que fez com que o terreno cedesse por estar instável e ela caiu no buraco. 

Ela foi resgatada pelo seu marido, mas teve mais de 70% do corpo queimado e não resistiu após 2 semanas internada no hospital de Calama. Seu marido também ficou com o braço queimado ao tirá-la de lá. O pior é que a agência de turismo com quem eles faziam o passeio não tinha telefone satelital e  tiveram que usar o da Flávia para avisar o ocorrido e pedir socorro. Levaram-na num carro comum para Calama e a guia, sem saber ao certo como proceder, retirou as roupas da senhora só que junto com a roupa acabou saindo a sua pele também. Ou seja, um acidente horrível mas que é importante contar aqui para que todos sempre lembrem de respeitar a trilha marcada, não se aproximem muito dos Geysers para fazer um passeio em segurança.



Por fim, também vale ressaltar que em San Pedro do Atacama só há um posto de saúde com paramédicos. Nem raio X tem lá. Logo, quanto maior for o cuidado tido pelo turista,  melhor, né?

Exatamente por causa desse acidente que o passeio da Flávia agora só visita um lado do campo geotérmico e não os dois lados por considerar que onde aconteceu o acidente pode estar instável ainda.


No retorno a São Pedro, nós fizemos mais duas paradas: a primeira foi à beira de um rio onde observamos alguns pássaros que fazem seus ninhos no rio mesmo. Uma paisagem linda demais!



  

Outra parada foi no povoado de Machuca, local onde só efetivamente residem 4 pessoas desse povoado. Eles ficam por lá para fins absolutamente turísticos, vendendo espetinho de carne de llama, empanadas chilenas (que são fritas) e tem uma llama adornada para foto.





  

O vilarejo é bonitinho mas a impressão é que só existe hoje para fins turísticos mesmo, ou seja, para gerar alguma renda extra aos descendentes desse povoado. 



  

Nós fomos até a Igreja que fica mais ao alto, em uma colina. É legal ver como as casinhas são pequenas e baixas, com teto de palha, mas, ao mesmo tempo, com antenas modernas de TV e Internet rsrs, sendo um contraste bem interessante de cores e um choque cultural entre o moderno e a tradição.





Não ficamos muito tempo por lá, talvez cerca de 1 hora ou menos, e logo voltamos para San Pedro com uma certa folga para almoçar e descansar. 

Como Julio não estava bem, fui direto com ele para o posto de saúde de San Pedro, onde ele foi atendido por uma enfermeira, já que não havia médico. Ela aplicou uma injeção de algo similar a Buscopan (mas na hora ele não sabia que era isso, pois tinha outro nome... pesquisando, nós descobrimos) e esse atendimento teve que ser pago. Custou 15.000 pesos chilenos. 

Depois, demos a sorte de ir ao Restaurante Rancho Cactus, na própria Calle Toconao, bem perto de onde estávamos hospedados, no Hostal La Ruca, onde o chef Pedro, brasileiro, preparou uma comidinha de doente para a gente: peixe ao vapor, arroz branco e purê de batata. 




Ainda por cima foi o prato mais barato que comemos durante toda a viagem porque custou apenas 3.500 pesos (a média de valores dos pratos em San Pedro é de 8.000 pesos e a média do menu completo nos restaurantes que oferecem também é por aí).




Assim foi a nossa manhã e o passeio dos Geysers el Tatio! Nesse mesmo dia, de tarde, nós conhecemos as Lagunas Escondidas, que contarei a vocês no próximo post. 



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